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Objetos de Oração: Entendendo a expressão de Fé do outro

Salam queridos amigos da Pérsia! Hoje quero falar sobre um tema que considero muito importante: a FÉ do outro. Independente da crença, cada pessoa que acredita em um Deus, ou o Ser Superior se coloca em contato com o divino através da oração pedindo por  bençãos, proteção ou simplesmente se colocando em atitude de adoração. E que tal entendermos um pouco da prática da oração na religião que é predominante no nosso querido Irã?
Estatisticamente 94% da população do Irã é de muçulmanos xiitas, isto é, o segundo maior ramo de crentes do Islã. Para quem não sabe, a oração islâmica que é chamada de salat e em persa de namaz é feita 5 vezes ao dia, mas ao contrário dos sunitas, os xiitas costumam fazer as 5 orações em 3 chamadas diárias ao invés das 5.
Outra diferença interessante são os objetos utilizados para a oração. Enquanto os sunitas utilizam apenas um sajada (tapete) e uma qibla (bússola), os xiitas incorporam um elemento especial chamado de mohr que é uma espécie de selo de argila que simboliza as cidades sagradas dos xiitas, como Karbala no Iraque, onde ocorreu o martírio do Imam Hussein ou também Mashhad e Qom no Irã. 
Como o meu desejo é transmitir tudo o que tenho experimentando em termos de intercâmbio cultural por meio de meus amigos e irmãos de fé lá das terras da Pérsia, apresento-lhes os tradicionais objetos de oração de minha amiga iraniana Afsaneh que esteve aqui em São Paulo. Ela explica que esta é a forma como sua mãe a ensinou a rezar: 

Este é o gracioso "kit de oração" com o estojinho e o chador tradicional dobrado.
Dentro do estojinho há essas 2 peças de tecido que se chamam sajade, um tipo de pedra que se chama  mohr oriundo do santuário de Karbala e um rosário tasbih da cidade de Mashhad. 
Esta pedrinha que se chama mohr é uma espécie de selo de argila na qual está representado o santuário de Karbala, uma das cidades sagradas para os xiitas. Durante a oração o fiel toca ela com a testa, e esta nunca é colocada diretamente no chão, mas sobre o sajade.
Com a ajuda da bússola qibla o muçulmano encontra a direção da cidade de Meca.
 A seguir, um registro da minha "performance" do namaz  vestindo o lindo e delicado chador de Afsaneh. Mas atenção, quero deixar claro que estou apenas fazendo uma representação, isto não significa que me converti ou algo assim. E minha intenção jamais seria brincar com esse ritual sagrado para os meus irmãos de coração que realmente praticam o islamismo. Aliás, minha amiga que é muçulmana foi quem me convenceu a fazer estas fotos e confesso que me senti uma outra pessoa quando ela pôs em mim este traje que é basicamente um lençol cortado em semicírculo que seguramos com as mãos, ou com a ajuda de um alfinetinho sob o queixo, mas que muitas iranianas religiosas utilizam no dia-a-dia em suas versões em cores mais sóbrias. 

As muçulmanas xiitas costumam se cobrir com  chador durante o ritual do namaz

Espero que com essa pequena demonstração tenha ajudado a desvendar um pouco dessa religião que de qualquer modo expressa o modo de vida de grande parte da população do Irã. Apesar de existirem  também muçulmanos sunitas e outras religiões como os judeus, cristãos armênios, zoroastrianos, etc. convivendo no mesmo país, espero também conhecer e compreender a cada um destes. E que todos nós possamos unir nossas diferentes crenças e expressões e ajudar a construir um mundo de paz e igualdade!
E, se algum querido leitor muçulmano tiver alguma correção ou algo a acrescentar sobre este post, por favor não hesite em entrar em contato!
Para finalizar, vamos meditar com as palavras de Mawlana Rumi : 
"O que fazer se não me reconheço?
Não sou cristão, judeu ou muçulmano.
Se já não sou do Ocidente ou do Oriente,
Não sou das minas, da terra ou do céu.
Não sou feito de terra, água, ar ou fogo;
Não sou do Empíreo, do Ser ou da Essência.
Nem da China, da Índia ou Saxônia,
Da Bulgária, do Iraque ou Khorasan.
Não sou do paraíso ou deste mundo,
Não sou de Adão e Eva, nem do Hades.
O meu lugar é sempre o não-lugar,
Não sou do corpo, da alma, sou do Amado.
O mundo é apenas Um, venci o Dois."
(...) 
Jalaluddin Rumi


Governo extingue sinfônica do Irã

Infelizmente o jogo político que transforma o Irã em vilão e inimigo do ocidente prejudicando o desenvolvimento econômico do país, afeta principalmente a qualidade de vida do povo impedindo também que manifestem formas de arte que poderiam colocá-lo em diálogo com a cultura do ocidente. Eis que na última segunda-feira foi anunciado o fechamento da Orquestra Sinfônica do Irã, um fato lamentável, que esperamos um dia ser revertido.

Orquestra Sinfônica do Irã
Músicos da Orquestra Sinfônica do Irã disseram nesta segunda-feira, 29, à agência de notícias ILNA que foram comunicados da decisão do governo de acabar com o grupo. Segundo eles, salários não são pagos há três meses e os ensaios foram suspensos, sem previsão de reinício.
Não é a primeira crise pela qual passa a sinfônica, que havia voltado à ativa no ano passado, após dois anos de suspensão das atividades. Os artistas atribuem a decisão à falta de verbas provocada pela crise econômica, fruto, segundo eles, de decisões equivocadas do governo e do aprofundamento das sanções impostas pelo Ocidente por conta do programa nuclear do país.


Salam Rugby, imagens do esporte entre as mulheres iranianas

Cena do documentário Salam Rugby
O documentário Salam Rugby (2011) que foi exibido na primeira edição brasileira do Festival de Internacional de Filmes de Esporte (FIFE), no Rio de Janeiro, revela as dificuldades que as mulheres enfrentam  praticar esportes no Irã. A intenção inicial do diretor Faramarz Beheshti era mostrar a difusão do rúgbi entre as iranianas mas o período de produção do filme coincide com a eleição de Ahmadinejad e a imposição de algumas leis que restringem a liberdade das mulheres no país. 
Segundo Faramarz Beheshti, não há nenhuma restrição a prática de esportes para mulheres no Irã, mas uma das grandes dificuldades enfrentadas são o fato de haver somente um estádio que elas podem usar apenas em horários determinados. O primeiro é de 6h às 9h da manhã, mas as iranianas não têm permissão para sair de casa tão cedo, e o outro é de 14h às 16h, período em que a temperatura varia de 45 a 50 graus no verão, e elas não têm direito de usarem roupas adequadas para se exercitar.
Após o filme, o diretor iraniano radicado na França, foi denominado "inimigo do Estado". No entanto, o rótulo não diminui a satisfação de Faramarz Beheshti com sua obra.
"Eu fui rotulado como inimigo do Estado, disseram que meu filme foi feito com dinheiro de Israel... Mas a visão fora do país tem sido fantástica, porque muita gente nunca viu imagens do Irã e as pessoas vêem o lado positivo depois do filme, a maioria sente simpatia por essas mulheres. O meu objetivo foi atingido e estou muito feliz" - comemora.
Após assistir ao filme, a jogadora da seleção brasileira de Rugby Barbara Santiago reconheceu que as dificuldades enfrentadas pelas iranianas são ainda maiores do que as existentes no Brasil.
"A gente achou que tinha dificuldade, e é impressionante o que elas passam e como se esforçam para continuar jogando. Fizeram nossa história parecer fácil"- reconhece.

Baseado em  SporTV.com

Infelizmente as únicas sessões foram exibidas nos dias 25 e 26 de outubro do festival,esperamos que em breve seja exibido em outros festivais e em outras cidades e eu consiga anunciar a tempo. Mas vale a pena ficar de olho nos lançamentos e estar por dentro de como a cultura do Irã está recebendo divulgação pelo mundo todo. 

>> Veja o trailer:


Um Festival de Tapetes em Teerã

O tapete é um elemento essencial da arte e da cultura persa, seu design, cores e qualidade são inigualáveis e por isso até hoje é um dos maiores produtos de exportação do Irã. Esta  reportagem do canal Hispan TV mostra um festival de 10 dias que ocorre em Teerã onde os visitantes podem contemplar cerca de 10 mil diferentes tipos de tapetes persas.


"Gur-e Dokhtar", afinal de quem é esta tumba?

Gur-e Dokhtar (que em persa significa " tumba da menina"), é o nome de um túmulo de pedra da era Aquemênida, localizado na aldeia de Tang-e Eram entre as províncias de Fars e Bushehr, no Irã. Sua  arquitetura é muito semelhante ao mausoléu de Ciro, o Grande (559-530 a.C) que fica em Pasárgada, embora seja de de menor tamanho. Especialistas demarcaram um perímetro de 100 metros ao redor do local, que foi registrado na Lista de Patrimônio Nacional do Irã em 1997. Qualquer construção sobre esta área é ilegal, no entanto autoridades e moradores locais ignoraram as proibições e a construção de edifícios continuou avançando na vizinhança da fronteira e até mesmo uma linha de energia foi instalada pelo governo a cerca de 4 metros do túmulo. E não há sequer uma indicação de que naquele local existe um monumento histórico !
O sítio foi descoberto em 1968 pelo arqueólogo belga Louis Vandenberg,  e alguns estudiosos especulam que seja o túmulo de Ciro I,  avô de Ciro II, o Grande. Outros peritos entretanto reivindicaram que o túmulo pertença a Mandane, mãe de Ciro, o Grande, enquanto outros  afirmam que foi o mausoléu de Atossa, a filha do rei Aquemênida.  
Uma equipe de especialistas iranianos realizou uma série de esforços para restaurar a estrutura no início de 2000.
Gur-e Dokhtar, um túmulo real da era Aquemênida praticamente ignorado 
Uma linha de energia construída pelo governo do Irã a 4 m do monumento
Apesar de ser ilegal, há construções a menos de 100 metros do monumento
Baseado em CAIS


"O dia em que provei o gostinho doce da Pérsia"

O Sholeh Zard feito pela Cadbanou Nasrin
com os dizeres noshe jan (bom apetite em persa)
Salam! Lembra que eu tinha feito uma postagem sobre aquele pudim chamado Sholeh Zard? Pois aqui está  ele, o Sholeh Zard que eu provei na casa da Cadbanou Nasrin e família. Curiosos para saber o que eu achei? A única coisa ruim é que infelizmente você não vai encontrar esse doce tão fácil em outro lugar aqui no Brasil, a não ser na casa de alguma amiga iraniana boa de cozinha. A Cadbanou prepara esta iguaria persa com menos açúcar do que a receita original, mas acreditem, o resultado é um sabor light e sofisticado. Se você, assim como eu, é maluco por glicose dá até pra comer  sem culpa e sem pesar! 
No meu paladar tupiniquim, fiquei procurando alguma semelhança com o nosso arroz-doce, mas esta exótica receita é uma verdadeira alquimia da Pérsia: a base é o arroz e amêndoas picadas, que recebe essa cor amarela açafrão e a essência da água-de- rosas. A decoração feita com canela em pó e as vezes com pistache e pedacinhos de amêndoas é tão bonita, que às vezes dá uma dózinha de "atacar" o doce! Mas se você tiver a oportunidade de experimentar um sholeh zard, faça como eu, peça para tirar uma fotinha do doce e devore umas três tacinhas com bastante canela! 


Viajar para o Irã: o que as mulheres devem saber

chador, usado pelas mais conservadoras  não é uma vestimenta obrigatória
Salam queridas amigas do Chá-de-Lima da Pérsia. Hoje continuo falando sobre as dicas de viagem, mas este post de hoje é voltado exclusivamente para as mulheres. Antes de visitar o Irã existe algo muito importante que você precisa aprender sobre as roupas adequadas para o país, isto é, o "tradicional" código de vestimenta para as mulheres iranianas que as obriga a cobrir seu corpo com modéstia, seguindo os preceitos do Islã mas de acordo com a cultura iraniana. 
Mas, não há motivo para ficarem assustadas, as peças básicas do hejab usado no Irã são coisas que você provavelmente já deve ter em seu guarda-roupa ou pode adquirir facilmente em qualquer loja de roupas aqui mesmo no Brasil. Para chegar no país basta ter: 
1) Um simples  lenço ou echarpe de preferência de cores  discretas e não transparentes para cobrir os cabelos.
2) Calças ou saia compridas e de preferência folgadas, que cubram até os tornozelos e é recomendável, porém não obrigatório que se use meias e sapatos fechados. 
3) Um camisão ou bata  largos de mangas compridas (até os pulsos) e que cubram pelo menos até a altura da  metade das coxas e lembre-se: transparentes nunca, jamais! .
Se você chegar no país com pelo menos um ou dois desses conjuntos,  pode  facilmente adquirir as roupas mais apropriadas em qualquer centro comercial e por um precinho bem menor do que pagamos em lenços, echarpes e batas aqui no Brasil.

Exemplos de combinações básicas de camisão + lenços que você pode usar para chegar como turista no Irã: 





Eu digo que é importante usar as cores discretas  para evitar chamar muito a atenção como turista que veio do país do carnaval. Mas, não pense que o povo de lá só anda de preto como mostram a maioria das imagens que nos chegam sobre o Irã. O preto é obrigatório nas repartições públicas, escritórios e universidades, mas no dia-a-dia, as roupas das iranianas são elegantes e coloridas, e é possível encontrar até adaptações com etiquetas de grifes famosas como "Zara" só que made in china!

Veja alguns exemplos de como as iranianas se vestem atualmente nas cidades:
maghnee é o véu de cor preta  obrigatório nas universidades e escritórios oficiais
Algumas mulheres usam grifes famosas adaptadas ao estilo local
Muitas  mulheres  usam hejab estilo shal, uma simples echarpe em volta da cabeça
Outras, usam  rusary,  o lenço quadrado amarrado sob o queixo
Dicas importantes: para as mulheres mais lindas e vaidosas, do nosso país tropical onde usamos tudo o que queremos e podemos, o mais recomendável  é que tentem aceitar completamente a ideia de usar apenas roupas folgadas, compridas  e um lenço nos cabelos pelo menos alguns momentos antes de aterrissar e nos próximos dias que passará no Irã, não importa se faça frio ou calor! Então, quando chegar lá você pode observar as mulheres locais, encontrar um mercado, e se divertir enquanto procura  modelos de manteau e hejab que agradem ao seu estilo. O manteau (lê-se "mantô") é aquele casaco ou bata até a metade da coxa ou até os joelhos que a maioria das mulheres iranianas usam como seu traje principal, quando precisam sair para trabalhar ou nas ruas. No calor, opte por tecidos mais leves e cores claras.
Ainda está assustada? Calma! Essas vestes são obrigatórias para sair nas ruas ou frequentar locais públicos e com pessoas do sexo oposto, se você estiver indo para a casa de algum amigo ou família com quem tenha muita proximidade ou dentro do seu quarto de hotel, pode usar absolutamente tudo o que quiser! Por baixo das roupas tradicionais, as iranianas costumam usar bermudas, camisetas, e até vestidos curtos! Portanto, você pode levar em sua malinha algumas roupas de calor, e reservar espaço para as roupas que irá comprar para usar lá.
As mulheres iranianas são muito vaidosas,
mas para as turistas é recomendável que
sejam discretas.
É essencial que se mantenha sempre os cabelos cobertos, e não se empolgue muito em imitar o estilo ousado das jovens com lenço pendurado no coque quase caindo e exibindo suas franjas exuberantes e cheias de luzes e tornozelos e antebraços à mostra. No Irã o hejab não server só pra se disfarçar de muçulmana, ele pode passar até mesmo uma mensagem de que lado você está com relação a política do país. O ideal para uma turista é que se mantenha o mais neutra possível dessas discussões. Se tiver um lenço quadrado (ou  rusary), basta dobrá-lo em um triângulo e amarrá-lo sob o queixo. Se tiver uma echarpe shal, basta enrolar em volta da cabeça e em torno do pescoço, cobrindo totalmente o cabelo e o colo. Se conseguir encontrar um maghnee, melhor ainda, basta vestí-lo como um capuz e sair caminhando despreocupada por que ele não cai! O cabelo pode até aparecer na frente, mas, só um pouquinho!
Vale lembrar também a questão da maquiagem, mesmo que algumas iranianas desafiem as leis andando super-hiper-mega maquiadas, é bom que como turista você evite os excessos. Ou seja, maquiagem discreta apenas para disfarçar as olheiras e as espinhas. Batom vermelho e esmalte fosforescente deixe no Brasil ou para usar somente em alguma festa particular!

Muitos guias de turismo e agências de viagens ainda instruem as mulheres que vão viajar para o Irã a a usar o chador (manto que cobre todo o corpo). Porém, tenha a certeza de que não é necessário, exceto em mesquitas e cidades sagradas como Mashhad e Qom, onde normalmente você pode emprestar ou alugar um. Mas se quiser comprar um, pelo menos para guardar de lembrança, existem alguns que tem estampas bonitas e delicadas.
Esteja ciente de que, no campo, as mulheres se vestem de forma mais conservadora do que na cidade, embora algumas etnias como por exemplo, os gilakis do Norte, os nômades ghashgais e os bandaris do Sul usem e abusem de cores e estampas chamativas e alegres.

Estas fotos acima, são alguns tipos de hejab que as turistas devem evitar: braços e pernas a mostra,  manteau muito curto e justo e cabelos mal-cobertos.

Finalmente, outras coisas indispensáveis que as mulheres devem saber sobre como se comportar no Irã: 

  • Você pode conversar  e até caminhar com homens sem problemas, desde que evite fazer charminhos ou demonstrar afeto em público. Então, por favor, nunca, jamais beije no rosto ou estenda sua  mão para  um rapaz nas ruas. Basta um simples salam, com um sorriso discreto e um aceno de cabeça cordial. 
  • Realmente, mulheres fumando em público não são bem vistas. Portanto, evite o quanto puder até mesmo andar com roupas cheirando a cigarro.
  •  Tente evitar andar sozinha tarde da noite. Não aceite convites de desconhecidos para clubes underground. Mesmo que tenha alguém de muita confiança que possa acompanhá-la, esses locais estão constantemente na mira da polícia religiosa. Evite confusões! Aprenda algumas palavras em persa pelo menos para  saber como chamar um táxi e  voltar para o seu hotel.
  • Se você desobedecer alguma das regras sobre a vestimenta sem querer, como turista no máximo receberá uma advertência verbal, e dizem que os guardas não chegam a ser agressivos. Aí esqueça as palavras em persa e dê uma turista atrapalhada mostrando que foi "sem querer"...
Bem queridas meninas, essas são algumas dicas que pesquisei na internet e pedindo conselhos a amigas iranianas. Espero que tenha esclarecido bem as coisas e se tiverem mais alguma dúvida, fiquem a vontade para perguntar o que quiserem por comentário ou e-mail.

Baseado em Iran Travelling Center e Lets Go Iran


Uma garota irlandesa surfando no Irã, e pode?

Easkey Britton na praia de Chabahar no Sul do Irã
Quando a irlandesa Easkey Britton subiu em sua prancha em uma praia do Irã todo o vilarejo local veio vê-la. ''Eles foram tão amigáveis e tão curiosos. Eles nunca tinham visto alguém surfando antes'', afirma.
Atualmente, Easkey, de 26 anos, é destaque de um documentário que fala sobre sua proeza, a de ter sido a primeira mulher a surfar na República Islâmica do Irã. 
Assim que chegaram ao país, em março, a surfista e a cineasta francesa Marion Poizeauwere não tinham certeza de como seriam recebidas no Irã. Quando estavam surfando na praia próxima a Chabahar, no sul do Irã, em setembro passado, um carro de polícia chegou a parar nas imediações, o que as deixou preocupadas. Mas logo o temor se mostrou infundado. ''A polícia estava só conferindo se estava tudo bem. Eles estavam preocupados com as pedras na praia e queriam saber se nós sabíamos delas.''
Easkey conta que ela e a cineasta passaram a ter uma visão totalmente diferente sobre o país após a visita.
''Fomos para esta república islâmica à procura de ondas. No momento em que chegamos, eles foram muito hospitaleiros", conta a surfista.
''Eu comprei um hijab de lycra que não foi feito especialmente para o surfe, mas ele me cobriu. A água estava bem quente, mas o Irã não é um lugar para biquínis e pranchas de surfe.''
Agora, Easkey quer levar seu amor ao surfe para outras partes do mundo, onde há culturas em que mulheres não têm acesso ao esporte. ''Existe uma pequena cultura de surfe em Bangladesh e na Índia. Mulheres e meninas estão aprendendo a surfar nas condições mais extremas, como na Faixa de Gaza.

Fonte: Terra 


Obras de Arte no Metro de Teerã

Fotografia de Sohail Forouzan-sepehr
O Metro de Teerã que opera desde 1999, além de ser um dos maiores do Oriente Médio também é uma verdadeira galeria de arte moderna, a qual milhares de pessoas que transitam pela cidade visitam diariamente. Esse sistema de transporte subterrâneo que é muito mais limpo e organizado do que as ruas que ficam logo acima, contém um estilo decorativo único. São interessantes relevos esmaltados, gravuras e esculturas que misturam diferentes estilos que vão das escolas de arte clássica ao futurismo. 

Veja alguns exemplares das obras de arte que embelezam a Linha 2 do Metro de Teerã.

 Estação Navab
Bazaar de Teerã, por Parchami
Relevo em cimento,  5 x 1,90 m
Estação Tarasht
Touro Alado, por Elham Ashrafi
 Painel de concreto,  5,40 x 2,22 m
Estação Universidade de Sharif
Simorgh, por Hayedeh Seirafi,
Painel de cerâmica esmaltada, 5,40 x 2,40 m
Estação Universidade  de Sharif
Jarros, por Hayedeh Seirafi
 Painel de cerâmica esmaltada,  5,40 x 2,40 m
Estação  Sadeghieh:
Deserto Salgado por Jamali
 Painel de cimento,  5 x 2 m
Estação  Sadeghieh
Dia, por Katayoun Moghadam
Painel em cerâmica esmaltada, 3 x 2 m 
Estação Sadeghieh 
Perspectiva, por Abbas E Moghadam
 Painel em cerâmica esmaltada, 3 x 2 m
Estação Sadeghieh
Takht-e Jamshid (Persepolis), por Jamali
Painel de cimento, 5,20 x 2,20 m
Estação Sadeghieh
Combinação,  por MR Vakili,
Painel em cerâmica,  6 x 3 m
Estação Azadi
Combinção de pintura e linhas, por Reza Jamiyan
Painel em metal,  5,40 x 2,40 m
 Estação Azadi
 Tempo de Verão, por  Mehdi Heidari
 Painel em cerâmica,  4,95 x 2,40 m
Estação Imam Khomeini
Teerã no Passado, por  Abbas E Moghadam
 Painel em cerâmica, 4 x 2,40m
Estação Majles
  Shams-ol Emareh, por Ghahremani
 Painel de azulejos,  5 x 2,40 m
Estação Majles
Vôo, por Mohammad Salariyan
Painel em Metal, 5 x 2,40 m
Estação Hassan Abad
Maçã, por Ali Asghar Golnari
 Painel em Metal, 4,80 x 2,20 m

Fotos tiradas do site de Sohail Forouzan-sepehr


Ebi & Shadmehr Aghili - Royaye Ma

Uma linda mensagem de paz na voz de Ebi e Shadmehr Aghili. A letra diz:  "Eu sonho com um mundo sem ódio... Eu tenho um sonho colorido, de um mundo verde e livre de guerras. Eu tenho um sonho que não é impossível. Um mundo sem sinal vermelho. Um mundo em que bombas e mísseis não sejam construídos e jogados sobre crianças adormecidas. Um mundo em que as cadeias sejam fechadas e pessoas não sejam mortas por qualquer motivo... "


As artes dançando em conjunto

Este vídeo é uma combinação de música, dança, cerâmica e pintura que são os elementos mais representativos da tradição histórica da arte persa.


A Lenda do Tirano Zahhāk

Zahhāk é um  personagem da mitologia iraniana, que aparece no Avesta, o livro sagrado da religião  zoroastriana como Azi Dahaka, o filho de Angra Mainyu, o grande inimigo do deus Ahura Mazda. No Shāhnāmeh, o poema épico de  Ferdowsi, (séc. X), Zahhāk personifica o filho de um governante árabe chamado Mardāsh. A caracterização de Zahhāk como um árabe, em parte, reflete a associação mais antiga com o Dahāg dos povos semitas do Iraque, mas provavelmente também reflete o ressentimento contínuo de muitos iranianos após a conquista árabe da Pérsia (séc. VII).

Ahriman disfarçado de amigo convence Zahhak a assassinar seu pai
Zahhāk era  um jovem bonito e inteligente, mas não tinha estabilidade de caráter e foi facilmente influenciado pelos maus conselhos do demônio Ahriman,  que o escolheu como ferramenta para seus planos de dominar o  mundo. Ahriman apareceu pela primeira vez a Zahhak como um amigo bajulador, e aos poucos o convenceu de que ele deveria matar seu próprio pai e assumir o controle de suas terras. Aconselhado pelo demônio, ele preparou uma armadilha coberta com folhas em um lugar onde Mardāsh costumava caminhar e assim  Zahhāk assassinou e tomou o trono de seu pai.
Em seguida, Ahriman  tomou outro disfarce e apresentou-se a Zahhāk como um maravilhoso cozinheiro. Depois de tê-lo presenteado com muitos dias de banquetes suntuosos, Zahhāk estava disposto a dar a Ahriman o que  este quisesse. Ahriman apenas pediu para beijar Zahhāk em seus dois ombros. Mas, assim que tocou os ombros de Zahhāk com os lábios, Ahrimam desapareceu. E de repente duas cobras negras ferozes surgiram nos ombros de Zahhāk.
Zahhāk estava apavorado e não sabia o que fazer com as cobras. Elas não poderiam ser removidas cirurgicamente, pois assim que eram cortadas, outras surgiam em seu lugar. Então, Ahriman apareceu a ele sob a forma de um médico qualificado aconselhado que o único remédio era deixar as serpentes permanecem em seus ombros, e alimentá-las com cérebros humanos todos os dias, caso contrário, as serpentes se alimentariam de seu próprio cérebro!

Duas serpentes negras surgem nos ombros de Zahhak
Por isso, todos os dias os espiões de Zahhāk capturavam dois homens, e os executavam para que seus cérebros pudessem alimentar as cobras. Dois homens, chamados Armayel e Garmayel, queriam encontrar uma maneira de salvar as pessoas de serem mortas  por causa das serpentes. Então, eles aprenderam a fazer grandes refeições e foram para o palácio de Zahhāk, onde este os nomeou como cozinheiros reais. Todos os dias, eles colocavam  cérebros de ovelhas no lugar dos cérebros dos homens, e instruíam aqueles que foram salvos a fugir para as montanhas e planícies distantes.
Durante este tempo, o rei persa Jamshid, que era então o governante do mundo, através de sua arrogância perdeu o direito divino de governar. Zahhāk com um grande exército, marchou contra Jamshid, e após capturá-lo e matá-lo tornou-se o governante de todo o mundo. As duas filhas de Jamshid, Arnavāz e Shahrnavāz  foram levadas como escravas.
A tirania de Zahhāk sobre o mundo durou séculos. Mas um dia este teve um sonho terrível  em que era atacado por  três guerreiros e que o mais jovem destes o derrubou com sua maça, o amarrou e o levou em direção a uma montanha alta.  Zahhāk acordou em pânico e seguindo os conselhos de Arnavāz,  convocou os sábios e leitores oníricos para explicar seu sonho. Eles estavam relutantes em dizer qualquer coisa, mas  finalmente revelaram que o sonho significava que alguém  poderia derrubar Zahhāk de seu trono, e que se tratava de um jovem chamado Fereydun.

Zahhak ordena a captura de Fereydun
Zahhāk agora tornou-se obcecado em encontrar  Fereydun e destruí-lo, mas ele não sabia onde este vivia ou a qual família pertencia. Seus espiões iam por toda parte à procura de Fereydun e, finalmente, descobriram que ele era apenas um menino, que vivia nas montanhas do Alborz.  Os espiões seguiram a vaca de Fereydun que pastava nas montanhas, mas Fereydun já tinha fugido antes deles chegarem.
Anos depois, apareceu no tribunal de Zahhāk um ferreiro chamado Kaveh, que teve assassinados 17 de seus 18 filhos, para que estes pudessem saciar a fome das cobras por cérebros humanos. O último filho de Kaveh que tinha sido preso, ainda vivia.
Diante da assembléia Zahhāk teve que fingir ser misericordioso e libertou o último filho, mas pediu para Kaveh assinar um documento dizendo a todos quão justo e piedoso  ele era. Kaveh sabia que Zahhāk estava mentindo e então se recusou a assinar a carta. Em vez disso, ele rasgou-a em pedaços, correu para fora da corte real, e levantou o seu avental de ferreiro como um estandarte de rebelião e conclamou todos para ajudá-lo a encontrar Fereydun. As pessoas chamaram o avental de Kaveh de Darafsh-e Kaviani (Bandeira de Kaveh).

O jovem Fereydun derrota Zahhak
Logo, muitas pessoas seguiram Kaveh para as montanhas  do Alborz, onde Fereydun que agora era um jovem valente, concordou em liderar o povo contra Zahhāk. Em uma batalha, Fereydoun capturou Zahhāk sem muita resistência e libertou todos os prisioneiros, incluindo Arnavāz e Shahrnavāz.
Enquanto isso, Kondrow, tesoureiro de Zahhāk, fingiu obediência a Fereydun, mas quando teve uma chance ajudou seu antigo senhor a fugir. Quando Zahhāk soube que as filhas Jamshid  estavam ao lado de Fereydun no trono, como suas rainhas, ficou furioso e imediatamente voltou para a sua cidade a fim de atacar Fereydun.
Ao chegar em sua capital,  Zahhāk encontrou o povo fortemente reunido contra ele, e vendo que não podia mais controlar a cidade, entrou escondido em seu próprio palácio como um espião, e tentou assassinar Arnavāz e Shahrnavāz.  Mas foi impedido por Fereydun que o atacou com sua maça, mas não o matou. Aconselhado pelo anjo Sorush, ele amarrou Zahhāk  em uma caverna profunda no Monte Damavand,  onde as cobras em seus ombros, não seriam alimentadas e acabariam por devorar seu próprio cérebro. Assim, após a tirania de mil anos ", encerrou o reinado de Zahhāk.

O reinado do tirano chega ao fim
Baseado em Wikipedia e Zoroastrian Kids
Ilustrações de Parviz Kardan


Os Mausoléus dos Poetas Persas

Você sabia? 
Mausoléus são tumbas grandiosas, construídas para um lider ou figura importante, podem ser edifícios separados, ou parte de um complexo maior  como um templo. O termo deriva de Mausolo, nome de um sátrapa de Cária do império persa do século IV a.C. O seu túmulo, conhecido como mausoléu de Halicarnasso (antiga cidade da Anatólia, atual cidade turca de Bodrum), era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Na cultura persa alguns poetas ocupam um lugar de destaque e, mesmo que tenham morrido há anos ou séculos, deixaram como legado além de suas poesias, uma marca indelével no mundo e na alma do povo iraniano, por isso seus mausoléus são lugares venerados e de grande riqueza arquitetônica. Conheça algumas dessas magníficas construções e suas respectivas localizações que são uns dos pontos turísticos mais visitados do Irã.

1) Omar Khayyam (Nishapur) 

O famoso autor do Rubayat que viveu entre os  séc. XI e XII, além de poeta  foi também filósofo, matemático e astrônomo. Seu mausoléu, uma obra prima da arquitetura iraniana, foi construído em 1963 e está localizado no jardim de Khayyam na cidade de Nishapur onde ele nasceu.

2) Fariduddin Attar (Nishapur)

Ele foi um famoso poeta e místico muçulmano persa que viveu entre os séc. XII e XII, seu nome Attar significa "o perfumista", indicando que ele também exercia essa profissão. A Conferência dos Pássaros é considerada uma de suas maiores obras. No mesmo jardim onde está seu mausoléu construído no Período Timúrida,  foi construído o túmulo do pintor moderno Kamalalmok (1847 -1940).

3)  Hafez (Shiraz) 

Este ilustre poeta e místico sufi persa que viveu no séc. XIV, ficou conhecido como Hafez ("o preservador") por ter memorizado o Alcorão. Sua obra Divan, está presente nas casas de quase todos os iranianos e seus poemas são usados como provérbios e oráculos. Seu  túmulo e memorial conhecido como Hafezieh, foi construído em 1930 e se localiza nos  Jardins Musalla em Shiraz .

4) Sa'di  (Shiraz)

Foi um dos maiores poetas persas do período medieval do século XIII. Suas obras mais conhecidas são o Bustan (Orquidário) e o Gulistan (Jardim das Rosas) que são coleções de seus ensinamentos. O mausoléu de Saadi está localizado no nordeste de Shiraz em um agradável jardim, o túmulo atual foi construído em 1952.

5) Ferdowsi  (Tus)

Este lendário poeta do séc. X é foi autor do Shahnameh, o épico nacional do Irã. Ferdowsi foi enterrado em seu próprio jardim, no cemitério muçulmano de Tus (província de Razavi Khorasan) e seu túmulo reconstruído em 1928 e 1934 por ordem do Xá Reza é um local reverenciado pelos iranianos.

6) Baba Taher (Hamadan)

Um dos poetas mais respeitados dos primórdios da literatura iraniana. Viveu no séc. XI e sua vida está cercada de lendas e mistérios. Seu túmulo está localizado perto da entrada norte da cidade de Hamadan , no oeste do Irã , em um parque. A estrutura consiste de 12 pilares externos em torno de uma torre central . Foi reconstruído em 1970.

7) Shams Tabrizi (Khoy, província do Azerbaijão)

Místico sufi persa  que viveu entre os séc. XII a XIII,  e é creditado como o instrutor espiritual de Rumi. O túmulo de Shams Tabrizi foi recentemente nomeado para ser um Patrimônio Mundial da UNESCO.

8) Shahryar (Tabriz)


Lendário poeta iraniano do séc. XX, um dos primeiros a escrever e publicar poesias em dialeto turco azeri. Ele foi a última personalidade a ser enterrada no mausoléu conhecido como Maqbaratoshoara,  construído nos anos 1970 e onde na verdade estão enterrados outros poetas, místicos e pessoas importantes.

9) Nima Yushij (Yush)


Outro importante poeta do séc. XX, o pai da poesia persa moderna. Seu túmulo e memorial se localiza em sua cidade natal, Yush, na província de Mazandaran.