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Matéria sobre a produção de curta-metragens no Irã

O Irã tem um festival de curtas-metragens que reúne os realizadores do país e estrangeiros que participam. O evento é sediado na capital Teerã. Veja neste vídeo como o cinema jovem iraniano é hoje um dos mais prolíficos do mundo embora a mídia internacional insista em destacar sempre os problemas relacionados com a censura no país. 


Ragheb Alama & Andy - Yala Ya Shabab

Salam queridos amigos do Chá-de-Lima da Pérsia, esta semana o blog andou paradinho, mas já está voltando a atividade, com muita arte, cultura e informações sobre o nosso querido Irã! Um ótimo fim de semana a todos e fiquem com este lindo dueto árabe-persa do grande cantor libanês Ragheb Alama com o astro do pop iraniano Andy. Yala ya shabab! 


"Pulso Iraniano" em SP: passeando pela arte contemporânea do Irã

Quem não torce o nariz para exposições de arte contemporânea que atire a 1ª pedra! Então, arte contemporânea do Irã, nem se fala! Você já deve até ter se perguntado, será que existem mesmo artistas malucos contemporâneos naquele país e se existe, que tipo de coisas eles produzem?
Neste sábado estive visitando a exposição Pulso Iraniano no SESC Vila Mariana. Como eu também, por formação sou uma artista visual, isso me faz a pessoa mais suspeita do mundo para falar em exposições de artes, mas gostaria de convidá-los a refletir um pouco sobre o meu ponto de vista e quem sabe você também não vai querer ir lá conhecer o que o curador francês Marc Pottier trouxe desses 24 artistas persas para nós em termos de fotografia e video-arte direto do Irã ou de outros países onde vivem.
Em primeiro lugar, para facilitar a leitura, a exposição é dividida em 5 eixos temáticos, os quais não têm uma fronteira definida nem uma ordem certa para se seguir: a poesia, o espírito da celebração, a mulher, a guerra e as tradições.
Para não estragar a surpresa, vou destacar apenas algumas das obras que mais me chamaram a atenção:

Shadi Ghadirian, da série CTRL+ALT+DEL (2006)
Gohar Dashti, da série Today's Life and War (2008)
As mulheres artistas  surpreendem  por seu senso de humor irônico e delicadeza de estilo.  Os trabalhos de Shadi Ghadirian, Rana Javadi e Ghazel que aliam  fotografia e video- performance descrevem bem essa nova geração de artistas que está atualizada com a tecnologia ao mesmo tempo em que expressam o sentimento de ser mulher e artista contemporânea sob o chador. A abordagem da guerra se revela de maneira poética nas fotografias de Gohar Dashti, que representam um casal vivendo normalmente o seu cotidiano em meio a um cenário de batalha.
E por falar em fotografia, um ilustre homenageado, o fotógrafo Bahman Jalali (1945-2010), ganhou uma sessão inteira dedicada a seus 40 anos de trabalho registrando a história do Irã, com destaque às cenas do desenvolvimento urbano da cidade de Teerã  na série Espaços Urbanos e suas fotomontagens híbridas com pinturas e caligrafias. A Série Imagem da Imaginação lembra a nostalgia das cartas onde as pessoas imaginavam as cenas a partir do que liam.

Bahman Jalali, da série Imagem da Imaginação
Bahman Jalai, da Série Espaços Urbanos
No miolo da exposição, alguns sons exóticos invadem nossos ouvidos. Uma percussão arabesca contagiante acompanha a projeção de imagens da obra Zurkhaneh de Zadoc Nava, que mostra as tradicionais academia de artes marciais dos persas (veja o vídeo abaixo). E em uma sala escura, assistimos em uma dupla projeção as divertidas cantigas eróticas de casais de velhinhos do Laos lembrando seus amores da juventude, na obra Jogos do Desejo, 2009 de Shirin Neshat. Essa obra mantém o caráter de dualidade masculino/feminino, ao mesmo tempo que se distancia da visão crítica contra a opressão feminina onipresentes em trabalhos anteriores da artista.
As celebrações religiosas dos xiitas como a Ashura que simboliza o martírio de Hussein, também ganham imagens diferentes daqueles rituais sangrentos que estamos acostumados a ver na TV através das fotografias de Sadegh Tirafkan.
Poesia é uma palavra que descreve a essência da alma iraniana. As citações poéticas estão até mesmo na fala cotidiana dos iranianos. Uma tradição que perpetua os antepassados e atravessa gerações: nas paredes da exposição temos desde um clássico Hafez até a poesia contemporânea de Forough Farrokhazad. A poesia épica do Shahnameh e a arte da miniatura persa ganham versões pitorescas com as colagens de Siamak Filizadeh
Jalal Sepehr da série Water and Persian Rugs (2004) 
O tapete persa,  é desapropriado de sua utilidade funcional e decorativa e é transportado para locais inusitados nas fotografias de Jalal Sepehr. 
 Uma grata surpresa é encontrar o filme Shirin de Abbas Kiarostami, onde os belos semblantes de várias gerações de atrizes se entrecruzam em uma sala de cinema, que tem sido a forma de arte mais reconhecida dos iranianos nos últimos tempos. E desta mesma escola vem também o seu filho Bahman Kiarostami com o excelente documentário Estátuas de Teerã (2008).
O espírito de celebrações, manifesta a alegria dos jovens iranianos que por mais fortes que sejam as repressões, sempre conseguem dar um jeitinho de se divertir em festas escondidas nos porões da sociedade como nos retratos semi-ocultos de Amirali Ghasemi
Junto à sala de leitura que fica no 1º andar, estão a projeção de Morteza Ahmadvand, e dez monitores onde é possível assistir a clipes musicais, animações e video-performances  que demonstram esse pulsar da nova geração de artistas contemporâneos do Irã.
Amirali Ghasemi da série Tehran Remixes
Shirin Aliabadi da série Hybrid Girls
E finalmente não poderíamos esquecer da série de fotografias de Shirin Aliabadi, que são um retrato do hibridismo contemporâneo traduzido no fenômeno das cirurgias estéticas e estilos de roupas e comportamentos adotados pelas jovens iranianas que querem a qualquer custo se encaixar nos ditames da moda ocidental.
Os únicos inconvenientes da exposição são para quem não sabe ler em inglês, as legendas dos vídeos não foram traduzidas! Mas para quem se interessa de fato pela cultura do Irã ou para quem quer mergulhar em uma visão criativa diferenciada da abordagem política, vale a pena mesmo vistar a exposição Pulso Iraniano.


Barobax feat.Gamno - Bodo Dire

Quem se lembra daquela historinha da Susan Khanun? Olha só como esses "moleques" de Teerã nunca desistem dela! Eles estão aí de novo com mais confusões em um lugar imaginário chamado Barobax Town




Letra | Tradução

Bodo dire | Depressa, é tarde

Un cheshm-aat divoonam karde | Estes seus olhos me deixaram louco
Un khande-haat asabim karde | Essa sua risada me deixa embaraçado
Feshar-e khoonamo baalaa mibari |Você fez a minha pressão sanguínea disparar
Vaghti joft paa ru-ye ghalbam mipari | Quando salta em meu coração com os seus pés

Biaa dast-aat, ro-ye dast-aam bazaar| Vem cá e ponha as suas mãos nas minhas
Baabaa inghade dige man o dast nandaaz | Não me faça de bobo mais uma vez
Zendegi-m oftaade tu-ye dast-andaaz | Minha vida está presa em  uma confusão
Har cheghadr pul bekhaay, hast dastam baaz | Quanto dinheiro você quiser, eu vou te dar
Hame dokhtar-aa posht-e darand | Todas as garotas estão atrás da porta
Montazerand, jigh mizanand | Elas estão gritando desesperadas

Aakh aakh age dir bejonbi miyaan man o mibaran| Oh, se você hesitar elas virão e me levarão
Bodo bodo bodo bodo bodo | Depressa, depressa, depressa
Bodo bodo dire | Depressa, é tarde
Del-am dare jaa-ye dige mire | Meu coração e está indo pra outro caminho
Age zendunish koni aarum migire | Se você aprisioná-lo, ele irá descansar
Dige dir-e del-am jaa-ye dige mire | Está demorando, meu coração está indo pra outro caminho
Age zendunish koni aarum migire  | Se você aprisioná-lo, ele irá descansar

Aarum aarum aarum aarum aarum aarum | Devagar, devagar, devagar
Shomaa ghiaafa-toon aashnaast susam khanoom | Seu rosto é familiar Srta. Susan
Goosh kon tozih-e raghsi az did-e shakhsi | Ouça minhas próprias informações sobre dança
Harakat-e mozoon bedun-e naghs | Movimentos harmônicos sem nenhum erro
Ke durbin savaar-e, haalaa ye lahze maks | A câmera está filmando, agora pare um momento
Har harekati ba'desh bel-aks | Cada movimento e depois  vice e versa
Chik o chik aks baa Gaameno barobax | Tire uma foto com Gamno e Barobax
Be ham miresim, baashin relax | Nós nos vemos de novo, fique "relax"
Hame ye paa-tun baalaa mesl-e lak lak o | Todos com uma perna para cima igual uma cegonha e
Ritm avaz shod tu choobak o begu... | O ritmo está mudando...

Bodo biaa pish-e man chon ke bande | Depressa e venha para mim porque euI
Miraghsunam tu royaa har jonbande | Faço toda criatura dançar nos meus sonhos
Ke dar in donyaa baashe mikhande | Que todos nesse mundo que riem
Mikhande khaali mibande| Riem e mentem
Mige in baabaa baa ritm-e kubande | Dizem que este mocinho de ritmo tosco
Baa sehr o jaadu mikonadet raghsande | Com uma palavra mágica te transforma em uma dançarina

Akhlaagh-et che bad akhlaagh-e|  Seu temperamento, tão mau-humorado
Roo a'saab-ame mesl-e shallaagh-e | Está chicoteando meus nervos
Aakhe man chi kaar konam? Daaram behet alaghe| O que posso fazer? Estou apaixonado por você
Har jaa-ye donyaa baashi miyaam soraaghet | Aonde você estiver neste mundo. Eu irei atrás de você. 


Aulinha de Persa 14 - Natureza

Salam! Que tal conhecer a Natureza (طبیعت /tabî 'at/) do Irã, e aprender algumas palavras em persa:

Você sabia?
  • Um dos países mais montanhosos do mundo, o Irã contém duas cordilheiras principais, Alborz, onde fica a maior montanha do Irã, o pico Damavand e Zagros que atravessa o país por mais de 1.600 km do noroeste ao sul. 
  • Mais de um décimo do Irã é coberto por florestas.As florestas subtropicais do Irã se encontram em sua maior parte no Norte do país, junto a costa do Mar Cáspio e nas encostas das montanhas.
  • O Mar Cáspio que limita ao norte do país, é o maior lago do mundo. Ao sul o país é banhado pelo Golfo Pérsico e também está ligado com o Mar de Omã e o Oceano Índico pelo estreito de Ormuz.O Irã tem muitas praias, com climas diferentes. As Margens do Mar Cáspio têm clima ameno e relativamente frio enquanto as do sul como Bandar Abbas e Hormozagan tem sol o ano todo.
  • Os desertos conhecidos do Irã estão em duas regiões principais: Dasht-e-Kavir, e Kavir-e Lut. Ambos são talvez algumas das áreas mais áridas e mais quentes no mundo.

ساحل /sâhel/ - Praia
جزیره /djazîreh/ - Ilha
 صحرا /sahrâ/ - Deserto
 کوه /kûh/ Montanha
جنگل /djangal/ - Floresta
درخت /derakht/ - Árvore
گلها /gol-hā/ - Flores
 سنگ /sang/ - Pedra
رودخانه /rûdkhâneh/ - Rio
دریاچه /dariâtcheh/ - Lago
 دریا /dariâ/ - Mar
 آسمان semân/ - Céu
ستاره ها /setâreh-hâ/ - Estrelas
ماه /māh/ - Lua
 زمین /zamîn/ Terra (também significa solo)
Espero que tenham gostado e na próxima aulinha vamos falar das 4 estações! Khoda Hafez!


Cadbanou Nasrin, a pioneira da culinária persa no Brasil

Conheça a trajetória da Cadbanou (chef de cuisine persa) Nasrin Haddad Battaglia que veio de Teerã, capital do Irã até o Brasil, onde se estabeleceu primeiro na cidade de Parati no RJ, e abriu o primeiro restaurante persa da América do Sul que posteriormente foi transferido para a capital mineira Belo Horizonte. Atualmente, a Cadbanou e sua família se encontram na Cidade de São Paulo, onde oferecem jantares típicos em sua residência no Bairro de Moema.


 Literalmente, fiquei amiga do paladar persa ! Há algumas semanas atrás, tive a oportunidade de degustar o sabor suave e inigualável de um prato chamado Tahchin Bo Morgh e uma sobremesa de pistache chamada Ranghinak na residência do casal Claudio e Nasrin  Battaglia  na companhia de amigos do Brasil e Irã! 

Mais informações sobre a culinária persa e reservas para jantares através do site Amigo do Rei.


Exposição "Pulso Iraniano" abre amanhã em SP

A partir desta 5ª feira o SESC Vila Mariana de SP abre a exposição Pulso Iraniano, que reúne fotografias e vídeos inéditos de importantes artistas contemporâneos do Irã selecionados pelo curador Marc Pottier. A mostra que já esteve em cartaz no Espaço Oi Futuro do Rio de Janeiro e Belo Horizonte tem chamado atenção por trazer uma abordagem diferenciada dos contextos político e cultural deste país.
Para a seleção, Marc viajou ao Irã onde realizou encontros com os artistas, além de ir também à Londres e Nova Iorque, locais com uma comunidade iraniana representativa, e contou com o apoio de curadores e artistas regionais convidados. O objetivo foi reunir obras que mostrem a perpetuação de uma tradição milenar de criação artística.
Os temas da exposição estão divididos em: A Guerra, As Tradições, A Mulher, A Poesia e O Espírito de Celebração. São apresentados trabalhos dos artistas Morteza Ahmadvand, Shirin Aliabadi, Gohar Dashti, Arash Hanaei, Siamak Filizadeh, Shadi Ghadirian, Amirali Ghasemi, Ghazel, Peyman Hooshmandzadeh, Bahman Jalali, Rana Javadi, Abbas Kiarostami e de seu filho Bahman Kiarostami, Nava Zadoc, Shirin Neshat, Jalal Sepehr, Mitra Tabrizian, Jinoos Taghizadeh, NewshaTavakolian e Sadegh Tirafkan. Na mostra há, ainda, obras de artistas emergentes, sendo 28 videoartistas e 30 fotógrafos. 
Após a temporada de São Paulo, que vai até dezembro, a exposição "Pulso Iraniano" segue para Salvador e depois para os Estados Unidos.

>> Assista o vídeo e conheça um pouco da exposição quando esteve em BH: 



Uma mulher em busca da serenidade: a história de Fatima

Climbing Rock, 2011,  fotografia de Soodi Sharifi
No mundo de hoje, cada vez mais pessoas estão buscando serenidade e paz espiritual através das práticas   da yoga e meditação transcendental  que se baseiam em princípios da religião hindu e zen budista. No entanto, em alguns países como o Irã, a prática é considerada  subversiva, porque na visão dos clérigos vai contra os ideais islâmicos  e consequentemente escolas de meditação são fechadas e seus organizadores são presos. Apesar das restrições, algumas pessoas tem aderido a prática clandestinamente em busca de uma forma alternativa de superarem suas mazelas psíquicas. Achei oportuno compartilhar aqui a história de Fatima, uma mulher cujo exemplo de vida nos mostra uma faceta da realidade do povo iraniano que em meio às dificuldades do cotidiano não desiste de lutar por um futuro melhor para si mesma e sua família. 

De pernas cruzadas, olhos fechados, e energia fluindo livremente 16 participantes participam de uma aula de meditação realizada em Teerã no humilde bairro de Hassan Imamzadeh. O programa, que se estende por oito estágios de nove aulas cada, promete iluminação tanto física quanto mental. As aulas são realizadas clandestinamente nas casas dos participantes que se revezam para fugir da atenção das autoridades. 
Fatima é uma das participantes da aula de meditação. Ela leva uma vida difícil, e a meditação proporciona equilíbrio. Ela nasceu há 53 anos perto de Ardabil. Sua voz doce mistura os sotaques turco e Tehrani. Ela se casou aos 13 anos de idade.

"Meu primeiro marido era 15 anos mais velho que eu. Eu não tinha como decidir nada porque meus pais predeterminaram tudo conforme mandava a tradição. Morávamos na casa dos pais dele com suas duas irmãs e um irmão. Em vez de sua noiva, eu era a cozinheira da família  e obedecia a todos.
"Os três primeiros três anos foram de luta. Descobri que ele contrabandeava drogas, e embora eu tivesse medo de falar,  por motivos religiosos não me calei. Por isso, ele me batia e me tratava como uma criança, e esperava que eu continuasse a  obedecer e a e aceitar essa fonte de renda imoral para a família. Ele ainda desenvolveu um vício no mesmo ano que eu estava grávida da nossa primeira filha. "
Após o nascimento de sua filha, o conflito entre o Fatima, seu marido e sua família se intensificou. Então ela resolveu deixar ele e a filha. "Voltei para a casa dos meus pais envergonhada", diz ela. A família de Fatima cultivava um pedaço de terra em um vilarejo pobre perto Ardabil. Ela descreve suas condições de vida terríveis, com uma dieta restrita a pão, queijo e batatas.
Depois de trabalhar algumas semanas, seu pai arranjou um segundo casamento com um homem de 55 anos de idade, que durou três meses. "Eu acho que ele se sentia mal comigo, porque ele era mais velho do que o meu pai, e seus filhos eram mais velhos do que eu. Então peguei  as duas pulseiras de ouro e um anel que me foram dadas, vendi, e me mudei para Teerã ".
Na capital, ela ficou com seu irmão antes de se mudar para a casa de um outro irmão em Isfahan. Quando as coisas lá já não davam mais certo, ela retornou a Teerã para morar com um tio. Sua prima se matriculou em uma escola de cabeleireiro, e Fátima vendeu uma das pulseiras de ouro para se juntar a ela. "Eu trabalhei em um salão de cabeleireiro por seis meses. Queria ganhar dinheiro para visitar a minha filha", diz ela.
"A Guerra Irã-Iraque mudou todos os meus planos. Teerã foi bombardeada, e todos nós voltamos para nossas aldeias. Meu primo voltou ferido da guerra. Ele  precisava de alguém para cuidar dele como uma enfermeira, e minha família insistiu para que eu me casasse com ele. "
Os recém-casados ​​se mudaram para um apartamento em Teerã, onde Fátima cuidava de seu marido. "Eu saí do salão de cabeleireiro, e não vivíamos nada bem", diz ela. Aos poucos a saúde dele melhorou e Fatima, depois de dar à luz  a um filho com a idade de 29, voltou ao trabalho. Aos 32 anos, ela teve, sua segunda filha.
O marido de Fátima, eventualmente, voltou a trabalhar, mas a sua vida não havia melhorado tanto. Ela trabalhava para seu próprio sustento. "Eu procurei a proteção de Deus. Queria que Deus soubesse das minhas lutas, e nunca me deixasse", diz ela. Seu marido se tornou um viciado em drogas e gastava todo o dinheiro com seu vício. Enquanto ela passou a depender de antidepressivos. Ela trabalhou em um segundo emprego num restaurante, ganhando 9.000 tomans por mês, até que segundo ela, os proprietários forjaram razões para demiti-la.
Estes acontecimentos pesavam sobre seus filhos. Sua filha se tornou extremamente religiosa, vestindo um chador preto e freqüentando as aulas de Alcorão; aos 16 anos, sem sucesso ela tentou o suicídio três vezes. Seu filho abandonou a faculdade. Todos culpavam o pai. "Por um lado, eu o odiava, mas por outro lado, eu sentia pena dele", diz Fátima.
Ela finalmente convenceu o marido a entrar em um programa de desintoxicação. Depois de ficar sóbrio, ele começou a freqüentar aulas de meditação e gostou tanto que começou a levar seus filhos juntos com ele. "As aulas de meditação nos ajudaram a encontrar a nós mesmos. Parei de tomar antidepressivos, a tranquilidade entrou em nossas vidas e nós sentimos  que as coisas estavam cada vez melhor", diz Fátima.
Ela diz que a depressão da filha foi superada, o filho voltou para a faculdade, e seu marido se tornou uma figura positiva. "Eles acordaram  do sono de um inverno frio", como Fátima descreve. No entanto, após sete meses de sobriedade, seu marido teve uma recaída.

Fátima abre os olhos, abaixa os braços, se ajoelha, e fixa o olhar para o instrutor. Ela sorri para dois de seus colegas de classe: sua filha de 21 anos  e  seu filho de 24. Antes do final da aula, o instrutor faz perguntas. Fátima pergunta: "Como podemos distinguir uma injustiça?"

Baseado em história publicada no  Tehran Bureau


Uma Coluna de Persépolis no meio da cidade do Rio

Réplica da Coluna de Persépolis no Rio de Janeiro. Fotos por J.H.
Só hoje que fiquei sabendo da existência da Coluna de Persépolis, doada pelo governo do Irã à Cidade do Rio de Janeiro. Ela está instalada na praça Pedro II, no Bairro de São Cristóvão, próxima a outros  pontos turísticos como a Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional  e a Feira do Nordeste.
O presente  que  é uma réplica de um monumento da histórica cidade de Persépolis, no Irã foi entregue durante a Conferência Rio + 20, mas a inauguração foi atrasada, para evitar o encontro das autoridades brasileiras com o presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Com muita tristeza, vi uma reportagem do site de notícias Terra, antes da inauguração do monumento que   mostra em tom de escárnio e desrespeito o depoimento de um cidadão carioca que resume bem a visão do povo do brasileiro para com aquela cultura: "É a mesma coisa que mandar uma réplica do Cristo Redentor para lá, será que eles iam gostar?"
Para quem não sabe, o presente do líder iraniano que é muçulmano xiita, representa um ícone dos seus ancestrais zoroastrianos, anteriores ao Islã. Até hoje algumas celebrações e rituais desses ancestrais ainda são respeitados e fazem parte do cotidiano do Irã onde a maioria da população também segue o islamismo e respeita as tradições do passado. Portanto, qual seria o problema de enviar uma réplica do Cristo redentor para lá, se os muçulmanos também consideram Jesus um profeta?
Ironicamente a instalação urbana que representa um touro de duas cabeças,  ganhou o apelido de "praça dos cornos" pelos comerciantes locais, uma brincadeira com o formato dos chifres da escultura.  Esperamos que o monumento recém-inaugurado não seja vítima do vandalismo, pichações e depredação já que foi aceito com tanta má vontade pelas autoridades que resolveram inaugurá-lo sem nenhuma cerimônia.
Aqui seguem algumas  fotos gentilmente enviadas por meu amigo e correspondente no Rio de Janeiro J.H.

A coluna mede 9m de altura e fica no bairro de São Cristóvão
Detalhe: a figura  no topo da coluna representa um touro de duas cabeças
A curiosa silhueta da figura com chifres  
Detalhe: A constelação de leão devorando a de touro,
representa o início da primavera e verão. 
Inscrição bilingue inglês/ português com as palavras do rei persa Dário
Detalhe: Vale a pena  ler e refletir  sobre estas palavras
(Se não conseguir abra a imagem em outra guia e dê um zoom)
Queridos amigos, minha opinião é a seguinte: não importa se gostamos ou não do presidente do Irã, o monumento não está ali para nos recordar deste controverso líder político, mas sim para lembrarmos o quanto nosso país abraça todas as culturas e deve respeitar as civilizações do passado que tanto contribuíram com a história da humanidade. Você já parou pra se perguntar quantas invenções e descobertas importantes que usamos todos os dias foram legados dos persas? Mas esse será o assunto para uma próxima postagem.


Um belíssimo poema visual de Hafez

O poeta persa Hafez de Shiraz utilizava a linguagem do amor humano e metáforas do vinho e da embriaguez para descrever seu desejo pelo Divino e a intoxicação pelos mistérios do Universo. As caligrafias e personagens desta incrível animação em 3D são todos baseados no livro "Ten Poems of Hafez" da artista e calígrafa anglo-iraniana Jilla Peacock.


UK / 2007 / 5mins / dir. David Alexander Anderson. Caligrafia, tradução e narração: Jila Peacock


A curiosa dialética dos relacionamentos Brasil x Irã


Salam queridas amigas do Chá-de-Lima da Pérsia! Este post é direcionado a vocês, meninas! Mas os rapazes também estão convidados a ler e opinar se quiserem. Hoje vou falar de um fenômeno que tenho observado: relacionamentos de brasileiras com iranianos. Exatamente, meninas brasileiras! Se tiver algum rapaz aí interessado em uma iraniana, vou ter que escrever outro post, mas, só se isso também virar um fenômeno. Então, vamos direto ao assunto...
É natural que a muitos dos blogs interessantíssimos que existem e que falam sobre outra cultura tenham sido criados por causa de algum relacionamento amoroso de alguma moça com alguém de outro país. E é normal que você também pense que este blog tenha sido criado sob as mesmas inspirações. Um saudável equívoco, que vem sempre acompanhado daquela perguntinha: por acaso você tem algum pretendente iraniano? Mas como sempre a resposta é, NÃO compartilho a minha vida pessoal aqui neste espaço virtual, pois sou como um bicho-do-mato e tenho uma verdadeira aversão a exposição, só compartilho esses tititis com amigos e amigas mais íntimos, baleh?  
Mas a verdadeira razão de eu estar escrevendo este post é algumas mensagens que tenho recebido sobre meninas apaixonadas ou namorando com iranianos, deixando claro que quero agradecer a todas que me escreveram, seja  lá qual for a motivação. E também afirmo que este tipo de mensagem é muito bem-vinda, embora eu não seja nenhuma especialista em relacionamentos eis os tópicos que quero considerar:
-Namorar com um rapaz iraniano (ou de outro país do Oriente Médio e adjacências) é levar em conta que ele pertence a outra cultura e muito provavelmente a outra religião. Daí vale o discernimento: Nem todo iraniano é muçulmano, nem todo muçulmano é praticante, nem todo não praticante é uma pessoa sem princípios! Sim, existem iranianos ateus e agnósticos também, que não estão nem aí para o olhar penetrante dos aiatolás!
-Uma boa parte dos relacionamentos virtuais de iranianos com moças de outras culturas incluindo a dokhtare brazili acontecem por curiosidade ou diversão. Calma! Não estou dizendo que não há exceções, mas será que realmente há um compromisso sério se um rapaz não demonstra interesse também em saber como é a nossa cultura e religiões?
-Iranianos, mesmo os mais moderninhos tem sempre apego por suas tradições, a família vem sempre em primeiro lugar. Então se você quiser saber qual é a dele, desafie-o a te apresentar para a família dele: estou falando de mãe, pai e irmãos. E que tal testar também como ele reage quando for apresentando aos seus familiares.
-Embora sejam um povo muito apegado as tradições, ao contrário do que se pensa, os iranianos respeitam a cultura dos estrangeiros e embora os casamentos internacionais sejam raros eles existem sim, mas não vou falar de casamentos ainda, essa parte fica pra outro post, o foco neste momento é nos namoros virtuais ou presenciais...
-Outra coisa que todo mundo tá careca de saber: mesmo na nossa cultura, em poucos meses não dá pra dizer que realmente conhecemos uma pessoa o suficiente, quem dirá conversando algumas horas por dia virtualmente ou presencialmente? Como saber se vale a pena ir atrás de uma pessoa de uma cultura tão distante? Faça essa pergunta para si mesma: será que eu sou capaz de defender minhas convicções e ao mesmo tempo não desrespeitar as crenças e tradições de quem eu amo? Esse já não é um exercício fácil para quem convive em uma sociedade tão diversificada como a nossa, imagina para quem vive em um país predominantemente islâmico xiita!
-Muitas mulheres com dúvidas de como enfrentar esse dilema acabam se convertendo a religião de seu pretendente, no entanto, será que isso é feito com sinceridade de coração ou apenas na tentativa de agradar um homem? Isso mesmo, tentativa! Porque queiramos ou não, nossa cultura, religião e ancestralidades moldam nosso estilo de vida, e quando tentamos mudar algo abruptamente, estamos traindo a nossa própria natureza. Pergunte a si mesma: estou fazendo isso com medo de perder alguém ou por que esse é o caminho que quero seguir?
Longe de querer mudar o mundo com palavreado simplório, apenas quero expressar minha opinião sincera. E que fique claro que essa é apenas a minha opinião, por favor não pensem que estou defendendo ou criticando alguma doutrina religiosa. E desejo que todas que buscam ou foram encontradas por um verdadeiro amor iraniano, indiano, paquistanês, libanês ou japonês jamais tenham medo de mergulhar na cultura do seu azize del, pesquise muito mesmo e questione sem receios. Mesmo que o amor pela pessoa não passe de uma ilusão, o conhecimento sobre essa cultura só te fará crescer. 

Um abraço carinhoso com um  sorvete de água-de-rosas de Isfahan! 


Shakila -Ersiehaye Atefi

Shakila é uma  vocalista e mestre da música clássica  persa, conhecida como "Voz de Anjo", ela nasceu em Teerã (1962) e canta desde a infância tendo realizado seu sonho de se tornar uma cantora profissional em 1990, lançando seu primeiro álbum Kami Ba Man Modara Kon. Em 2005, foi premiada pela Academy Awards Internacional persa por suas performances clássicas e modernas. Atualmente ela reside em San Diego, Califórnia.  Esta  música faz parte de um de seus álbuns mais populares Ersiehaye Atefi do ano de 1998.


Veja também o Site Oficial de Shakila.


Todo gato persa veio da Pérsia?


Você sabia? Que a história da raça dos gatos persas (gorbeh-e irani) tem início no século XVII, quando um viajante italiano chamado Pietro Della Valle viajou pela Pérsia (atual Irã) e trouxe consigo alguns dos belos gatos que andavam pelas ruas da cidade de Khorasan. Ao retornar para a Itália, imediatamente esses gatos ganharam a simpatia das pessoas por causa de seu pelo macio e brilhante.
Porém, a moderna raça dos persas surgiu somente no século XIX, quando esses gatos criados na Itália foram levados para a Inglaterra, onde foram cruzados com gatos da raça angorá. Há hoje mais de 100 diferentes combinações de cores dos gatos dessa raça, variando desde o branco neve até o malhado (casco de tartaruga).
Esses gatos são caracterizados pela pelagem comprida e sedosa, com uma cabeça grande e redonda, orelhas pequenas e arredondadas com tufos de pelo no interior, olhos grandes e redondos de coloração vívida e patas curtas, porém musculosas. O padrão comum da raça apresenta focinhos achatados, porém alguns animais possuem focinhos um pouco mais alongados.





Cuidar desse bichinho pode ser um pouco trabalhoso,  por causa dos nós que se formam devido ao comprimento dos pelos. Porém, os  gatos persas são muito procurados por pessoas que vivem em espaços pequenos, como apartamentos, pois seus miados são baixos, além do fato desses animais serem meigos, carinhosos e fortemente apegados ao seu dono.
Alguns gatos persa conhecidos dos desenhos animados e filmes são o Garfield, o Snowbell de O Pequeno Stuart Little e também o Pokémon Persian.

Baseado em Wikipedia


Os 9 Patrimônios Imateriais do Irã (UNESCO)

O termo "Patrimônio Imaterial" de acordo com a UNESCO designa as expressões vivas herdadas pelos povos ancestrais e passadas ​​para as gerações seguintes, como  tradições orais, artes performáticas, práticas sociais, rituais, eventos festivos, conhecimentos e práticas relativas à natureza  ou técnicas  artesanais. A seguir, conheça os Patrimônios Imateriais da República Islâmica do Irã, que foram elegidos desde  o ano de 2009.

1- A Radif da Música Iraniana Tradicional

Hossein Alizadeh, músico iraniano representante da Radif
A Radif ("ordem" em persa) é o repertório tradicional da música clássica do Irã que constitui a essência da cultura musical persa. Embora grande parte da música tradicional iraniana seja apresentada através da improvisação, os músicos passam anos aprendendo a dominar a Radif como ferramenta para as suas performances e composições. A Radif pode ser vocal ou instrumental e sua tradição é passada de mestre para discípulo através da instrução oral, há várias gerações.  

2- O Nowruz (Ano Novo Persa) 

Famílias fazem compras na véspera do Nowruz em Teerã
Nowruz marca o Ano Novo e o início da primavera em vários países como Azerbaijão, Irã, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e Curdistão. A data que é comemorada geralmente em 21 de março de cada ano, é determinada por cálculos astronômicos. O Nowruz está associado a várias tradições locais, oriundas da religião zoroastriana. Os ritos que acompanham a festa incluem canções, danças, decoração da mesa simbólica (haft-sin), banquetes e distribuição de presentes entre famílias, amigos e vizinhos.

3- A Arte da Tapeçaria em Kashan

Tecelagem artesanal de tapete em Kashan
Com uma longa tradição em tapetes, Kashan tem quase um em cada três habitantes trabalhando em tapeçaria, sendo mais de dois terços mulheres. O processo de tecelagem começa com um desenho que inclui temas da natureza ou cenas históricas. Tecidos em um tear conhecido como dar, o estilo de tecelagem Farsi é aplicado com delicadeza exemplar em Kashan e suas cores vêm de uma variedade de corantes naturais. As habilidades tradicionais de tecelagem de tapetes Kashan são passadas para as filhas através da instrução de suas mães e avós e também aos homens são ensinadas habilidades de desenho, tingimento, corte, construção de teares e ferramentas.

4- A Arte da Tapeçaria em Fars 

Mulher nômade produzindo tapete artesanal em Fars
Os tapetes iranianos têm uma fama mundial e os tecelões de Fars, no sudoeste do Irã, estão entre os mais proeminentes. As cores utilizadas são principalmente vermelhos, azuis, marrons e brancos produzidos a partir de corantes naturais. Os homens coletam a lã e fazem os teares, enquanto as mulheres são responsáveis ​​pela escolha das cores e desenhos que trazem cenas da vida nômade. Cada desenho é unico, nunca existindo dois tapetes iguais. Essas habilidades são transmitidas oralmente, assim as mães treinam as filhas para usar os materiais, ferramentas e habilidades, enquanto os pais treinam os filhos para coletar a lã e fazer teares.

5- O Ritual das Artes Dramáticas Ta‘zīye

Uma performance Ta'zīye pública
Ta'zīye é uma arte ritual dramática que narra eventos religiosos, históricos, míticas e contos populares. Cada performance tem quatro elementos: a poesia, a música, a canção e o movimento. Cada drama Ta'zīye é individual, tendo o seu próprio assunto, figurino e música. As performances são ricas em simbolismo, convenções, códigos e signos que os espectadores iranianos conhecem bem, e acontecem em um palco sem iluminação ou decoração. Os artistas são sempre do sexo masculino, com papéis femininos sendo desempenhados por homens, e a maioria são amadores. Suas performances ajudam a promover e reforçar os valores religiosos e espirituais, altruísmo e amizade, preservando antigas tradições, a cultura nacional e a mitologia iraniana.

6- Os Rituais Pahlevani e Zurkhanei 


Demonstração de artes marciais Pahlevani em uma Zurkhaneh
A Pahlevani é uma arte marcial iraniana que combina elementos do Islã e antigas crenças persas. Ela consiste em rituais de movimentos de ginástica realizados somente por homens, que empunham instrumentos simbolizando armas antigas. O ritual acontece em uma Zurkhaneh, uma estrutura com uma arena octogonal e platéia. O Morshed (mestre) que lidera o ritual Pahlevani recita poemas épicos e enquanto marca o tempo com um zarb (tambor em foma de taça). Os poemas recitados transmitem ensinamentos éticos e morais e os participantes podem ser de qualquer classe social ou religião, e cada grupo tem fortes laços com a sua comunidade local. Atualmente, há 500 Zurkhanehs em todo o Irã.

7- A Música dos Bakhshis de Khorasan


Um músico Bakhshi tocando o alaúde dotar
Na Província de Khorasan, os Bakhshis são famosos por sua habilidade musical com o dotar, um alaúde de duas cordas. Eles recitam poemas islâmicos e épicos mitológicos, contendo temas históricos ou lendários. Sua música, conhecida como Maghami, consiste de peças instrumentais e/ou vocais, cantadas em turco, curdo e persa. A música Bakhshi tradicional é transmitida do mestre apenas para membros da família ou vizinhos do sexo masculino. Enquanto os métodos modernos um mestre treina uma ampla gama de estudantes de ambos os sexos, de diversas origens. A música transmite a história, a cultura, os fundamentos éticos e religiosos.

8- Barcos de Madeira Lenj no Golfo Pérsico

Construção de barco de madeira Lenj na costa do Golfo Pérsico
Os barcos iranianos Lenj são construído artesanalmente e utilizados pelos habitantes da costa norte do Golfo Pérsico para viagens marítimas e pesca comercial. O conhecimento tradicional dos construtores de Lenjs inclui literatura oral, artes cênicas e festivais, além das técnicas de navegação e previsão do tempo que estão intimamente associados com as habilidades de construção dos barcos de madeira em si. Esses conhecimentos eram tradicionalmente passados de pai para filho. Infelizmente, hoje em dia, os Lenjs de madeira estão sendo substituídos por barcos de fibra de vidro mais baratos e a filosofia, cultura e conhecimento tradicional da navegação no Golfo Pérsico estão gradualmente desaparecendo.

9- A Arte Iraniana de Contar Histórias Naqqāli 

Um artista Naqqāl dramatizando uma história da literatura persa
Naqqāli é a mais antiga forma de atuação dramática do Irã e tem desempenhado um papel importante na sociedade. O artista Naqqāl reconta histórias em verso ou prosa acompanhados por gestos e movimentos, e música instrumental e às vezes pergaminhos pintados. Os Naqqāls funcionar tanto como artistas como portadores da literatura e cultura persa e precisam estar familiarizados com as expressões culturais locais, dialetos e música tradicional. Até recentemente, os Naqqāls foram considerados os guardiões mais importantes dos contos e da música folclórica iraniana. A popularidade decrescente entre as gerações mais jovens têm causado uma queda acentuada no número de Naqqāls qualificados, ameaçando a sobrevivência desta arte dramática.


Bomrani - Badam miad & Khosham miad

O achado de hoje é uma banda underground de country e blues iraniana. O conjunto é um sexteto fundado pelo jovem músico de Teerã Behdad Omrani, cujo apelido é Bomrani. Neste vídeo ele brinca com o cotidiano de  um universitário iraniano desastrado.


"O Apedrejamento de Soraya M.", uma história real para refletir

Capa do best-seller de Freidoune Sahebjam
Salam! Hoje vou falar de um filme que poderia ser descrito como um "soco no estômago", na falta de expressões melhores para traduzir, uma experiência de golpe em todas as partes do corpo que é "O Apedrejamento de Soraya M.". Deixando claro que apesar da história ser ambientada no Irã, este NÃO é um filme iraniano, como os demais filmes que tenho costume de abordar aqui no blog. Mas um comentário desta produção do diretor irano-americano Cyrus Nowsrateh do ano de 2009, que deixou muita gente mundo afora chocada  não poderia ficar de fora. 
Antes do início do filme somos convidados a ler uma citação do poeta Hafez que explica do que este filme se trata na verdade: da hipocrisia, disfarçada ou justificada pelas ações daqueles que se passam por homens religiosos.
Estamos no ano de 1986, no poeirento e desolado vilarejo de Kuhbpayeh, no coração do Irã onde o jornalista franco-iraniano Freidoune Sahebjam (Jim Caviezel) que na vida real é o autor do livro que deu origem ao filme, pára acidentalmente no vilarejo em busca de alguém que conserte seu carro. Então, inesperadamente ele encontra Zahra (Shohreh Aghdashloo), uma mulher que é taxada de louca pelos homens do vilarejo, por insistir que aquele lugar e seus habitantes escondem um segredo nefasto. Por meio de um bilhete, Zahra combina um encontro secreto com o jornalista em sua casa onde começa a narrar os acontecimentos  pedindo que Freidoune registre tudo em seu gravador  para mostrar ao resto do mundo...

Jim Caviezel no papel do jornalista
 franco-iraniano  Freidoune Sahebjam
A dedicada e fiel Soraya (Mozhan Marno), sobrinha de Zahra era casada com Ali (Navid Negahban), um homem  violento e machista, que através de um pacto com  um mulá (Ali Pourtash) de passado duvidoso  tenta convencer a esposa a  conceder-lhe o divórcio para que ele possa se ​​casar com  Malaka, uma garota de 14 anos de idade! O motivo: o pai da menina condenado a morte por um crime, havia prometido a Ali que a daria sua filha em casamento se este conseguisse livrá-lo da sentença. 
Como Soraya recusa em dar-lhe o divórcio, o mulá propõe a ela um casamento temporário (um tipo de união considerado por muitos como uma afronta), prometendo ajuda financeira para ela e suas duas filhas. Na verdade  Soraya tem quatro filhos, dois meninos que são instigados pelo pai a se voltar contra ela, e duas meninas que são praticamente negligenciadas. Durante o filme, Ali dá mostras do seu caráter torpe e machista o tempo todo espancando Soraya, pelos motivos mais ínfimos, como uma louça quebrada e comparando-a  com a pretendente mais jovem. E ainda por cima exibe-se com seu carro esportivo acompanhado de outras mulheres, enquanto recusa a dar o dinheiro para a esposa comprar comida para os filhos.
Um de seus vizinhos, o mecânico Hashem (Parviz Sayyad), acaba de perder sua esposa, então o mulá, o juiz do vilarejo e Ali tentam  convencer Soraya a trabalhar na casa do viúvo, ajudando a cuidar de seu filho que perdeu a mãe. No entanto, por trás do novo trabalho da esposa, Ali vê a oportunidade ideal para acusá-la de ser adúltera e assim conseguir se livrar dela da maneira mais cruel possível: a morte por apedrejamento. E o seu mau caráter vai além,  afirmando que se Soraya morrer, ele não terá de pagar nenhuma pensão a ela.  A primeira pessoa a se aperceber do terrível complô é justamente  Zahra, que começa a ouvir os mexericos sobre a  suposta infidelidade de sua sobrinha se espalhando pela vila.

Zahra está disposta a defender sua sobrinha Soraya até o fim
O bandido Ali só precisa de mais uma falsa-testemunha para incriminar Soraya. Como não tem ninguém a quem recorrer ele se vale das mais cínicas ameaças e coerções para convencer o viúvo Hashem a contar a mentira que ao trabalhar em sua casa Soraya, também estaria se deitando com ele, e pior ainda, molestando seu filho!
Com esta acusação, Ali tem tudo para armar o seu teatro de acusações infames, arrastando a indefesa Soraya pelas ruas com socos e pontapés. Mas a corajosa tia Zahra consegue tirá-la das mãos do marido carrasco e levá-la para sua casa. Enquanto inicia-se o julgamento forjado com as falsas testemunhas, Zahra tenta encontrar uma forma de fugir com Soraya. Mas no vilarejo, cercada por todos os lados é impossível fugir...
Zahra insiste até o último momento em provar a inocência de Soraya, e está disposta até mesmo a morrer em seu lugar, mas  condenação é inevitável e a cena do apedrejamento é montada. Todos os vizinhos estão presentes e até mesmo o pai de Soraya foi manipulado e convencido a repudiá-a e obrigado a atirar a primeira pedra. A intervenção divina, parece provar a inocência de Soraya quando ele erra três vezes seguidas o alvo das pedras. Então, o carrasco Ali toma para si a tarefa de acertar as primeiras pedras, obrigando seus dois filhos a atirarem em seguida. Cada pedrada parece revelar o verdadeiro sentimento das pessoas presentes no cruel espetáculo, enquanto a inocente Soraya enterrada até a cintura, vestida de branco como um anjo, tem suas vestes tingidas de vemelho pelo sangue e agoniza até a morte. 
Tudo aconteceu no dia anterior...

O marido cruel, por meio de ameaças convence 
falsas testemunhas para incriminar Soraya
Zahra termina de narrar a história para o jornalista. E parece que o cruel Ali é finalmente, o único vencedor dessa maldita história. Mas a justiça (ou seria a intervenção divina?) tarda mas não falha. Agora está nas mãos do jornalista  Freidoune sair do vilarejo com as provas de uma injustiça que tentou ser abafada por homens sem coração. Eles tentam impedir o carro do jornalista de sair do vilarejo e destroem todas as fitas que o jornalista carregava consigo. Mas na verdade, a fita onde estavam as gravações estava nas mãos de Zahra. E antes que os homens do vilarejo saibam, ela entrega para o jornalista estrangeiro a história real que deu origem ao livro brilhantemente adaptado neste grandioso filme!
Cada personagem deste filme  desperta um mundo de sentimentos intensos: Zahra é uma heroína, a encarnação da coragem, a única voz a se levantar sem medo contra a injustiça que todos se recusam a ver; Soraya é uma criatura angelical, que tudo suporta por amor a seus filhos, mas não abre mão de sua dignidade; Ali é um legítimo sangue-de-barata, que se faz de vítima das circunstâncias quando lhe convém, mas não conseguindo convencer a ninguém, apela para a violência, sua única força.
O livro La Femme Lapidée (1990) foi censurado no Irã, mas a história real de Soraya Manutchehri percorreu o mundo como uma denúncia não só as vítimas do apedrejamento, mas  de todos os sistemas que baseados na corrupção condenam pessoas inocentes. Deve-se salientar que o apedrejamento é uma questão controversa mesmo dentro da religião islâmica e sua prática é na verdade o remanescente de uma herança cultural. Para mim este filme trouxe a reflexão de que o machismo, a violência contra a mulher e o silêncio das autoridades não são retratos apenas do Irã e demais países islâmicos. Este filme dá voz as mulheres do mundo inteiro, que sofrem caladas abusos, maltratos e perseguições por parte de seus maridos e/ou familiares, mas por medo e vergonha deixam de denunciar. E quem somos nós diante dessa realidade? Somos os espectadores passivos? Estamos junto com os apedrejadores? Ou denunciamos as injustiças?

>>Assista o filme completo aqui: 
ATENÇÃO: CONTÉM CENAS DE VIOLÊNCIA QUE PODEM CHOCAR PESSOAS SENSÍVEIS!!!


Cor| 114 min| Legendado em Português


Os Jardins "Paraíso" dos Persas

Bagh-Eram  em Shiraz
Em 2011, nove jardins persas foram registrados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Eles são os jardins de Pasárgada e Bagh- e Eram na província de Fars, Pahlebanpur e Dowlatabad na província de Yazd, Bagh-e Fin e Chehel Sotun na província de Isfahan,  Akbarieh na Província de  Khorasan do Sul,  Abbāsābād na província de  Mazandaran  e o Shahzadeh Mahan  na província de Kerman. 
A denominação de jardim persa (bagh-e irani) tem se aplicado à tradição e estilo de jardins que tem origem na Pérsia ( atual, Irã) influenciando o design de jardins de outros locais do mundo da Andaluzia até a  Índia.
Desde o tempo da Dinastia Aquemênida a idéia de um jardim  paraíso se espalhava através da literatura persa para outras partes do mundo. A palavra persa pairi-daeza que significava “espaço fechado” se transmitiu, na mitologia judaico-cristã com o nome de Paraíso, o que é incorporado também ao Jardim do Éden.
Como a palavra expressa, tais jardins eram espaços fechados pensados como lugar de tranquilidade espiritual e também  para reunião de amigos, de modo a ser, essencialmente, um "paraíso na terra". Podiam ser construídos em estilo formal (fazendo prevalecer a estrutura) ou  informal (concentrando-se na natureza). Os jardins persas muitas vezes tentam integrar o interior da casa com o exterior através de uma conexão com um pátio interior.
Chehel Sotun em Isfahan
Bagh-e Fin em Kashan
Estima-se que a origem dos jardins persas data de 4000 a.C.. Nas cerâmicas dessa época notam-se os desenhos em cruz, típicos dos jardins persas. O contorno do jardim persa de Pasárgada, construído por volta de 500 a.C, é visível até hoje.
Durante o reinado dos sassânidas (séc. III a.C), sob a influência do Zoroastrismo, que valorizava elementos naturais como a água, começou a se manifestar a  tendência de dar ênfase em fontes e lagos no projeto do jardm.
Durante o tempo das conquistas árabes, as regras que governavam a estética do jardim persa  ultrapassaram sua importância utilitária. Um exemplo disto é o Bāgh Chahār, uma forma de jardim que tenta imitar o Eden, com quatro braços e quatro quadrantes que representam "os quatro cantos do mundo". 
A invasão da Pérsia pelos mongóis, no século XIII levou a uma nova ênfase na ornamentação do jardim incluíndo se árvores e flores como peônias e crisântemos. Então, os mongóis levaram a tradição do  jardim persa para outras partes do seu império. Babur introduziu o jardim persa na Índia e o agora abandonado jardim  Aram Bāgh  em Agra foi o primeiro de muitos jardins persas que ele criou. O Taj Mahal é um exemplo ainda remanescente do conceito ideal de um jardim paradisíaco misturando elementos da arquitetura persa e hindustani.
Jardim Dowlat Abad em Yazd
A dinastia safávida (XVII ao século XVIII), construiu jardins grandes e épicos que iam além de uma simples extensão do palácio e tornaram-se uma parte integrante estético e funcional do mesmo. Nos séculos seguintes, a estética dos jardins europeus passou a influenciar a Pérsia, particularmente os franceses e, depois os russos e ingleses. 
Forma e  estilo tradicionais ainda são aplicados aos modernos jardins iranianos. Eles também aparecem em locais históricos, museus e mansões. Nesta categoria também se incluem os verdejantes parques públicos onde famílias se reúnem para descansar e se divertir.

>>Veja neste vídeo uma amostra dos magníficos jardins de Shiraz, a cidade que inspirou poetas como Hafez e Saadi.


Baseado em Iranreview e Wikipedia