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"Ouro e Cobre" um filme de Homayoun Assadian


Salam, para todos os amigos do nosso Chá-de-Lima da Pérsia! Hoje eu vim falar de um filme sensacional! Pra você que como eu já se desacostumou das tranqueiras hollywoodianas dos super-heróis e prefere mergulhar no cotiano de gente como eu e como você. Sim, estamos falando de cinema iraniano, da melhor qualidade. Mas infelizmente como falta divulgação para o público brasileiro, estou aqui mais uma vez encabeçando esta missão! 
"Ouro e Cobre", cujo título original é Tala va Mes, ainda não saiu aqui no Brasil, mas como sempre, acabei descobrindo através da indicação de um amigo,  a versão online legendada em inglês. Este filme foi um dos destaques do cinema iraniano deste ano, embora não tenha ganhado tanta notoriedade quanto o vencedor do Oscar "A Separação" de Asghar Farhadi. 
A história começa quando um jovem estudante de religião chamado Seyed  Reza (Behrouz Shoeibi) se muda de Nishapur no interior do Irã, para a metrópole Teerã com sua esposa Zahra Sadat (Negar Javaherian) e dois filhos pequenos, a sapeca Atefeh e o bebezinho Amir. Logo no início observamos a rotina da metrópole com todos os seus contrastes, incluíndo crianças pobres que vendem os famosos "versos da sorte, de Hafez ". Enquanto isso, em sua modesta residência, Seyed vive com a esposa em harmonia, tentando se manter financeiramente a partir da venda de tapetes confeccionados pelo casal. Enquanto Seyed é um aspirante a mulá e pai de família, tem que dividir sua atenção entre os estudos do Alcorão e as necessidades dos filhos, confiando na ajuda  de  sua doce e prestativa esposa para cuidar da casa. Ao lado da casa da família de Seyed vivem a senhora Azam, imigrante turca e sua neta com síndrome de down chamada Aida que adora andar com seu rádio, tocando músicas pop turcas pra todo lado. 
Tudo parece estar na mais perfeita tranquilidade, quando Zahra começa a sentir sintomas estranhos, como a vista falhando, enquanto ela corta o cabelo do marido e as mãos fraquejando enquanto ela tece o tapete. Até que um certo dia, Zahra desmaia e é levada ao hospital onde em meio a um tratamento frio e desumano por parte da equipe médica, ela é diagnosticada com esclerose múltipla que provavelmente a deixaria paralisada. Sem saber nada sobre a doença e despreparado para lidar com a responsabilidade, Seyed lembra que tinha deixado as crianças sozinhas em casa e não pode passar a noite no hospital com a esposa, e ainda por cima é acusado pelas enfermeiras de ter negligenciado o tratamento a mulher demorando a trazê-la ao hospital assim que tivesse percebido os primeiros sintomas.
Por fim, os médicos decidem que Zahra deve permancer três dias no hospital. Enquanto isso Seyed terá de se adaptar a uma nova rotina de pai e mãe ao mesmo tempo... ele tem que aprender a trocar as fraldas do Amir e cantar  para ele dormir, levar a desobediente Atefeh para a escola, cozinhar, confeccionar os tapetes sozinho durante a noite. E ainda por cima, estudar o Alcorão e praticar suas orações diárias! Apesar de receber alguma ajuda da senhora Azam e de sua neta para olhar as crianças, nem sempre pode contar com a mulher idosa e cansada e sua filha deficiente, por isso às vezes tem que levar o bebê com ele para as aulas de religião, enquanto seus colegas o criticam por estar fazendo "o papel que é da mulher!" A boa notícia é que Seyed está conseguindo vender bem seus tapetes, com a ajuda de seu melhor amigo, um rapaz esperto, todo metido a negociante (Javad Ezzati).
Em meio a pesada rotina, Seyed arruma algum tempo para visitar sua esposa que está terrivelmente deprimida no hospital com saudade dos filhos. Zahra  também está se sentido enganada porque Seyed teme em dizer-lhe que a sua doença está progredindo e deixando-a inválida. Mas com o decorrer do tempo, Seyed consegue pedir através da ajuda de uma bela e espirituosa enfermeira (Sahar Dolatshahi), que sua esposa receba um tratamento mais humano, e tenha direito a receber a visita dos amigos e das crianças que não eram então permitidas no hospital.
Com a esposa doente, Seyed agora tem que cuidar da casa e dos filhos
Zahra recebe a visita da família e amigos no hospital
Alguns dias depois, Zahra está de volta a sua casa, mas sua filha Atefeh fica perplexa ao vê-la em uma cadeira de rodas. Tentando se conformar com sua doença, Zahra  não quer se sentir inútil, embora o marido faça de tudo para que ela evite os esforços e descanse. Mas enquanto ele está fora, Zahra tenta cozinhar uma panela de macarrão para Amir, o que pra ela se torna uma tarefa impossível, já que não tem nenhum controle sobre seu corpo. Ela derrama a panela de água quente no chão enquanto a senhora Azam corre em seu socorro. Zahra passa a ficar nervosa e inquieta, queixando-se de sua sorte e neste momento até mesmo Seyed que tentara suportar tudo com paciência e gentileza, acaba também tendo seu momento de explosão e revolta. 
O mais marcante que há neste filme, é o semblante de humanidade que há em seus personagens principais que são típicos interioranos, acolhedores e modestos, que lidam com a frieza da vida mais individualizada na cidade grande, mas que compartilham com suas vizinhas imigrantes um afeto mútuo. 
Este  filme também impressiona  por  mostrar o lado humano do clero muçulmano do Irã, já que no ocidente são conhecidos apenas como intransigentes linhas-duras.  Seyed é um personagem  doce e humilde, mas de caráter firme, apesar de sua juventude e inexperiência com determinadas situações sempre está disposto a ouvir conselhos e aprender a ser um pai e marido melhor. 
Ao contrário do que se pensa, o filme não traz uma crítica ao sistema religioso que governa o país, mas em primeiro lugar às duras condições que muitas famílias enfrentam para se manter em tempos de crise econômica e embargos. Acima de tudo a lição dada pelo personagem de Seyed , mostra como a religião não se reduz a meras práticas rituais, mas a uma transformação que se dá nas lutas diárias para se tornar um ser humano melhor, o que explica o título do filme. "Ouro e Cobre" é uma metáfora para essa mudança interior alcançada pelo personagem através de sua paciência, trabalho árduo e amor incondicional por sua família.

>> Assista ao filme legendado em espanhol:



4 comentários

  1. infelizmente o link foi retirado... :/

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    1. Puxa Lidiane, que pena é um filme tão bom! Se eu conseguir encontrá-lo novamente eu posto de novo. Obrigada por avisar!

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  2. Negar Javaherian... A beleza dela be entorpece! Como eu queria ela!

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    1. Salam Fereydoun, é uma pena que tiraram o video desse filme do ar... eu tinha postado ele aqui antes. Acho legal seu gosto pela beleza das iranianas...Espero que você encontre a sua Zahra ;)

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