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As Belezas de Isfahan

"Isfahan é a metade do mundo". Assim dizia-se sobre a cidade persa até o século XVI, quando as terras do continente americano do outro lado ainda eram desconhecidas e obscuras para quem vivia naquela parte do mundo. O título de "metade do mundo" da cidade pode até ter ficado no passado para nós, mas o sentimento ainda soa verdadeiro para quem vive e visita a atual Isfahan.

Vista panorâmica da praça Naghsh-e-Jahan em Isfahan 
Com o desejo do atual  Irã de se livrar de sua imagem fechada, há alguns anos, trabalhando arduamente para atrair turistas,  Isfahan se tornou um destino muito mais acessível. O grande número de viajantes, estrangeiros e de outras partes do Irã, são o testemunho, da atração exercida por Isfahan. Para chegar lá, basta um vôo rápido de uma hora a partir de Teerã. A cidade está situada no centro do país, a cerca de 1.570 metros acima do nível do mar, tornando o ar puro e o céu tão claro que é possível vislumbrar as montanhas azuladas no horizonte. Isfahan também distingue-se pela presença do rio Zayandeh, que é atravessado por pontes majestosas. Isfahan ainda orgulha-se de manter parte de sua beleza original mesmo após séculos. A cidade de largas e arborizadas avenidas, belos palácios estabelecidos em esplêndidos jardins e, claro, mesquitas com complexos mosaicos de azulejos reluzentes, sem falar do bazar conhecido por vender o melhor artesanato do país. Isfahan contém tantos monumentos históricos, queapenas alguns dias de visita não são suficientes para conhecê-los de fato.
Isfahan beneficiou-se grandemente de um moderno planejamento urbano desde o fim da guerra Irã-Iraque nos anos 80. A cidade é bem cuidada, os palácios iluminados à noite e as árvores enfeitadas com luzes, sem nunca deixar de lado a sua reputação de cidade mais esplêndida da Pérsia. Por um período de 100 anos gloriosos do século XVI, Isfahan foi a capital do Irã. Um período em que arte e a arquitetura persa atingiu o ápice de sua realização. O comércio com o mundo ocidental foi crescendo e Shah Abbas recebia muitos estrangeiros em sua corte.
A Grande Mesquita da Sexta-Feira  (Masjed-e-Jomeh )
Isfahan também contém tesouros que remontam ao seu esplendor durante a era Safávida, mas o primeiro momento de glória de Isfahan  veio sob algum  rei Seljúcida, do século XII  quando a cidade brevemente se tornou a capital. Isto é, quando a mesquita da Sexta-Feira (Masjed-e Jome) foi construída , embora tenha sido ampliada e restaurada através dos séculos por dinastias posteriores. A Mesquita da Sexta-feira é um bom lugar para começar um tour em Isfahan, embora ela não seja tão atraente como as mesquitas ricamente azulejadas da grande praça, Maidan-e Imam, ela é geralmente considerada o protótipo das mesquitas iranianas com a complexa  harmonia de seus componentes e beleza austera.
Shah Ismail (1501-1524), o primeiro rei Safávida, foi quem começou a construção de jardins e palácios em Isfahan, e foi o Shah Abbas I (1571-1629) que transformou a cidade no que ela é hoje. Ele mudou a capital para Isfahan por esta ser estrategicamente mais segura do que as ex-capitais de Tabriz e Qazvin, que estavam muito perto do Império Otomano. O centro da cidade durante os tempos dos seljúcidas ficava em torno da mesquita da Sexta-Feira, mas Shah Abbas mudou-a  para o  Naqsh-e Jahan (Mapa do Mundo), um parque palaciano projetado por Shah Tahmasp (1524-1576). Entre 1589 e 1606 iniciou-se a construção da praça  e dos prédios ao seu redor, bem como uma grande avenida chamada Chahar Bagh (Quatro Jardins), que servia para ligar a praça ao rio. Hoje uma grande parte dos jardins, pavilhões e palácios desse período desapareceram, particularmente ao longo das margens do rio Zayandeh.
A grande praça Maidan-e-Imam  (anteriormente Praça Real), uma das maiores praças do gênero no mundo,  é duas vezes maior que a Praça Vermelha de Moscou. Em torno dela estão algumas das atrações principais da cidade. Nos tempos de Shah Abbas, a praça era utilizada como um campo de pólo: o rei e sua corte se sentavam na varanda do palácio Ali Qapu e assistiam ao jogo, os postes de madeira ainda podem ser vistos em cada extremidade da praça.
A cidade também tem o maior pátio do Irã, cujo centro é ocupado por uma piscina de mármore com bordas enfeitadas, refletindo na água todas os estilos arquitetônicos do Irã, da simplicidade elegante do período Seljúcida (1051-1220), durante o período mongol (1220-1380), ao período Timurida (século XIV a XV), e do barroco do período Safávida até o século XVIII. Ao redor da piscina, carruagens puxadas a cavalo levam os turistas para um passeio romântico ao redor da praça.

O pátio e sua grande piscina com mesquita  Sheikh Lotfallah ao fundo
Passeio de carruagem na Maidan-e-Imam
Os iranianos são orgulhosos desta cidade (apesar de considerarem os isfahanis meio avarentos), e o turismo interno está prosperando. A principal mesquita nesta praça, a Mesquita do Imam, é considerada um dos edifícios mais impressionantes do mundo. A construção começou em 1612 e foi finalmente concluída em 1638, o culminar de mil anos de arquitetura no Irã. É coberta, dentro e fora, por painéis de azulejos azul-turquesa que passaram a representar as mesquitas iranianas. A cúpula principal é de dupla camada e, embora a entrada principal de 30 metros de altura esteja com seus minaretes gêmeos voltados para a praça, a mesquita em si  foi construída em um ângulo na direção de Meca. O portal de entrada é um exemplo supremo de estilos de arquitetura Safávida exibindo azulejos suntuosos, caligrafias, emoldurados por estalactites de mosaicos coloridos cuja complexidade deixa qualquer turista de boca aberta. (Resumindo, a mesquita é tão impressionante que vale outro post inteiro só dedicado a ela!) O interior da mesquita também ricamente decorado com azulejos e tem um ar de tranqüilidade que  convida o visitante a  sentar-se no pátio por toda a eternidade,  exceto pelo barulho dos turistas batendo palmas debaixo da cúpula, para ouvir os sete ecos.

Entrada  principal da Mesquita do Imam (Masjid-e-Imam)
Mesquita Sheikh Lotfallah
A Mesquita Sheikh  Lotfallah que fica em frente ao palácio Ali Qapu é o oposto exato das enormes proporções enormes da Mesquita Imam. Esta mesquita é pequena como uma capela e foi construída por Shah Abbas para honrar seu cunhado. Diz-se que a mesquita era ligada ao palácio Ali Qapu por um túnel subterrâneo para as damas da corte poderem vir  rezar em paz. A cúpula desta mesquita excepcional  tem um fundo incomum cor de salmão. Ela muda de tom de acordo com a luz, indo do amarelo a um rosa suave. A intensa beleza desta mesquita deixa qualquer um sem palavras, o jogo de luz sobre os azulejos é impressionante. 
O palácio Ali Qapu é aparentemente grande, mas de delicada estrutura interna (que está sendo cuidadosamente restaurada) e os recortes das paredes em formato de  frascos e tigelas tinham como objetivo melhorar a acústica das salas de música. Os músicos ficavam posicionados  nestas aberturas  nas paredes para que sua música pudesse repercutir em todos os quartos do palácio.

Palácio Ali Qapu
Sala de música do palácio Ali Qapu 
Junto a praça fica o bazar e as lojinhas de artesanato, o lugar mais tradicional para se fazer compras. Com seu teto de tijolos arqueado, com aberturas por onde entra  luz  do sol, passear pelos interiores empoeirados do bazar  é um belo passatempo. Em alguns corredores há o bate-bate dos artesãos que trabalham com cobre , em outros  pode se ver  como são pintadas miniaturas delicadas em placas de cobre ou vasos,  há os vendedores de ouro, os comerciantes do tapete etc. Em qualquer ponto do bazar, é bom que o turista esteja pronto para se sentar, beber chá e pechinchar com os comerciantes que fazem negócios desta forma há séculos.
Além da praça, Isfahan tem outras delícias. As pontes que se estendem sobre o rio Zayandeh contêm pequenas casas de chá tradicionais em seus arcos, um lugar mágico para desfrutar de uma xícara de chá, como o rio fluindo sob seus pés. A ponte Khaju  funciona como uma represa: a camada inferior controla o fluxo da água, enquanto o terraço superior é definido com arcos em que ainda pode-se ver as pinturas originais e azulejos. No centro, um pavilhão esplendidamente decorado é o local onde Shah Abbas e seus cortesãos se sentavam para admirar a vista.
A ponte Khaju
O  cházinho embaixo da ponte
Outros atrações de Isfahan são os palácios, tais como o Chehel Sotun (Quarenta Colunas) e o Behsht Hasht (Oito Paraísos), que dão uma amostra do estilo de vida do xás no século XVII, com seus prazerosos jardins, cheios de água borbulhante e o canto dos pássaros. Há também os curiosos minaretes gêmeos balançantes  Menar-e Jonban, do século XII, onde o turista pode  subir e dentro dele se balançar fazendo com que o outro balance também, (mas não cai!? dê uma olhada neste vídeo) ficam a uma curta viagem de táxi da cidade. O bairro armênio Jolfa é onde fica a Catedral Vank, uma curiosa mistura de estilos islâmicos e cristãos, provando para a maioria dos ocidentais que diferente do que se pensa, o Irã tem uma tradição de tolerância com outras religiões. O museu da catedral contém curiosidades, como um grão de arroz que tem o nome de Deus escrito nele.
Finalmente, quem visitar Isfahan vai perceber que o próprio ar e a água da cidade (como dizem os persas) irá encantá-lo: se juntar aos moradores passeando ao longo do rio no crepúsculo fresco de verão, beber uma xícara de chá quente escuro nas entranhas de uma das pontes, pechinchar uma miniatura Isfahani com um comerciante  no bazar,  vai fazer você descobrir que uma visita a Isfahan é de enriquecer a alma.

Baseado no artigo The Splendous of Esfahan de Kamin Mohammadi.


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