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Shahnameh "O Livro dos Reis"

O Shahnameh, "Livro dos Reis" ou "Épico dos Reis", é uma grande obra poética escrita no século X, por Ferdowsi (conhecido como o Homero iraniano), que narra a história e a mitologia do Irã, desde a criação do mundo até a sua conquista pelos árabes no século VII. A obra levou cerca de 35 anos para ser escrita e contém 62 histórias (990 capítulos) e 56.700 dísticos (estrofes de dois versos), ou seja, mais de sete vezes o comprimento da Ilíada de Homero.
Os primeiros capítulos contam a história dos lendários reis iranianos: Q-Mars, Hushang, Tahmuress, e o famoso Jamshid, que reinou por 500 anos durante a era de ouro. Após esse período de prosperidade, veio o governo do malvado Zahhak (Adzdi-Dahaka em Avestan), que foi tentado por Ahriman (o diabo), seu próprio antepassado. Como Zahhak tornava-se cada vez mais cruel, Kaveh, o ferreiro, levantou-se contra este, usando seu próprio avental de couro como a bandeira da revolta (veja também, breve história da bandeira do Irã). Finalmente, o tirano foi amarrado e confinado sob o Monte Damavand nas margens do Mar Cáspio. 
Logo em seguida temos um belíssimo episódio que narra os amores de Zal, da linhagem real do Irã, e Rudabeh, filha de Mehrab o rei de Kabul. Sua união resultou no nascimento do mais romântico de todos os heróis do Shahnameh, Rostam, que também pode ser considerado uma espécie de Hércules iraniano.
O épico progride desde os lendários tempos heroicos até as épocas históricas, passando pelos reinados dos imperadores sassânidas até a conquista islâmica e a morte de Yazdegerd III em 641. Assim, a obra constitui uma fonte valiosa para o início da história do Irã, que se completa com os relatos das antigas inscrições cuneiformes persas e no Avesta. Além de seu objetivo poético, Ferdowsi tinha um motivo claramente patriótico, ao escrever o Shahnameh, pois ele desejava manter viva nos corações de seu povo a fé de seus ancestrais e as glórias de seus atos para que o Irã não viesse a ser um mero fantoche sob o domínio árabe.
Rostam, um herói do Shahnameh
Conta-se que o épico continha um elogio introdutório a Soltan Mahmud de Ghaznavdì, a quem Ferdowsi dedicou  a obra. E ao apresentar o livro a Mahmud,  Ferdowsi foi premiado com a desprezível quantia de 20.000 dirhams. O poeta desapontado resolveu se vingar escrevendo uma sátira amarga sobre Mahmud, no lugar do antigo elogio. 
Em seguida, Ferdowsi fugiu para Herat, no leste do Irã (hoje no Afeganistão), e de lá para Tabarestan, onde o príncipe reinante o protegeu. Mais tarde, ele se estabeleceu em Bagdá, onde compôs um épico de 9000 dísticos chamado Yusof e Zoleikha que é uma versão árabe da história bíblica entre José e a esposa de Potifar, um dos temas favoritos dos poetas orientais. Na sua velhice Ferdowsi voltou para sua cidade natal perto de Tus, onde, segundo a lenda, ele recebeu o perdão de Mahmud, pouco antes de sua morte.
O Shahnameh  talvez seja melhor conhecido no mundo através da história de Rostam e Sohrab (1853), do poeta Inglês Matthew Arnold, baseada no épico persa e que ganhou recentemente até uma versão em quadrinhos estilo Comics americano .

>> LEIA AQUI: O Épico do Shahnameh de Ferdowsi (em Inglês)

Baseado em artigo do site  Circle of Ancient Iranian Studies e Wikipedia


Vatanam: O Primeiro Hino Nacional do Irã

O título original do primeiro hino nacional da Pérsia (Irã) era Salamati-ye Shah ("Salve ó Rei") desde o tempo de Mozzafar al-Din Shah Qajar até 1933, quando foi substituído por Sorood- Shahanshahi Iran, então aprovado pela dinastia Pahlavi. A música foi composta pelo músico francês Alfred Jean Baptiste Lemaire. Posteriormente o compositor Bijan Taraqhi  foi convidado por Peyman Soltani, o líder da Orquestra das Nações do Irã, para escrever um  novo poema para o antigo hino nacional.  Neste vídeo com  belas imagens das paisagens históricas da Pérsia, você ouve a nova versão do hino na voz de Salar Aghili:



Letra e Tradução:
نام جاوید ای وطن
O eterno nome da pátria
صبح امید ای وطن
A aurora da esperança da pátria
جلوه کن در آسمان
Brilha no céu reluzente
همچو مهر جاودان
Como o sol imortal
 وطن ای هستی من 
Oh pátria, minha vida
شور و سرمستی من
A minha paixão e minha alegria
جلوه کن در آسمان
Mostre sua face no céu
همچو مهر جاودان
Como o sol imortal
بشنو سوز سخنم
Ouça a dor das minhas palavras
که همآواز تو منم
Eu sou seu companheiro, cantando
همهی جان و تنم
Todo o meu corpo e alma
وطنم وطنم وطنم وطنم
Minha pátria, minha pátria, minha pátria, minha terra natal
بشنو سوز سخنم
Ouça a dor das minhas palavras
که نواگر این چمنم
Eu sou o rouxinol do jardim
همهی جان و تنم
Todo o meu corpo e alma
وطنم وطنم وطنم وطنم
Minha pátria, minha pátria, minha pátria, minha terra natal
همه با یک نام و نشان
Todos com um nome e símbolo
به تفاوت هر رنگ و زبان
Com cores e línguas diferentes
همه با یک نام و نشان
Todos com um nome e símbolo
به تفاوت هر رنگ و زبان
Com cores e línguas diferentes
همه شاد و خوش و نغمهزنان
Todos alegre, felizes e cantando
ز صلابت ایران جوان
Por causa da força do jovem Irã
ز صلابت ایران جوان
Por causa da força do jovem Irã
ز صلابت ایران جوان
Por causa da força do jovem Irã


Baseado em Wikipedia e letra da música retirada do site Iransong.com  


Sholeh Zard, um pudim pra lá de criativo


Você sabe o que é sholeh zard? É uma receita típica persa que mistura aroma, sabor e criatividade... Imagine saborear um pudim feito de arroz perfumado com açafrão, água de rosas, canela e decorado artisticamente com crocantes amêndoas e pistaches! E o mais divertido são os desenhos feitos com os próprios ingredientes, formando caligrafias, flores e arabescos. 
No Irã, nas datas comemorativas e cerimônias religiosas, é costume fazer várias porções de sholeh zard e distribuir para os parentes e vizinhos e também é comum  antes de preparar o doce as mulheres balançarem o pote de arroz fazendo pedidos (o que é chamado de nazr). Dizem que quanto mais balançarem o pote, maiores são as chances de realizarem seus desejos!

Belíssimo sholeh zard decorado com motivos florais...
Sholeh zard no Natal, com as palavras "Merry Christmas"  
Sholeh zard com caligrafia "Ramadan" ao lado
dos pães tradicionais para a quebra do jejum
 
E até no Valentine's Day com as palavras "tô solteira" :( em persa...
E para quem quiser tentar fazer, eis aqui a receita (4 porções):

Ingredientes: 
250g de arroz
500g de açúcar
4 colheres (sopa) de óleo
1/2 colher (chá) de acafrão
1/2 copo de água de rosas
2  colheres (sopa) de  pistache moído
2  colheres (sopa) de  amêndoas moídas
1/2 colheres (sopa) canela moída

Modo de preparo:
Lave o arroz algumas vezes até que a água fique limpa e depois escorra. Adicione água seis vezes e deixe ferver, retirando a espuma. Quando o arroz amolecer completamente, adicione o açúcar e mexa bem.
Dissolva o açafrão em meio copo de água quente e adicione ao arroz. Acrescente as amêndoas e a água de rosas. Mexa bem e cubra. Leve ao forno com temperatura branda por meia hora. Decore com pistache, amêndoa e canela. 
Noshe jan!

Baseado em informações dos sites Iranian.comIranchamber.com e ShahreFarang


'Marmulak", um filme de Kamal Tabrizi


Este é um filme que provavelmente testou a paciência dos mulás até o limite! Marmulak ("O Lagarto") dirigido por Kamal Tabrizi, é uma divertida comédia sobre a religião e a sociedade no Irã atual,  e que tem como plano de fundo o submundo do crime no país. Com um roteiro mordaz do início ao fim e piadas escrachadas  sobre os líderes religiosos islâmicos, não é por menos que o filme foi censurado no Irã, após ter estado em cartaz nos cinemas por apenas um mês em seu ano de lançamento (2004). Mas não é preciso garimpar muito na internet para assistir Marmulak on-line com legendas em inglês.
O personagem principal é um ladrão conhecido como Reza Marmulak, ou " O Lagarto" (interpretado por Parviz Parastui) devido a seu  talento  incomum  de escalar  paredes e por sua  marca registrada, a tatuagem de lagarto. Logo no começo da história, o nosso anti-heroi é preso por um assalto á mão armada. No presídio ele é obrigado a aturar a antipatia do carrasco diretor (Bahram Ebrahimi) que faz de tudo para puní-lo pelas menores infrações, mandando o para o confinamento solitário. Assim as primeiras cenas são uma sequencia entediante de entradas e saídas de Reza na solitária...

O implacável diretor do presídio
Reza e a dura vida no presídio
Um belo dia, cansado de tantas punições injustas, Reza decide que vai se matar com os remédios que ele mesmo roubou na enfermaria da prisão. No entanto sua tentativa é impedida por um companheiro de cela que acaba ferindo o seu braço com o vidro do remédio, assim ele vai parar na enfermaria, onde está livre temporariamente da implicância do diretor.
Por ironia do destino, no mesmo quarto que ele está internado há um amigável e compassivo mulá também chamado Reza (Shahrokh Foroutanian). Com algumas palavras de sabedoria o religioso consegue mudar alguma coisa no lá no fundo do coração do ladrão que até então se julgava como "vivendo no inferno". 
Mas apesar de seu encontro com o bom homem, o esperto Reza Marmulak consegue planejar uma engenhosa fuga. Roubando o manto e o turbante do mulá ele consegue sair da prisão sem ser notado e no caminho da liberdade acaba passando pelas situações mais constrangedoras por não saber sequer pronunciar uma oração islâmica  além das palavras Allahu akbar!!


Reza, um mulá meio suspeito...

 Ao saber da fuga de Reza, o diretor do presídio inicia uma busca implacável e obsessiva, sentindo que a insolência do bandido representa uma afronta a sua reputação profissional! O caminho da fuga do falso mulá Reza acaba levando-o a uma aldeia onde o líder local acredita que ele realmente seja um verdadeiro religioso e o designa para os serviços na mesquita local. Mas ali mesmo na aldeia, Reza está em contato com seus comparsas do crime ao mesmo tempo em que faz os sermões mais sem pé nem cabeça fazendo referências até mesmo a Pulp Fiction do "irmão"  Tarantino na mesquita. Durante suas saídas escondidas ele sempre dá a desculpa de estar indo fazer suas obras de caridade, visitando as pessoas carentes enquanto na verdade está indo falsificar seu passaporte.
Reza e Fayezeh
Reza,  e os irmãos Mojtaba e Gholam Ali
O filme de uma forma geral consegue prender a atenção e cativar com personagens divertidos e várias cenas de ação. Na aldeia o dissimulado Reza Marmulak, defende a mocinha Fayezeh (Rana Azadvar) que sofre com as agressões do marido machão Javad e encontra também os filhos do guardião da mesquita, o desengonçado Mojtaba (que anota o tempo todo tudo que o Reza diz) e o galante Gholam Ali  (cujo pai espera que ele memorize o Alcorão, mas na verdade quer mais é namorar!). Outros personagens de destaque são Ozra, a falsificadora, o afeminado Jackson, o prediário Motazedi, cúmplices de Reza e o político oportunista Shojaei (Mehran Rajabi). Além do menininho (Sepehr Rezanoor) que aparece em vários momentos do filme apenas observando o Reza como se fosse um anjinho da guarda...

O  menininho...
Quando finalmente parece que o Reza vai dar um jeito em sua vida, ele é capturado pelo diretor do presídio durante um encontro religioso na mesquita diante dos olhos de todos os aldeões que o consideravam um herói. Tendo que deixar suas roupas de mulá, ele se entrega pacificamente repetindo as palavras que o verdadeiro  mulá Reza  havia deixado para ele como lição antes da fuga, a frase efeito que dá a tônica a todo filme : "Há tantos caminhos para chegar a Deus, quanto há pessoas no mundo."
Na minha opinião, esté é um dos melhores filmes iranianos, daqueles que vale a pena ver e rever...

O link para este filme foi removido. 
Agradeço quem tiver sugestões para assistir online.


"O que é certo e o que é errado", cartazes para os jovens iranianos

Vejam que divertidos estes cartazes de rua de Teerã com mensagens educativas pra lá de descontraídas, ensinando aos jovens  sobre "o que é certo e o que é errado" segundo os códigos de moral da sociedade iraniana. O conteúdo dos textos apela especialmente para os "amigos de verdade" não deixarem o outro fazer o que é considerado imoral, principalmente se tratando de imitar o estilo de vida dos jovens ocidentais. Mas, cá entre nós, será que a moçada de lá acha alguma graça em seguir essas regrinhas ou curte mais ser rebelde?

Amiga que  é amiga, não te deixa andar por aí mostrando o cabelo!!

Não se misture com esse "tipo" de meninas!

Meninos, nada de cortes de cabelo imitando esses caras!

Vestir se de maneira inadequada pode manchar sua reputação...

Amigo de verdade não te chama para a uma festa com meninas!!
Comentário: Bem, a princípio achei essas imagens bem divertidas, mas com certeza algumas pessoas podem interpretá-las como uma crítica irônica aos costumes conservadores da religião islâmica. No entanto, prefiro ressaltar que religião e cultura são coisas diferentes e cabe a cada um saber separar o que é "certo ou errado" de acordo com sua crença pessoal sem pré-julgamentos do que é melhor ou pior. Na verdade a intenção dessa postagem é apenas mostrar o curioso dilema  que muitos jovens iranianos, especialmente nos centros urbanos, enfrentam com a influência da chamada cultura ocidental cada vez mais presente no modo de  vida deles. Uma vez que a religião islâmica determina códigos de vestimenta e de comportamento que primam pelo recato e a modéstia, a tendência dessa nova geração de iranianos é cada vez mais aderir as novas tendências como manifestação de uma desejada abertura de seu país ao ocidente.

Imagens do site  Persian Mirror


Kamkaran - Kabuki Leyli

O Grupo Kamkaran nasceu originalmente como uma família de músicos curdos de Sanandaj  no ano de 1965. No anos recentes com novos integrantes, o conjunto é um dos maiores expoentes de jovens talentos da música persa tradicional. Este vídeo com imagens de uma apresentação em Montreal no Canadá em  2009, traz uma belíssima música folclórica do Curdistão conhecida como Kabuki Leyli  na voz de Bijan Kamkar, Maryam Ebrahimipour e Saba Kamkar.


Miniaturas de Ostad Ali Asghar Tajvidi

Ali Asghar Tajvidi nasceu em 1948  na cidade de Fassa no Irã e após terminar sua educação elementar  iniciou seus estudos em artes plásticas na Universidade de Belas Artes de Teerã. Em 1978 ele se formou como o melhor aluno de sua turma.
Seu gosto pelas artes veio desde a  infância e sua inspiração a princípio vinha da observação da natureza, onde começou a treinar sua aptidão para o desenho. Depois de adquirir experiência no campo da pintura, ele começou a estudar a  autêntica pintura iraniana, a  miniatura, até adquirir o domínio do estilo. Durante os seus estudos, ele também contou com a presença do grande artista  Mahmoud Farshchian. Além disso, Tajvidi também adquiriu experiência nas artes com a  pintura a óleo e a música.
As obras  de Tajvidi derivam de sua intimidade com a  cultura, história e literatura tradicional iraniana, além de alguns trabalhos com temática religiosa. Embora ele esteja atento a mais pura técnica tradicional, sua produção  também é estimulada pela expansibilidade da pintura em miniatura como expressão do pensamento artístico. 
Tajvidi já participou em várias exposições individuais e coletivas com êxito, entre elas a do  Museu de Arte Contemporânea e na Galeria de Cultura Niavaran em Teerã e, na Universidade e Galeria de Arte Vessal de Shiraz.

Aftabe May
Asban
Bahrame Goor
Ghame Hejran
Homa ye Saadat
Jame Alast
Mahrame Raz
Peel Dar Shabe Tar
Sheikhe Sanan
Taraneye Bahar
Baseado em  Iranian Cultural & Information Center


Retratos do "Irã que vale a pena ver"

Salam, sempre acreditei que é possível conhecer melhor uma cultura simplesmente através de imagens. Quem nunca se sentiu transportado para outro lugar ou época ao visitar uma exposição fotográfica? Mas será que o tipo de imagens que chegam até nós sobre os países do Oriente Médio através da mídia, tem contribuído para uma visão abrangente ou estereotipada a respeito de sua cultura? Experimente buscar no Google imagens sobre o Irã! A primeira impressão é de um lugar sisudo, das mulheres de manto de negro, onde a música e a arte são proibidas e a única coisa que o povo faz é protestar por liberdade sobre o olhar ameaçador do aiatolá, enquanto seu presidente aparece nas fotos com dedo em riste, num gesto de desafio ao ocidente, como que querendo dizer, "deixem me construir minhas bombas em paz". Bem, somente cabe a cada um de nós refletir e questionar sobre as imagens que vemos, por isso deixo hoje para vocês este belíssimo slide show que vale mais do que mil palavras, uma linda lição de cultura, um olhar sobre o Irã que não vemos todo dia:


O que é Faravahar?

Faravahar nas Ruinas de Persépolis
O Faravahar é um dos símbolos mais conhecidos do Zoroastrismo, a religião oficial do Irã antigo. Este símbolo religioso-cultural foi adaptado pela dinastia Pahlavi para representar a nação iraniana.
O significado atribuido a ele é a representação de um Fravashi , ou seja, uma espécie de entidade divina protetora, como um anjo da guarda. O símbolo que aparece pela primeira vez em inscrições reais da antiga Pérsia., também é considerado como representação do mandato divino que era o fundamento da autoridade de um rei. No entanto, não há descrição física dos Fravashis no Avesta, os textos sagrados do zoroastrismo, e nas escrituras estas entidades são gramaticalmente femininas.
No zoroastrismo atual, o Faravahar é interpretado como o sentido da vida, que consiste em viver de tal forma que a alma progrida para a frasho-kereti, ou união com Ahura Mazda , a divindade suprema do Zoroastrismo.
1 A figura humana representa um ancião, que simboliza a sabedoria da idade. 

2. As duas asas em ambos os lados, têm três penas maiores que indicam "bons pensamentos, "boas palavras" e "boas obras". 

3. A parte inferior do Faravahar consiste em três partes, representando "maus pensamentos", " más palavras" e "más ações ", que são a causa da miséria e infelicidade para os seres humanos. 

4. As duas curvas em ambos os lados da cauda do Faravahar, representam as forças positivas e forças negativas. A primeiro é dirigida para a face e indica que temos de avançar na direção do bem; a segunda localizada na parte de trás indica literalmente "dar as costas para o mal".

5. O anel no centro simboliza a eternidade do universo ou a natureza eterna da alma. Como um círculo, não tem começo nem fim.

6. Uma das mãos do ancião aponta para frente, indicando que há apenas uma direção para escolher na vida e "que é adiante". A outra mão segura um anel e alguns intérpretes consideram que assim como o anel de aliança de casamento, representa lealdade e fidelidade, que é a base da filosofia zoroastriana.
Mesmo após a conquista islâmica da Pérsia, o Zoroastrismo continuou a ser parte da cultura iraniana  nas festividades como o Ano Novo persa ou Nowruz, o "Festival de Outono" ou Mehregan e o "Festival do Fogo" ou Chaharshanbe Suri que são remanescentes destas tradições. Desde o início do século 20, o ícone Farvahar encontra-se em locais públicos e se tornou um símbolo conhecido entre todos os iranianos. Até mesmo o túmulo do poeta Ferdowsi, célebre autor do épico Shahnameh,  também contém o ícone Faravahar.
Após a Revolução Islâmica de 1979, o Leão e o Sol que faziam parte da bandeira original do Irã foram proibidos,  no entanto, os ícones Faravahar não foram removidos dos locais públicos. Hoje em dia é possível ver muitos iranianos  ao redor do mundo ostentando acessórios com o Faravahar como pingentes, camisetas, bonés e até mesmo tatuagens, embora seja usado como um símbolo nacional, em vez de um ícone religioso, apesar de não ignorarem suas raízes zoroastrianas.

Pingente de Faravahar 

Baseado em Iransara e Wikipedia.


Shahram Nazeri e Kamkaran - Durle Yaran

A maravilhosa parceria do lendário Shahram Nazeri com a tradicional família Kamkar de músicos do Curdistão, também conhecida como Grupo Kamkaran:


Shahram Nazeri, "o Pavarotti da Pérsia"

Maestro Shahram Nazeri
"Rouxinol da Pérsia", "Pavarotti iraniano", como apelidar a potência vocal,  a versatilidade e virtuosismo  desta lenda viva! Mestre Shahram Nazeri  nascido em uma família de músicos curdos de Kermanshah (1949),  é possivelmente ao lado de Mohammad Reza Shajarian o maior tenor iraniano de todos os tempos, responsável por uma genuína revolução na tradição musical de seu país. Há 35 anos ele foi o primeiro vocalista a introduzir a poesia de Rumi da tradição Sufi dentro da música clássica iraniana, e a despertar assim atenção do ocidente para a música do Irã e difundir uma mensagem de paz espiritual através da linguagem da música. Seu album Gol-e Sadbarg ("A Rosa de Cem pétalas") está entre os álbuns mais vendidos da música clássica persa e  Sufi na história. Outros de seus notáveis trabalhos são Yadegar Doust ("Em Memória de um Amigo") e  Sedaye Sokhan e Eshgh ("O som das Palavra de Amor").
Desde muito jovem, seu talento musical foi incentivado por seus pais e ao longo de sua infância, aprendeu a tocar o setar e estudou  técnica vocal e  sob a tutela dos mestres mais conceituados de música persa, incluindo Abdollah Davami, Boroumand Nourali e Karimi Mahmood. Aos onze anos,  fez sua primeira apresentação na televisão pela primeira vez e aos 29 sua prodigiosa técnica, estilo único e vocalises arrepiantes, já contavam com uma legião de fãs em todo o Irã. 

Nazeri: "O Rouxinol da Pérsia" o "Pavarotti Iraniano"
Nazeri foi um pioneiro ao cantar e compor música para a poesia do mais amado poeta e místico persa, Mawlana Jalal ad-Din Rumi e também foi pioneiro em assimilar a poesia persa contemporânea ao repertório clássico. Sua abordagem progressiva para a música o levou a novos projetos em parceria com seu filho,  Hafez Nazeri, apresentando no ano 2000 no Irã, o concerto "A Paixão de Rumi" que detêm o recorde da maior audiência  em todo o Oriente Médio. Seu prestígio internacional obtido graças a turnês bem sucedidas nos EUA, o levou a convites para falar em vários meios de comunicação, incluindo  aparições nos canais  BBC, Fox News e ABC NEWS.

Shahram e seu filho Hafez Nazeri 
Ele também recebeu o prêmio de maior prestígio da França os " Chevalier des Arts et Lettres " pela realizações de sua vida na música clássica persa e mais recentemente, o Ministério da Cultura no Irã  o nomeou como o maior artista de Música Sufi e Persa Clássica. As Nações Unidas o honraram com um prêmio de reconhecimento por sua contribuição lendária para o renascimento da música clássica iraniana e o nome de Nazeri também foi incluído na lista dos 500 muçulmanos mais influentes no mundo, pelo Centro Real de Estudos Islâmicos Estratégicos em Amã, Jordânia .
Ele já se apresentou em  importantes festivais de música em todo o mundo, e aqui no Brasil esteve presente no evento "Rota de Abraão - Sob o Signo da Tolerância" realizado pelo SESC Pompéia em São Paulo(2001).

Baseado em Site Oficial de Shahram Nazeri e  Wikipedia


Manuscritos persas do século XVI ilustram a vida de Rumi

O poeta e místico persa Jalaluddin Rumi (1207-1273), permanece como um dos mais amados e citados pensadores da história . Foram escritos diversos contos persas sobre a vida de Rumi , sendo o mais famoso escrito por seu filho e outros narrativas sobre os milagres de Rumi, compilados por seu neto e escritas pelo dervixe Shams al-Din Ahmad, chamado de Aflaki (c.1360). Em 1590, cerca de três séculos e meio depois dos escritos de Aflaki, o sultão otomano Murad III ordenou uma tradução turca de uma versão resumida do texto de Aflaki intitulado Tarjuma-i-i Thawaqib manaqib ("Astros da Lenda"). Duas cópias ilustradas da tradução de Murad sobreviveram, uma delas, data de 1599, se encontra no palácio Topkapi em Istambul e contém 22 miniaturas, a outra que data de 1590, com 29 miniaturas, está sob a guarda da New York Morgan Library .
Veja uma amostra da coleção da Morgan Library com raras pinturas e manuscritos datados de 1590, que trazem extraordinárias  ilustrações da "vida e milagres" de Rumi :


Um cortesão do sultão Seljúcida perturba a visita de Rumi a  sepultura de seu pai
Rumi deixa a  madrasa  Alawiyya  em Aleppo à meia-noite seguido por
seu professor Kamal Al-Din Ibn Cadim, Governador de Aleppo
Disputa religiosa entre Rumi e Qadi Siraj Al-Din Ormavi
Um jovem comerciante seguidor de Rumi cura
o gravemente enfermo rei franco no Egito
Um monstro aquático implora para que a esposa de Rumi interceda por ele
Cães em um mercado ouvem Rumi, que elogia sua compreensão e atenção 
Cena mística com Shams Al-Din Tabrizi e o reflexo do sol em uma piscina
Rumi passando um dia na casa de banhos 
Um touro fugitivo busca refúgio aos pés de Rumi
O Funeral de Jalal Al-Din Rumi



Baseado em artigo do site Brain Pickings


Mowlana Jalaluddin Rumi

Rumi (pintura de Hossein Behzad)
Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī  (1207-1273),  ou  simplesmente Rumi ou Mowlana (como é mais conhecido no Irã), nasceu na parte oriental do antigo Império Persa, perto de Balkh (atual Afeganistão). Seu primeiro nome significa literalmente "Majestade da Religião", Jalal significa majestade e Din significa religião, Rumi é também, um nome descritivo cujo significado é "o romano", pois ele viveu grande parte da sua vida na Anatólia, que era parte do Império Bizantino dois séculos antes. Por causa da ameaça de invasão mongol na Pérsia, Rumi mudou-se para Konya na Turquia onde estabeleceu-se até a morte e onde até hoje seu túmulo é considerado um local de peregrinação. 
Brilhante teólogo, poeta e místico Sufi, Rumi passou por uma transformação espiritual em 1244, após o encontro com Shams-e-Tabriz (Shams de Tabriz) e aos 38 anos de idade iniciou a sua obra-prima o Masnavi, que consiste em 24.000 versos. Sua outra obra famosa é o Divan e-Shams-e Tabriz (uma coletânea dos poemas  de Shams de Tabriz). O famoso livro Fihi ma fihi, ("Que contém o que há nele")é uma coletânea de setenta e uma palestras de Rumi compilada a partir das anotações de vários de seus discípulos. A poesia de Rumi tem uma conotação mística, que transmite  uma "línguagem universal da alma humana", por isso a ele é atribuído o título de  Mawlana que significa " nosso mestre".

“Vem, vem, seja você quem for, 
Não importa se você é um infiel, um idólatra, 
Ou um adorador do fogo, 
Vem, nossa irmandade não é um lugar de desespero, 
Vem, mesmo tendo violado seu juramento cem vezes, 
Vem assim mesmo.”

 ( Jalaluddin Rumi, Masnavi)

Um dos  instrumentos musicais  favoritos de Rumi  era o ney (flauta). Os poemas persas podem ser cantados ou lidos e segundo Rumi, a música pode ser também uma forma de zikr, isto é, a lembrança que não há outro Deus, além do Deus único, que em árabe é dito como La illa llah illaha.
Os trabalhos de Rumi influenciaram a literatura persa de tal forma que substituiram o árabe como língua literária no mundo islâmico persa, seus poemas  foram traduzidos para várias línguas e sua obra é conhecida em todo o mundo. Após sua morte, os seguidores de Rumi fundaram a Ordem Dervish Mevlevi, também conhecida como os "dervixes rodopiantes". A ordem Mevlevi encontra-se em Konya na Turquia e têm um grupo de músicos e dançarinos sufis que executam sua famosa dança ritual sama em todo o mundo.
Dervixes Mevlevi (página de um manuscrito persa)
Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança


Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?

Finalmente, foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo - um punhado de pó -
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Não durmas,
senta com teus pares

A escuridão oculta a água da vida.
Não te apresses, vasculha o escuro.
Os viajantes noturnos estão plenos de luz;
não te afastes pois da companhia de teus pares.

Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.

Sofreste em excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.

Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.

Oh, dia, levanta! Os átomos dançam,
As almas, loucas de êxtase dançam.
A abóbada celeste, por causa deste Ser, dança,
Ao ouvido te direi aonde a leva sua dança.

(Jalal Ud-Din Rumi)

Apesar de estar intimamente associado à tradição islâmica, a espiritualidade de Rumi sempre esteve voltada para a busca por "uma verdade" que transcende os limites entre as religiões. Seus ensinamentos filosóficos convidam a uma existência pacífica e tolerante entre todos os seres e são dirigidos a todas as pessoas, seja qual forem as crenças, que almejam encontrar respostas para as questões da vida.


Hassan Shamaizadeh - Karoun (Bandari)

Bandari é um estilo musical típico da região Sul do Irã, em torno do Golfo Pérsico. Característico por suas melodias agitadas e dançantes é a música mais festiva tocada em casamentos e outras comemorações. Este vídeo é um clássico de um cantor chamado Hassan Shamaizadeh, um ícone do anos 70 considerado por muitos iranianos um "cara ruim de voz", mas a música é super contagiante, tire a sala do lugar!!



Barobax - Susan Khanum

Barobax é uma banda underground formada por Khashayar, Keivan e Hamid3 rapazes de Teerã. Apesar de terem suas músicas censuradas no Irã, o trio tem sucesso garantido na internet e em emissoras iranianas de outros países. O nome da banda é tirado de uma  gíria dos bairros do Norte do Teerã,  bar o bacheh, que significa algo como "moleques" ou "manos". Neste video engraçadíssimo, os rapazes tentam conquistar uma certa "senhorita Susan" ...


Letra | Tradução
Susan Khanoom | Senhorita Susan

khoshkel khanoom, abroo kamoon, cheshm asalee, soosan khanoom | Bela senhorita, lindas sombrancelhas, olhos de avelã, senhorita Susan
khoshkel khanoom, abroo kamoon, cheshm asalee, soosan khanoom | Bela senhorita, lindas sombrancelhas, olhos de avelã, senhorita Susan

meekhom beeyam dare khoonatoon, | Eu quero ir até a sua casa
(nemeekhod beeyaye) | (Não quero que você vá)
harf bezanam ba babatoon, | E falar com o seu pai
(vaye nemeekhod agha) | (Ah, não faça isso moço!)

meekhom beeyam dare khoonatoon, |  Eu quero ir até a sua casa
harf bezanam ba babatoon, |  E falar com o seu pai
begam shodam asheghe dokhateretoon, |   e dizer a ele que estou apaixonado por sua filha! 
meekhom besham man doomaadetoon |  e quero ser o seu genro 

REFRÃO:
baba meekhom beeyam khaastegaari, |  Vamos, eu quero te pedir em casamento,
nagoo na, nagoo nemeeshe, |  Não diga não,
een ghalbe man aasheghe taaze ashegh taram meeshe | Meu coração te ama e irá te amar ainda mais

khoshkel khanoom, abroo kamoon, cheshm asalee, soosan khanoom, |  Bela senhorita, lindas sombrancelhas, olhos de avelã, senhorita Susan
meekhom beeyam dare khoonatoon, |  Eu quero ir até a sua casa
harf bezanam ba babatoon, |  E falar com o seu pai
begam shodam asheghe dokhateretoon, |   e dizer a ele que estou apaixonado por sua filha! 
meekhom besham man doomaadetoon |  e quero ser o seu genro 

meesham fadaat, | Eu vou morrer por você,
aasheghe cheshat, | e me apaixonar por seus olhos,
meerazam be paat, | e te darei,
to harchi meekhaye. | o que você quiser

hala name name, beeya too baghalam,  | Agora venha, devagarzinho para os meus braços,
soosan khanoom areh toyee taaje saram, | senhorita Susan, sim, você é tão importante para mim
vay name name, beeya too baghalam,  |  oh, agora venha, devagarzinho para os meus braços,
soosan khanoom areh toyee taaje saram |  senhorita Susan, sim, você é tão importante para mim 

meegam boos bokon azam, | Eu disse: beije-me Azam
migi esman soosaneh na azam, | você disse: meu nome é Susan, não Azam,
hala soosane soosane soozane moozane, | Não importa se é Susan, Susan, Suzan ou Muzan,
hari baashe soosan bashe | seja o que for, que seja Susan!
soosan kahnoom ye doone bashe | senhorita Susan é imcomparável
kafshaye sefeedeh paashe | ela usa saltos brancos

be chi meenazi bia peeshe ma | por que você é tão orgulhosa?
begardim too naseradishna  | chega mais perto do seu Naser 
een hame oh yekish ma | eu podia ser como os outros
beeya besheem sedish ma | e podia colar em você

shabee miyam dame dare khoone  | Uma noite eu irei até a sua casa
meedozdametmeebaramet zane khoone beshi | vou te sequestrar e torná-la minha esposa
sare do sal ra bendaazim | em dois anos 
ye nakhzane gondeye jooje keshi |  nós teremos um monte de filhos  
daamane kootah baram meepooshi  | e você vai usar saia curta para mim
manam shalvaare gol goliye keshi | e eu  vou usar um pijama colorido

nagoo nemeeshe | Não diga não
(na nemeeshe) | (Não quero!)
nagoo nemeekhaye | Não diga que não 
(na nemeekham) | (Não quero!)

nagoo nemeeshe | Não diga não
(na nemeeshe) | (Não quero!)
nagoo nemeekhaye | Não diga que não 
(na nemeekhaaaaaaaaaaaaam) | (Não querooooooooooooo!) 

Fonte: AllTheLyrics


Forough Farrokhzad: "A Casa é Escura"


Khaneh siah ast"A Casa é Escura" é um aclamado documentário curta-metragem de 1962 dirigido pela amada e controversa poetisa e escritora iraniana Forough Farrokhzad.
Não há palavras para descrever a genialidade deste filme que traz o cotidiano do leprosário Behkadeh Raji em um vilarejo azeri, fundado em 1961 por Farah Pahlavi e considerado um modelo de excelência no cuidado aos leprosos na época. Este é um filme realista, forte e incômodo, mas vale a pena ser assistido por dar voz e sentimentos a essas pessoas  invisíveis e intocáveis que vivem em uma sociedade a parte do resto do mundo.Mostrando de forma crua os efeitos devastadores da lepra e as condições de vida de pessoas que estão excluídas da sociedade por sua doença ao mesmo tempo que reflete sobre a beleza da criação através dos versos narrados pela própria autora trazendo passagens do Antigo Testamento, do Alcorão e de seus próprios poemas. Diz-se que durante as filmagens, a diretora se apegou tanto a uma das crianças do leprosário que acabou adotando-a posteriormente. Este foi o único filme dirigido por  Farrokhzad antes de sua trágica morte em um acidente de carro em 1967 aos 32 anos.
Apesar de este filme não ter sido muito divulgado fora do Irã em seu ano de lançamento, foi considerado um marco, que abriu caminho para o conhecido movimento New Wave do cinema iraniano. 

 ATENÇÃO: Este filme contém cenas impressionantes que podem chocar pessoas sensíveis 


Documentário completo | PB | 20 min | Legendas em Português


Mohammad Nouri - Iran Iran

Mohammad Nouri  (1929- 2010), considerado um ícone da música popular e folclórica do Irã. A canção patriótica "Iran, Iran", é uma das mais conhecidas e inspirou o patriotismo de iranianos ao redor do mundo  há três gerações antes e após a Revolução Islâmica de 1979.


ایران ایران - محمد نوری 

در روح و جان من می مانی ای وطن
به زیر پافِتَدآن دلی ، که بهر تو نلرزد
شرح این عاشقی ، ننشیند در سخن
که بهر عشق والای تو ، همه جهان نیرزد

ای ایران ایران دور از دامان پاکت دست دگران ، بد گهران
ای عشق سوزان ، ای شیرین ترین رویای من تو بمان ، در دل و جان
ای ایران ایران ، گلزار سبزت دور از تاراج خزان ، جور زمان
ای مهر رخشان ، ای روشنگر دنیای من به جهان ، تو بمان

سبزی صد چمن ، سرخی خون من ، سپیدی طلوع سحر ، به پرچمت نشسته
شرح این عاشقی ، ننشیند در سخن
بمان که تا ابد هستیم ، به هستی تو بسته

ای ایران ایران دور از دامان پاکت دست دگران ، بد گهران
ای عشق سوزان ، ای شیرین ترین رویای من تو بمان ، در دل و جان
ای ایران ایران ، گلزار سبزت دور از تاراج خزان ، جور زمان
ای مهر رخشان ، ای روشنگر دنیای من به جهان ، تو بمان

در روح و جان من می مانی ای وطن
به زیر پافِتَدآن دلی ، که بهر تو نلرزد
شرح این عاشقی ، ننشیند در سخن
که بهر عشق والای تو ، همه جهان نیرزد

Tradução em breve!!


Dia das Mães no Irã

Você sabia? No atual Irã, o Dia das Mães é comemorado no dia 20 do mês de Jumada al-Thani do calendário islâmico, que é o aniversário de nascimento de Hazrat Fatima Zahra (filha do profeta Maomé de sua primeira esposa Khadija). Deve-se notar que calendário islâmico utiliza o ano lunar, que é menor do que o ano solar,  assim o dia vai migrar através das estações do ano, e a cada ano ele vai corresponder a um dia diferente em outros calendários.
Fonte: Iranian.com


 
 !مامان روزت مبارک 
Feliz Dia das Mães!


O "novo" nome do Golfo?

O Golfo "sem nome"?
Será que está começando uma nova "guerra" no Golfo? Parece que sim, mas neste caso trata-se mais especificamente de uma "guerra pelo nome" do Golfo! Tudo começou quando o Google resolveu tirar o nome  de "Golfo Pérsico" do corpo de  de água que separa o Irã da Península Arábica. Isso mesmo! Uma área de quase  250.000 quilômetros quadrados transformados em um grande "sem nome"  no Google Maps. Este é um assunto que passaria despercebido para nós, porém causou um rebuliço geral em grande parte da comunidade iraniana que acredita ser mais uma estratégia do Ocidente para riscar o seu país do mapa.
No entanto a controvérsia gerada pelo Google é só uma das mais recentes sobre o nome do Golfo, que desde 1960 envolve desde a marinha dos EUA até a Revista National Geographic. De um lado está o Irã, que adotou nome persa do Golfo como um símbolo de grandeza nacional, do outro lado estão os países árabes do Golfo, que temem que o Irã esteja apostando uma reivindicação territorial.
Em 2010 a disputa ficou ainda mais evidente quando há dois anos atrás, os árabes do Golfo boicotaram os Jogos Islâmicos de Solidariedade, que estavam sendo sediados pelo Irã,  ao descobrirem que as medalhas e o logotipo oficial adotavam o nome de Golfo Pérsico. Mas os iranianos se recusaram a mudar qualquer coisa. No mesmo ano, mensagens de raiva dos iranianos começaram a aparecer no Facebook quando a marinha dos EUA despachou o porta-aviões  USS Abraham Lincoln para a região, ordenando que todos os funcionários utilizassem o termo  Golfo Árabico. 
Mesmo que a controvérsia sobre o nome do Golfo, no entanto, não tenha  nenhuma importância prática surtiu uma onda de desconforto geral chegando ao ponto de a revista National Geographic ser proibida nas  bancas de Teerã. Alguns anos atrás, quando a revista britânica The Economist publicou um artigo com um mapa referindo-se a "O Golfo", não havia um porta-voz da revista disponível para comentar, mas uma pesquisa informal revelou que ele estava usando Golfo Pérsico freqüentemente, inclusive em um artigo de 2010 sobre a controvérsia.A decisão do Google veio alguns dias depois do 30 de abril, o "Dia Nacional do Golfo Pérsico", no qual o Irã, comemora a batalha do século 16 em que a marinha iraniana derrotou os portugueses. Nenhum porta-voz do Google  pôde fornecer qualquer informação sobre esta decisão ou por que motivo foi tomada até agora.
Mas não é a primeira vez que o Google Maps é motivo de controvérsias políticas, pois anteriormente já teve que corrigir como ele exibe o nome de uma ilha microscópica no Estreito de Gibraltar reivindicada por Espanha e Marrocos depois de errar duas vezes. Um ano e meio atrás criou um incidente internacional quando um comandante do exército da Nicarágua, com base no Google Maps, moveu suas tropas em uma área que estava de fato no território da Costa Rica, abaixando a bandeira da Costa Rica e hasteando a bandeira da Nicarágua .No entanto, o Google parece ter uma tática diferente em seu site Google Earth, que mostra os contornos naturais do planeta com uma sobreposição de fronteiras humanas e nomes de lugares. A partir de segunda-feira, a hidrovia foi chamada tanto de Golfo Pérsico quanto de Golfo da Arábia, o último colocado logo abaixo.

Adaptado de artigo publicado no site Iranian.com