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Shadi Ghadirian: Mulheres entre a Tradição e a Modernidade

Shadi Ghadirian, Miss Butterfly#1/2011 
Shadi Ghadirian é uma artista contemporânea que faz questão de revelar ao mundo as múltiplas facetas da sociedade onde vive. Nascida em 1974 em Teerã, estudou fotografia na Universidade Azad e após sua graduação, começou a carreira profissional como fotógrafa e os temas de suas duas primeiras séries envolvem os contrastes e contradições do universo feminino no Irã atual.
A série "Qajar"(1998-2001) que esteve presente aqui no Brasil na exposição "Miragens" no CCBB-RJ e no Instituto Tomie Ohtake em SP (2011) é constituída por retratos de estúdio de mulheres trajadas no estilo Qajar do século XIX. O cenário foi pintado pela própria artista com base em fotografias antigas e as mulheres fotografadas são amigas e parentes de Ghadirian. No entanto a estes, são adicionados alguns objetos modernos ou dissonantes, como uma bicicleta, um jornal, um rádio ou uma lata Pepsi. Ghadirian brinca com estas justaposições e contrastes, expressando assim as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no Irã de hoje, divididas entre a tradição e a modernidade da globalização. Estes retratos mostram que estas mulheres ainda hoje estão inseguras a que era pertencem.



 Retratos da Série Qajar 

Em sua outra série Like Everyday (2000) após seu casamento com o colega e fotógrafo, Peyman Hooshmandzadeh  Ghadirian representa a rotina diária e repetitiva que muita vezes define o padrão de vida das donas de casa. As fotografias  mostram figuras envoltas em tecido estampado que lembram a clássico vestimenta iraniana, o chador. No entanto, no lugar de um rosto, cada figura tem um item doméstico, como um ferro, uma xícara de chá, uma vassoura, um pote ou uma panela.

Shadi Ghadirian, Série Like Everyday 
Seu trabalho está intimamente ligado à sua identidade de mulher muçulmana que vive e trabalha no Irã. No entanto, sua arte também lida com questões relevantes para as mulheres de todo o mundo, questionando o papel da mulher na sociedade e explorando as  idéias de censura, religião, modernidade e o status das mulheres. 
Com seu trabalho delicado e ao mesmo tempo irônico, Ghadirian tem conquistado o mundo da arte ocidental e seu trabalho está em museus e galerias em toda a Europa e nos EUA. Ela também tem sido destaque na mídia impressa e eletrônica (incluindo o New York Times, o Photography Now, o Daily Telegraph , a BBC e outros). Seu trabalho está também na coleção do Los Angeles County Museum of Art, entre outros.

Neste vídeo a artista fala sobre seu próprio trabalho e referências da história da fotografia iraniana (em inglês):

The Hidden World of Shadi Ghadirian from The Kitchen Sisters on Vimeo. 

Baseado em Wikipedia e site da artista Shadi Ghadirian.


Rituais de Nascimento no Irã

Mãe e bebê na Jameh e Masjid em Yazd
Para o povo iraniano o nascimento de uma criança é uma benção e também uma importante questão na vida dos casais. Casamentos sem filhos são uma fonte de preocupação especialmente para as mulheres, pois estas são as principais causas do divórcio ou da poligamia. Como o conceito de casamento no Islã compreende a geração de filhos como algo fundamental, crianças que nascem fora do casamento ou por meio de casamentos temporários são consideradas ilegítimas e não tem direitos assegurados por lei.
Famílias tradicionais, em especial na zona rural, tem uma preferência maior por meninos e os rituais de nascimento começam desde o início da gravidez, fazendo-se pedidos para que o novo bebê seja do sexo masculino, especialmente se a mãe já tiver dado a luz a meninas primeiro. Quando o  primogênito é um menino as famílias visitam os santuários e fazem promessas, doam esmolas aos pobres e ofertam o sacrifício de carneiros e ovelhas. Acredita-se que quando a mãe apresenta um aspecto saudável durante a gravidez , ela está esperando um menino. E do contrário quando a mãe tem erupções cutâneas ou outros sintomas similares, ela deve estar esperando uma menina. Após o 6º mês de gestação, acredita-se que o formato da barriga indica qual será o sexo do futuro bebê. Uma barriga perfeitamente redonda indica que será um menino, uma barriga mais pontuda indicaria uma menina.  Muitas vezes, o gênero da criança costuma determinar o status da mulher na casa, especialmente se o marido tiver mais de uma esposa.
A família da esposa fica encarregada de preparar o enxoval no 7º mês. Por ser o número 7 considerado sagrado pelos antigos zoroastrianos, este está ligado a boa sorte e normalmente cada criança recebe 7 conjuntos de roupas. A cor das roupas dos recém-nascidos é normalmente  branca, aludindo provavelmente as antigas tradições zoroastrianas. 
As meninas recebem como presente colares e braceletes de outro enquanto os meninos recebem um  pequeno punhal de madeira coberto de veludo verde. E as crianças também recebem talismãs contendo orações ou versos do Alcorão guardadas em uma caixinha dourada ou prateada coberta com pedras preciosas, que são colocados no berço para protegê-las do mau-olhado, espíritos maus, doenças, etc. 
Para os antigos iranianos, a função de parteiro era permitida aos homens, no entanto com as restrições da religião islâmica tal prática é permitida  apenas em casos especiais. A maioria dos iranianos modernos não segue a risca esta restrição, apesar de muitas famílias tradicionais preferirem uma médica obstetra. Até o século XIX, todas as parteiras que atendiam as mulheres muçulmanas eram também muçulmanas ou judias. Elas eram pagas pelo serviço e recebiam doces e frutas como presente. 
A escolha do nome do bebê se dá após 6 noites a partir de seu nascimento. É uma ocasião especial onde a família dá um banquete e chama um homem religioso ou o avô paterno da criança que pergunta aos pais que nome estes tem em mente ou sugere que escolham um nome corânico. Assim que é dado o nome ao primogênito masculino, a mãe recebe o título de valedeh (que significa mãe) acompanhado do nome de seu filho. Isto é, se o nome escolhido para o menino for Ali, a mãe irá ser chamada de valedeh e Ali (que significa, "mãe de Ali").
Nas áreas urbanas é mais comum que todos escolham nomes islâmicos, enquanto nas tribos nômades e na zona rural alguns escolham nomes persas antigos. Os muçulmanos são recomendados pelos cartórios a escolher nomes apropriados a sua religião. Por exemplo, meninos xiitas nunca recebem o nome Umar. O nome do profeta Mohammad, assim como os nomes de seus familiares e dos imames são os mais populares. E assim como os católicos, os muçulmanos xiitas do Irã acreditam que o nome de um santo confere uma proteção particular a criança que recebe aquele nome e muitas vezes o nome é escolhido com base na data de nascimento.

Baseado em artigo do site Culture of IRAN .


Mohsen Chavoshi - Bazare Khoramshahr

Mohsen Chavoshi é um cantor e compositor nascido na cidade de Khoramshar no Sul do Irã. Com mais de 10 anos de carreira, ele é um representante do gênero farsi pop, e combina elementos do rock e da música folclórica iraniana em suas músicas. A canção Bazare Khoramshahr, faz parte do álbum "Jacket" de 2010 e é uma amostra do estilo Bandari (que significa "do porto") cantada no dialeto característico da província do Khuzestan.


بازار خرمشهر - محسن چاووشی 

تو هوای گرم بندر توی بازار خرمشهر

دیدُمت با ناشناسی نفسُم در نمیاد

قلب مو ضعیفه دختر داره بوم بوم میزنه
اون غریبه کی باته
چی میگه بت چی میخواد ، چی میخواد

عینک ری بن اصلُم ، هرچی دارُم مال تو
نفسام تویی تو دختر همه دردات مال مو

میخرُم سال دیگه واست اِلنگوی طلا
تا ابد به پات میشینُم ، پات میمونم وُلله

پات میمونم وُلله ، پات میمونم وُلله

قسمت میدُم بمون جون ننت ، جون کاکات
قربونت برُم الهی ، قربون جفت چشات

اگه پولام و بدن واست عروسی میگیرُم
روزی صد هزار دفعه برای چشمات میمیرُم

برای چشمات میمیرُم

میرم و دخیل می بندم جمعه شب سید عباس
بیا و رحمی بکن به این دلی که تنهاست

دس و دس نکن ننه ، دختر و داره می پره
مرگ مُو کاری بکن ، عشقمُو داره می بره

عینک ری بن اصلُم ، هرچی دارُم مال تو
نفسُام تویی تو دختر همه دردات مال مو

میخرُم سال دیگه واست اِلنگوی طلا
تا ابد به پات میشینُم ، پات میموُنم وُلله

پات میموُنم وُلله ، پات میموُنم وُلله
Letra do site: Iran Song


Bashu, o Pequeno Estrangeiro


Salam! Após um bom tempo sem falar de filmes, gostaria de relembrar uma história muito especial que mostra com muita maestria a diversidade étnica do povo iraniano e a superação do preconceito racial. É difícil esquecer uma história tão marcante como "Bashu, o Pequeno Estrangeiro" (Bashu Garibehye Kuchak), lançado em 1989 e dirigido por Bahram Beizai. O mais interessante é que este foi o primeiro filme iraniano multi-étnico e a fazer uso do dialeto persa, Gilaki do Norte do Irã. Temos também a atuação brilhante de Susan Taslimi, como a camponesa Na'i que pertence a etnia Gilaki na vida real.

A história tem como pano de fundo a época da Guerra Irã-Iraque, e começa quando  o menino Bashu (Adnan Afravian), natural da província de Khuzestan, no sul do Irã , perde seus pais durante um bombardeio na sua aldeia, mas consegue se salvar fugindo em um caminhão de carga que o leva para o norte. As cenas do bombardeio e lembranças quase fantasmagóricas de sua mãe e familiares mortos surgem a todo momento assustando o garoto e evidenciando o seu trauma psicológico. Por um eventual acaso, Bashu encontra refúgio na fazenda de uma mulher Gilaki chamada Na'i, que é mãe de um menino e uma menina. O primeiro encontro é ao mesmo tempo cômico e estranho, quando Na'i repara na cor da pele escura de Bashu e tenta até mesmo lavá-lo com água e sabão (para tirar aquela cor estranha), mas depois seu instinto maternal fala mais alto e ela decide cuidar do menino órfão mesmo sem saber sua origem. No entanto Bashu, é desconfiado e ainda está muito assustado com o novo ambiente verdejante do Norte, muito diferente do árido sul de onde ele provém e da camponesa que não lembra nem de longe sua mãe. O garoto resiste por muito tempo, fugindo de Na'i, mas ao passar uma noite chuvosa fora de casa, acaba adoecendo. Porém, com os cuidados e as orações de Na'i ele se recupera e os dois passam a relacionar-se como mãe e filho e o garoto passa a ajudá-la no trabalho da fazenda expressando sua gratidão. 
Bashu o menino do Khuzestan (Adnan Afravian)
Na'i , a mulher Gilaki (Susan Taslimi)
No entanto ainda resta mais uma barreira entre os dois, que é o idioma, pois Bashu fala árabe, ao passo que  Na'i e seus filhos falam o dialeto Gilaki. Mas notamos em alguns momentos que Bashu é perfeitamente capaz de falar e ler persa porque constantemente ele aparece lendo um livro escolar e as cartas que chegam do marido de Na'i, um ex-combatente que está em outra província a procura de emprego. Em uma das cartas ela conta a seu marido sobre Bashu, e implora a ele que volte logo para casa, porém ele escreve de volta respondendo que não está muito contente com a ideia de chegar e encontrar um menino estranho em sua casa.  
Daí então, começa um falatório geral das outras pessoas  na aldeia sobre a decisão de  Na'i de ficar com o menino estrangeiro. Muitos fazem comentários maldosos sobre a cor da pele do menino, chamando o de "carvão" e o seu estranho dialeto, dizendo até mesmo que é de mau agouro. Mas em uma cena heróica, o menino consegue calar a todos quando pega  um livro da escola e lê em voz alta um trecho em persa que diz: "Nós somos todos os filhos do Irã". 
O menino estrangeiro desperta  curiosidade no vilarejo
A vizinhança começa a se intrometer e a falar mal do Bashu...
Finalmente, o marido de Na'i (Parvis Pourhosseini) retorna para casa, mas sem dinheiro e sem um braço, provavelmente ferido na guerra. Ele e Na'i discutem sobre a decisão dela de ficar com Bashu sem o consentimento dele. Mas o desfecho do filme é surpreendente quando o homem encontra Bashu e diz ser "seu pai", e o abraça como se ele sempre tivesse sido parte daquela família. 
Este filme clássico, sem dúvida me conquistou, por estar longe de qualquer clichê. É um filme movimentado do início ao fim, com momentos divertidos e dramáticos na medida certa. E também  merece destaque a protagonista Susan Taslimi ao representar com talento excepcional uma mãe de família, que mesmo enfrentando todas as dificuldades de estar cuidando sozinha dos filhos, da casa e da fazenda ao mesmo tempo, não se deixa jamais abater e não se rende as fofocas dos vizinhos. Ela é a meu ver uma dessas super mulheres que devem existir em todos os tempos e lugares, mostrando ao mesmo tempo sua força com seu grito pitoresco de espantar javalis (!) e seu grande coração e doçura maternal. Ao mesmo tempo ela demonstra uma fé inabalável e um amor incondicional ao esperar  meses por seu marido mutilado e aceitar um menino tão diferente como filho.
Nessa família sempre cabe mais um...
Eis a maior lição: família unida supera qualquer barreira.
A história de Bashu, apesar de ser conhecida por poucos já foi eleita como o "Melhor Filme iraniano de todos os tempos "em 1999 por 150 críticos e profissionais de cinema. O filme foi  também destaque da 14ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 1990.



Aulinha de Persa 8- Advérbios de Tempo e Frequência

Farol de Anzali, no Mar Cáspio
Salam! Hoje vamos aprender alguns advérbios de tempo e frequência em persa, indispensáveis para estruturar uma boa conversação no dia-a-dia:

دیروز /dîrûz/ - ontem

امروز /emrûz/ - hoje

 فردا /fardâ/ - amanhã

 به سرعت /beh sur'at/ - depressa

 به آهستگی /beh âhestegî/ - devagar

همیشه /hamîcheh/ - sempre

 گاهی /gâhî/, بعضی وقتها /ba'dî vaghtihâ/ - às vezes

 اکنون /âknûn/ - agora

 هرگز /hargez/ nunca

 بعد /ba'd/ - depois

 امشب /emchab/ - à noite

 امروز صبح /emrûz sobh/ - (hoje) de manhã

هفته پیش /haftehie pîch/ -  semana passada

هفته آینده /haftehie âiendeh/ - semana que vem

Observe a localização do advérbio na estrutura da frase em persa e compare com a da frase em português:

 .بعضی وقتها  کتاب میخوانم
/ba'di vaghtihâ ketâb mîkhonam/
Às vezes eu leio um livro.

.من هرگز سیگار نخواهم کشید
/man hargez sîgâr nekhoham kashîd/ 
Eu nunca vou fumar.

DICA: se encontrar dificuldade em pronunciar alguma palavra, tire suas dúvidas copiando e colando a frase no site Forvo: o guia de pronúncias. 


Sizdah-Bedar, o feliz encerramento do Nowruz

Hoje os iranianos celebram o 13° dia do Ano Novo, que marca também o fim das férias escolares para as crianças e a volta ao trabalho para os adultos. Neste dia as famílias deixam suas casas e fazem passeios ao ar livre, jogos e piquenique nos parques ou nas montanhas em harmonia com uma nova estação que se inicia. Esta tradição é chamada Sizdah Bedar , que pode ser traduzida como "evitar o dia 13", ou "dia 13 fora de casa" (sizdah significa 13 que muitos acreditam ser um número de azar). Este divertido passeio envolve todos os membros da família e destina-se a encerrar a as comemorações do Nowruz de forma positiva e relaxante. O conceito de evitar o número treze simboliza o desejo de afastar todo o mal no ano novo.
Famílias celebram o Sizdah Bedar em parque de Teerã
Este é o último dia de comemoração do Nowruz e a vida voltará ao normal, no dia seguinte. As escolas reabrem e as lojas, escritórios e agências do governo voltam à atividade. Então para muitos, essa é a última chance de passar um tempo livre com a família e os amigos e apreciar o  frescor da primavera.
Acredita-se que Sizdah Bedar também seja um dia especial para pedir a benção da chuva. No Irã antigo, cada dia tinha seu próprio nome e pertencia a um anjo diferente. O dia 13 de Farvardin pertencia ao anjo da chuva que é retratado como um cavalo, portanto o Sizdah-Bedar é também um dia propício para os jogos competitivos em especial aqueles que envolvem cavalos.
Neste dia, as moças e rapazes dão um nó em uma folha de grama e fazem um pedido para que possam encontrar um bom marido ou esposa. Quando o nó se abrir (acredita-se que) a sua sorte será aberta e os seus desejos se tornaraão realidade. Recém-casados ​​também fazem este ritual na intenção de terem um bebê, uma casa ou outros desejos que queiram. A amarração da grama representa a união de um homem e uma mulher. Esta é a canção que as meninas cantam enquanto fazem o nó: "Sizdah-Bedar sal-e deegar khooneh shoohar, bacheh baghal", que se traduz em: "No próximo Sizdah-Bedar, na casa do meu marido, segurando um bebê!"
Um outro ritual interessante realizado no final do dia de piquenique é o de jogar fora o sabzi utilizado na mesa do Haft-Sin. Acredita-se que o sabzi  tenha recolhido todas as dores, doenças e males no caminho da família durante todo o ano que vem! Isto significa que tocar o sabzi de outra pessoa ou trazê-lo para casa não é, portanto, uma boa ideia e pode resultar na absorção de sua dor e sofrimento.

Moças solteiras fazem o ritual de dar um nó em uma folha de grama
O ritual de jogar fora o Sabzi
Fonte: Farsinet.com