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Khosrow Hassanzadeh: o pintor da memória e das tradições familiares

Série "Terrorista": Khosrow (auto-retrato)  2004
Serigrafia e acrílica s/tela 
Khosrow Hassanzadeh, nasceu em 1963, de uma família Azeri em um bairro tradicional do sul de Teerã. Após a morte de seu pai, sua mãe, Najibeh, criou seus filhos sozinha e isso, inspirou as imagens femininas em muitos de seus trabalhos. Na sua juventude, entusiasmado com os ideais da Revolução Islâmica de 1979 participou voluntariamente da implantação dos Basidji na província do Baluchistão para lutar contra traficantes de drogas. Mais tarde, foi recrutado para as forças militares que defenderiam o país na guerra Irã-Iraque onde testemunhou a morte de muito de seus amigos. Khosrow tornou-se muito afetado por este trágico acontecimento e tentou expressar suas emoções através de suas pinturas. Ele estudou na escola Mojtama-e-Honar e no ateliê de Aydin Aghdashloo em bairros ricos da zona norte de Teerã, mas logo, desistiu de seus estudos artísticos e abriu sua própria loja de frutas em um bairro do sul para sustentar sua família e pagar as mensalidades do curso de bacharelado em literatura persa. Naquela época, ele começou a pintar mais e à noite, em embalagens de papel para maçãs, uvas, tangerinas e romãs. Alguns anos depois Khosrow começou a escrever críticas de arte nos jornais e parou de vender frutas para expor suas obras dentro e fora do Irã. Seu talento foi logo reconhecido por instituições famosas tais como o Museu Britânico, o Banco Mundial, o Museu de Arte Contemporânea de Teerã, Channel 4 e BBC, que fez um documentário sobre o artista. As principais mídias usadas por Khosrow são serigrafia, pintura e técnica mista e seu trabalho se aproxima da Arte e Linguagem e dos movimentos da arte conceitual, embora seja considerado por muitos como um artista político abordando temáticas religiosas e tradicionais iranianas. Em sua série "Chador" não está nem a favor nem contra o uso desta vestimenta e de seu significado político, mas a preocupação de Khosrow é a "a mulher em si, além e através do véu". A série "Ashura", em colaboração com o fotógrafo Sadegh Tirafkan, foi exibida em Beirute e no Museu de Arte Contemporânea de Teerã , como parte da primeira exposição de arte conceitual do Irã. Atualmente Khosrow vive em Teerã, onde trabalha em seu atelier na Avenida Manouchehri.
Da Série "Guerra" 1998
Acrílica s/ papel
A série "Guerra" de Khosrow Hassanzadeh, foi seu primeiro trabalho conceitual. As pinturas foram feitas sobre papel de embalagem de frutas e expressam o trauma de sua experiência pessoal na guerra Irã-Iraque. As cores escuras e sem brilho que mostram cadáveres, envoltos em mortalhas brancas, contrastam com a glorificação, colorida e brilhante da vitória e do martírio como apresentação oficial da guerra.
Da Série Ashura , 2000
Acrílica, nanquim e pastel s/ papel 
Na série "Ashura", Khosrow descreve a guerra e as mulheres iranianas, de uma forma muito pessoal. Sua visão é ao mesmo tempo terna e irônica com a intrusão de alguns elementos modernos ou clássicos, tais como miniaturas persas.
Da Série Chador 2000
Lápis de cor e colagem s/ papel 
Segundo Khosrow, essa série foi inspirada pelas mulheres de sua família e comunidade que ainda usam o chador até mesmo em casa. Lembrando com nostalgia a beleza, elegância e feminilidade dos chadors coloridos, usados pelas mulheres iranianas antes da revolução, agora o chador é politizado e preto.

Série "Terrorista": Najibeh 2004 (Retrato da mãe do artista )
Serigrafia e acrílico sobre tela
Nesta série o artista faz vários questionamentos sobre o conceito internacional de terrorismo, representando a si mesmo e pessoas de sua família, como terroristas. Mostrando que por trás de todos os rótulos, estes retratos representam nada mais que pessoas com genuínas preocupações familiares, religiosas e tradicionais que estão ocupados vivendo suas próprias vidas.

Da Série Haft Khan, 2010
Pintura s/Cerâmica
Neste série, Hassanzadeh traz o seu envolvimento com as tradições populares e o imaginário visual do Irã em cerâmica. "Haft Khan" é o primeiro trabalho do artista em cerâmica e em grande escala, e faz referência à abundância de azulejos existentes no Irã, encontrado sobre as cúpulas das mesquitas, ou nos mosaico nos interiores em padrões geométricos e florais. A composição representa lutadores de Pahlavan (uma arte marcial iraniana) ao lado de antigos manuscritos iluminados da Pérsia.

Fontes: Site do artista Khosrow Hassanzadeh e IranDokht


Seyyed Hassan, "o Homem que vive sob as Estrelas"

A história de um morador de rua de Teerã.

Os trabalhadores sem-teto de Teerã constituem um fenômeno social desconhecido para muitos. A única coisa que sabemos sobre eles é que na maioria das vezes, são imigrantes afegãos, curdos ou aldeões de outras minorias étnicas que tentam uma vida melhor na capital do Irã enfrentando condições precárias de vida. Mas a intenção aqui não é abordar os problemas socias do Irã,  mas conhecer um personagem real chamado Seyyed Hassan, um desses trabalhadores, uma incrível história de vida que vale a pena ser lida.

Próximo à Avenida Chamrun, há uma pequena praça conhecida como "Parque dos Varredores de Rua". Uma estátua de bronze de um varredor de rua, segurando uma vassoura, tem vista para uma piscina ornamental de água suja. À direita da estátua existem algumas bancos de pedra e em um deles um homem sem-teto está deitado. Mesmo com o tempo frio, ele está em um sono profundo sob o sol fraco de inverno. Em torno dele, estão os seus escassos pertences e um chapéu caído no chão. A fonte no meio da piscina não está funcionando. Um trabalhador do parque municipal com seu uniforme verde está debruçado esfregando a piscina com uma pequena escova. O morador de rua acorda, olha em volta, pega o chapéu, coloca-o sobre a cabeça, esfrega o seu rosto, e senta-se no banco.
Ele é Seyyed Hassan,  63 anos, estatura média, ombros largos, com os dentes superiores amarelados e sem os dentes inferiores. Seu rosto está coberto com uma barba branca. Ele raramente olha para você enquanto fala. Tem um rosto simpático, mas não há sorriso nele. As mãos são grandes e sujas, e há um anel de prata com uma conta de vidro em um dedo. Debaixo do seu casaco preto, ele está usando cinco ou seis camisas, um em cima da outra. Seu casaco empoeirado é abotoado até em cima e suas calças são de um branco sujo. Ele tem duas sacolas, uma pequena, e uma grande, envoltas com dois pedaços de lona. Estes são todos os pertences  de Seyyed Hassan.
Como se pode ouvir pelo seu sotaque, ele nasceu no bairro Galoobandak de Teerã. Trabalha como vendedor ambulante durante o dia, e dorme em parques da cidade à noite. Ele diz que vem para o "Parque dos Varredores de Rua" duas ou três vezes por semana e conta como veio parar nas ruas: "A primeira vez que deixei minha casa eu tinha 14 anos e era um adolescente tímido, mas deixei nossa casa porque meus pais brigavam o tempo todo, e eu não agüentava mais. Eu passei o dia andando pelas ruas até anoitecer, não tinha um centavo no bolso, estava com fome e o tempo estava muito frio. Mas meu orgulho não me permitia voltar para casa. Cansado e com fome, eu me encolhi em um canto da rua , mas mal conseguia dormir por causa da fome e do frio.
"De manhã eu comecei a andar novamente, com frio e fome. Ao meio-dia, deparei-me com um vendedor de rua, que vendia sanduíches perto de uma escola. Eu estava perto de uma árvore do outro lado dele, sonhando em ter um de seus sanduíches. Uma senhora estava passando, olhando para mim, ela perguntou por que eu não tinha roupas suficientes naquele clima frio, mas não respondi. Ela perguntou se eu estava com fome. Baixei a cabeça e não respondi novamente. Ela perguntou se eu queria um daqueles sanduíches, e eu disse: 'Não, obrigado! " Mesmo assim, ela comprou um sanduíche e me deu. Eu tinha vergonha de aceitar o sanduíche. Ela insistiu, e também me deu dois tomans dizendo que era para eu voltar para casa. Eu não podia aceitar o dinheiro, mas ela colocou na minha mão mesmo assim. Eu esperei até que ela fosse embora, e então comecei a comer o sanduíche. Eu estava tão ansioso para comer o sanduíche que eu achei que tinha comido a nota de dois Tomans com ele também! Eu lembro daquele dia como uma das minhas melhores lembranças."Soube que meus pais continuavam brigando. Eventualmente, encontrei alguns amigos, mas eles não poderiam preencher o lugar de meus pais. Sabendo da minha situação, alguns desses amigos realmente abusaram de mim. Acabei indo para a cadeia por causa de alguns deles. Eu fiquei realmente decepcionado, confiava neles e todos abusaram de minha confiança. Para ser um bom amigo, eu fiz tudo que podia para eles. O pior deles foi o meu melhor amigo que me deu um pacote para entregar, que depois descobri que continha drogas ilegais . Eu não conseguia entender por que eles estavam fazendo essas coisas. Por causa deles fui preso, mas todos eles disseram que não me conheciam. Uma vez, fomos para Shiraz, mas no meio do noite, roubaram meu dinheiro e meus pertences e me deixaram lá sozinho e eu tive que andar para Yazd, porque não sabia mais o que fazer. Eu estava tão envergonhado que  decidi ir a pé até Teerã. Na estrada, ajudei um homem que tinha um pneu furado, e ele concordou em me levar de volta para minha casa, em Teerã. Tudo isso aconteceu antes dos meus 30 anos.
"Quando fiz 30 anos, houve uma transformação em mim. Me tornei uma pessoa diferente. Foi como se eu nascesse de novo. O mundo passou a ter um significado diferente para mim. Eu percebi que se  fosse amigável com alguém acabaria por ser ferido novamente e percebi que o mundo está cheio de pessoas que deveriam ser gentis umas com as outras, mas elas não são. Ou seja, percebi que não conhecia mesmo este nosso mundo mas eu não queria me afastar dele, ao mesmo tempo que não estava disposto a fazer amizades com qualquer um também. E foi assim que eu escolhi  viver entre as pessoas , mas sem amigos e realmente não tenho porque reclamar. "
Seyyed Hassan não gosta de se misturar com as pessoas, por isso é difícil saber em que rua ele está em um determinado dia, e onde ele estará amanhã. Ele diz: "Se alguém quiser se aproximar de mim, peço-lhe para manter distância. Não é que eu não queira ser amigável, mas o significado da amizade mudou para mim. Eu não tenho muitos amigos, não confio em ninguém. Sempre que fico sozinho, penso em minhas filhas gêmeas. Eu converso com elas em minha solidão, como se elas estivessem sentadas ao meu lado, às vezes por horas e dias. "
Em 1985, durante a guerra de oitos anos entre Irã-Iraque, ele se casou com uma moça do norte. Por causa dos ataques de mísseis contra a capital, ela voltou para sua província natal para viver com seus pais. Seyyed Hassan retornou a Teerã, desistiu de sua casa de aluguel, e tornou-se um sem-teto. Ele costumava visitar sua mãe, que viveu em uma pensão depois de anos como operária da indústria têxtil, duas vezes por semana. Eventualmente, seu irmão insistiu para que ela se mudasse para uma casa de repouso em Kahrizak, mas ela morreu em 1995. Esta  foi  a mais amarga memória de Seyyed Hassan. Ele cortou o contato com seu irmão e se recusou a aceitar a sua parte da herança da venda da casa de sua mãe.
Seyyed Hassan fala de andar pelas ruas como um de seus doces-prazeres. Mesmo tendo frequentado a escola por apenas dois anos, seu domínio da língua é fenomenal. Ele diz que praticou as habilidades de leitura em sinais de trânsito e suas habilidades de fala, ouvindo atentamente as pessoas. Ele é muito educado e sempre diz 'Olá' aos transeuntes.
"Eles realmente não me incomodam, e estou feliz com isso. Muitos deles me evitam por causa da minha roupa, acham que podem ficar sujos. Mas eu os observo, ouço suas conversas, suas brigas e desavenças, descubro mais sobre seus problemas e dificuldades, mesmo sem perguntar-lhes. Infelizmente, não posso fazer nada por eles. Quem é que vai me ouvir? Eu gostaria de poder tomar alguns de seus fardos. Embora  tenho certeza que ficariam muito surpresos se me ouvissem dizer isso."
Ele  trabalha vendendo brinquedos nas ruas e ganha cerca de 15.000 tomans por dia ($ 7 a US $ 10, dependendo da taxa de câmbio). Ele utiliza cerca de cinco mil para seu alimento, e economiza 10. No final do mês, ele envia essa quantia insuficiente para a sua família, no norte. Ele percebe que não é muito, mas ainda é de alguma ajuda para eles. Quando fala sobre sua família, ele olha para longe e fala muito calmamente.
"Todos os meses, vou visitar minha família. Eu os vi no dia 16 do mês passado, e eu não irei novamente até depois da celebração do Nowruz. Isso será mais três meses. Eu sei que há um monte de gente se visitando durante o Nowruz. Não estou dizendo que não gosto de convidados e familiares que se visitam. Você sabe que eles dizem que os hóspedes são o dom de Deus. Mas a  casa fica muito movimentada e cheia e eu gostaria de ir lá quando é mais silencioso, para que eu possa ver as minhas gêmeas em paz.  Elas tem nove anos de idade e vão para a mesma escola que sua mãe ensina. Ela é professora da primeira série, e as minhas gêmeas estão na terceira série.
"Eu também tenho dois meninos, o mais velho é muito parecido comigo, muito calmo, e não fala muito. Ele está fazendo o seu serviço militar. Desde cedo, ele ganha a própria vida. Ele faz esculturas de sucata e as vende. Minha esposa é uma verdadeira trabalhadora. Durante a primavera, entre março e junho, ela  trabalha em plantações de arroz de outras pessoas. Ela tem que ficar com água e lama até os joelhos, lutando com sanguessugas e outros parasitas na água, curvada para plantar arroz. Como salário, eles lhe dão o arroz que é colhido. E assim ela tem arroz suficiente para o resto do ano. Ela é um trabalhadora, que sozinha, criou os filhos, e foi como um pai para eles também. "
Quando ele vai para casa, fica apenas quatro ou cinco dias. Ele gosta de ver suas gêmeas, mas prefere viver nas ruas de Teerã . A esposa de Seyyed Hassan sabe que seu marido não tem uma casa em Teerã, mas ela não pode fazer nada senão aceitar esse fato. Agora que ele está velho, não há trabalho para ele, no norte. Seyyed Hassan diz que não tem problemas com sua situação. Embora sua vida seja realmente dura, ele é grato por não estar mendigando nas ruas. Ele pode enfrentar dificuldades, como o frio de hoje, mas vê isso como uma atenção especial de Deus para com ele. Ele diz que, quanto mais dificuldades enfrenta, mais agradece a Deus.
Desde que  foi roubado, ele recolhe seus pertences todos os dias e os carrega com ele. O roubo ocorreu há algum tempo. Como havia acontecido antes, alguns trabalhadores municipais lhe disseram para não retornar a um certo parque. Eles também proibiram-no de usar um armário próximo. Com a perda de seu inventário, ele teve que ir ao bazar e adquirir brinquedos a partir de seu fornecedor regular por parcelamento, de modo que ele tem algo para vender e viver. Agora ele anda pelas ruas de Teerã com sua sacola na mão e passa a noite em qualquer esquina. Ele odeia ser incomodado, e essa é a razão pela qual ele não fala com ninguém sobre sua vida. Até hoje, os trabalhadores da polícia municipal o deixam em paz. Eles não perguntam de onde ele vem, nem para onde ele vai. Ele segue seu caminho durante todo o dia e não pede a ajuda de ninguém.
Seyyed Hassan acompanha o noticiário do dia. Ele odeia as guerras e gosta de ver todos felizes e contentes. Deseja que a injustiça em todo o mundo pudesse ser erradicada. E diz que se pudesse nascer de novo, pediria a Deus para nascer como um guia,  para resolver os problemas das pessoas e dar-lhes de volta suas esperanças perdidas e felicidade. Embora ele não acredite em reencarnação.

Adaptado do artigo de Abi Mehregan, para o Tehran Bureau.


Moein - Majnoon

Nasrollah Moein é um cantor pop iraniano muito famoso por suas canções de amor desde a década de 80.  Este é o vídeo de sua mais nova música, que faz alusão ao lendário romance de "Leila e Majnun" do poeta persa Nizami.



Letra| Tradução
Majnoon | O Apaixonado (louco de amor)

Dard o balaat ghessehaat be joonam| Eu quero ter os seus sofrimentos e as suas histórias
Nazaar bishtar az in cheshm be raat bemoonam| Não me deixe esperar por você mais tempo
Majnoonam majnoonam |Estou apaixonado, estou apaixonado (ou eu sou Majnoon)
aasheghune mikhoonam| Eu estou cantando de tanto amor
Majnoonam majnoonam |Estou apaixonado, estou apaixonado (ou eu sou Majnoon)
Bi to man nemitoonam| Não posso ficar sem você

Bazaar dastaato tu dastaam| Ponha suas mãos nas minhas
Taa ye zarre aaroom besham| então eu ficarei um pouco calmo 
Leyliye man baash taa masle majnoon besham | Seja minha Leyli e então eu serei como Majnoon

Nazaar bi to tanhaa lahzehaamo por konam | Não me deixe passar os segundos sozinho 
Do ruze donyaa ro bi to azizam man sar konam | e viver os dias curtos da minha vida sem você
Bazaar fardaa baaz dobaare aaftaabi beshe | Deixe amanhã ser um dia ensolarado novamente 
Baa to shab o ruzam roshan o royaayi she | com você meus dias e noites serão de luz e sonhos 

Dard o balaat ghossehaat be joonam | Eu quero suportar seus sofrimentos e suas tristezas
Nazaar bishtar az in cheshm be raat bemoonam | Não me deixe esperar por você mais tempo

Majnoonam majnoonam |Estou apaixonado, estou apaixonado (ou eu sou Majnoon)
aasheghune mikhoonam| Eu estou cantando de tanto amor
Majnoonam majnoonam |Estou apaixonado, estou apaixonado (ou eu sou Majnoon)
Bi to man nemitoonam| Não posso ficar sem você

Shirine ghessehaaye man baash ey naazanin | Seja a Shirin das minhas histórias, oh minha amada 
Tak gole baaghe gole man bass hey naazanin |Seja a única flor do meu jardim, oh minha amada

Letra do site: Lyrics Translate


Nowruz: Haji Firuz, o divertido arauto do Ano Novo iraniano

Durante a celebração do Ano Novo iraniano, ou Nowruz, um bando de simpáticos trovadores, conhecidos como Haji Firuz, desfilam pelas ruas cantando e dançando com pandeiros, tambores e trombetas espalhando alegria e trazendo boas novas do ano que vem.
O nome do personagem vem de Khawja Piruz (Khawja significa mestre e Piruz significa vitória em persa). Com o rosto pintado de negro e vestidos com roupas coloridas de cetim e um chapéu em forma de cone, esta figura provavelmente seja um resquício dos antigos guardiães do fogo zoroastrianos (o rosto tem cor escura talvez por estar  coberto de cinzas).


Estátuas de Haji Firuz com os símbolos do Haft-Sin
Conta a tradição que o Haji Firuz era um homem com roupas vermelhas que ia de rua em rua cantando e tocando pandeiro na véspera de Ano Novo (que é também a véspera da primavera). Ele geralmente ia acompanhado por uma ou duas outras pessoas. Diz-se que ele e seus companheiros eram símbolos de um velho costume no Azerbaijão, chamado Chisdon Chikhdim, segundo o qual Haji Firouz cantava nas ruas para informar as pessoas que a primavera tinha chegado e que o inverno já passou. Em troca, as pessoas davam-lhe presentes ou dinheiro por ter trazido boas notícias.
Outros acreditam que o Haji Firuz está relacionado à criação de uma atmosfera feliz nas famílias. O Dia de Ano Novo deve começar com  felicidade e alegria para que durante o resto do ano as famílias continuem felizes.
E para aqueles que não querem deixar o personagem ir embora existem bonequinhos de Haji Firuz para todos os gostos, feitos de papel-marchê, biscuit e até mesmo bonecos dançantes (isso mesmo, igual aquele Papai Noel que dança e canta jingle-bells).

Canção do Haji Firuz

Hāji firouz-e /Sal-i ye ruz-e sal-i ye ruz-e.... É o dia do Ḥāji Firuz/ Uma vez por ano...
Hame midunan /Man-am midunam... Todo mundo sabe /Eu  também sei...
ʿEyd-e nowruz-e /Sāl-i ye ruz-e.... É o dia Nowruz /É uma vez por ano...


Um adorável bonequinho Haji Firuz  
Fontes: Farsinet.com e  Wikipedia


Jafar Panahi: "Isto não é um Filme"

Nem mesmo a mais rígida da leis pode aprisionar uma mente criativa. O cineasta iraniano Jafar Panahi, foi preso em 2010, sob a acusação de “fazer propaganda contra a República Islâmica”. Ele apoiava o candidato opositor Mir Hossein Mousavi e filmava, sem autorização do governo, um documentário sobre a onda de protestos contra os resultados das eleições que, no ano anterior, reconduziram Ahmadinejad à Presidência.
Enquanto esperava a revisão de sua sentença em prisão domiciliar, o cineasta, magro e abatido por uma greve de fome, foi filmado com um celular pelo amigo e diretor Mojtaba Mirtahmasb. Além dos seis anos de reclusão, sem poder viajar ou falar com a imprensa, Panahi foi proibido de filmar e escrever roteiros por 20 anos.
O cotidiano de Panahi, que conta sobre o filme que não pôde realizar sobre os protestos contra as supostas fraudes nas eleições de 2009, e de sua relação com o cinema, deu origem ao doloroso "Isto não é um filme" (2011). O longa saiu do Irã dentro de um bolo, em um pendrive, para estrear em Cannes e desatar protestos mundo afora pedindo a liberdade de Panahi. Mesmo assim, só foi libertado depois de dois meses encarcerado, uma semana de greve de fome e pagamento de fiança equivalente a 200 mil dólares.

O filme foi exibido em 2011 na 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. 


Título Original: In film nist
Irã (2011) Documentário
Persa/ cor/ 75 min
Direção: Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb
Produção: Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb

Fonte : "A Separação e o redescobrimento do cinema iraniano"  publicado no siteOpera Mundi e site da 35ª Mostra Internacional de Cinema 


Nowruz: O simbolismo do Haft-Sin

O Irã celebrou no dia 21 de março, o início do ano 1391 do calendário solar
 Uma das  tradições mais importantes do Ano Novo iraniano é o ritual chamado Sofreh-Haft-Sin (cujo significado pode ser traduzido como "Mesa dos Sete S").  Alguns dias antes do Ano Novo, o tapete ou a mesa da casa é coberta com uma toalha especial e sobre esta são colocados sete itens cada um iniciado com a letra Sin, ou "S" do alfabeto persa. O número sete é considerado sagrado no Irã desde os tempos antigos, e os sete itens representam os sete anjos anunciadores da vida-renascimento, saúde, felicidade, prosperidade, alegria, paciência e beleza.

A mesa tradicional do Haft-Sin é composta de:
  1. Sabzeh ou brotos, geralmente de trigo ou de lentilha representando o "renascimento".
  2. Samanu , um pudim cremoso feito com brotos de trigo comuns que ganham uma "nova vida" sendo transformados em doce, uma das receitas mais sofisticadas da culinária persa.
  3. Sib, significa maçã e representa "saúde e beleza".
  4. Senjed,  fruta, doce e seca da árvore de Lótus (típica do Irã), representa o "amor". Diz-se que quando a árvore de Lótus está em plena floração, a sua fragrância e seu fruto fazem as pessoas se apaixonarem e se tornarem alheias a tudo.
  5. Sir, que é alho em persa, representa a "cura das doenças".
  6.  Somaq, os gomos do sumagre, representam a cor do nascer do sol, representando a " vitória do bem contra o mal".
  7. Serkeh ou vinagre, representa  "amadurecimento e paciência".  
Diferentes elementos da tradição do Sofreh Haft-Sin
Além destes elementos, algumas famílias incluem à mesa outros objetos como velas, representando a luz e o calor com a chegada da primavera e o livro sagrado (Avesta, Torá, Bíblia ou Alcorão) de acordo com a religião da família. Após consumirem os itens simbólicos comestíveis, estes são substituídos por outros objetos (não comestíveis) que também começam com a letra S que podem ser: sekke (moedas), sonbol (jacinto), sepand (arruda), sepestan(sebestena), samovar (samovar). Algumas famílias também acrescentam ainda peixinhos dourados, um espelho, um relógio, uma flor de laranjeira flutuando em uma tigela d'água, ovos coloridos, romãs...

Todos os elementos da Sofreh começam com a letra S em persa. 
Vale lembrar que esta é uma tradição que remonta aos tempos anteriores ao Islã, mais exatamente as tradições do Zoroastrismo da antiga Pérsia. Os iranianos atuais não a celebram exatamente da mesma forma que faziam seus ancestrais, mas mantem alguns traços da antiga tradição por considerarem importantes seus valores espirituais.

As tradições do Nowruz remontam a Antiga Pérsia
Baseado em Farsinet.com


Nowruz: é Ano Novo no Irã!

Esta ilustração trás os dizeres Sal nu mubarek,
uma saudação comum no Ano Novo Iraniano.
Está chegando o Ano Novo iraniano que começa na primavera e é celebrado nos primeiros 13 dias da estação (normalmente em 21 º de março). Poucas semanas antes desta data, os iranianos fazem verdadeiros rituais de limpeza em suas casas como lavar tudo, pintar as paredes, se livrar das coisas velhas,  plantar sementes (normalmente de trigo ou cevada que é chamada Sabzi) em um vaso e decorar a plantinha com uma bela fita vermelha.  Flores como  tulipa , narciso e jacinto também fazem parte da decoração, assim  como um pote de vidro com um belo peixinho dourado. Com o início da primavera, toda a natureza se renova, para os iranianos assim que o Ano Novo começa todo mundo tenta renovar sua vida (tanto interiormente com exteriormente). Inimizades, ódios, dores e etc, são esquecidos e amizades, relacionamentos tornam-se mais profundos e significativos, por meio das visitas de  Ano Novo  a amigos e familiares. Esse dia de Ano Novo é chamado de Nowruz que significa "Dia Novo ou Vida Nova ". Segundo a filosofia iraniana antiga os 2 poderes: "Bem e Mal" em sua natureza estão sempre lutando um contra o outro e, eventualmente, o Bem derrota o Mal e estamos sempre em movimento das trevas para a luz. Isso sim é um modo otimista de encarar a vida, né? Enfim, na última quarta-feira do ano (Chahar shabe Suri), os iranianos têm um costume especial de montar uma pequena fogueira e saltar sobre ela cantando músicas sobre jogar toda a maldade, doença, ódios e inimizades no fogo para que ele queime as coisas más ...

Bonequinhos representando a mesa do Haft-Sin
No dia de Nowruz quase todos os membros da família usam roupas novas e sentam em uma mesa especial com 7 produtos, cujos nomes começam com a letra 'S' em persa (os Haft-Sin) e algumas coisas a mais como um prato de couve, alho fresco, um tipo de alimento preparado a partir de brotos de trigo, vinagre, sumagre, maçã, moedas, ovos pintados, doces e castanhas e cada um deles tem um significado especial. Na passagem do Ano Novo o chefe da família recita uma prece especial e então o membros da família se abraçam e comemoram. Durante esta época os iranianos tem feriados de 13 dias durante os quais visitam seus parentes e amigos ou enviam  cartões de Nowruz Mubarek e presentes. No 13 º dia (Sizdah Bedar) todos saem para um piquenique, jogam fora o Sabzi (plantinha germinada) e desfazem a mesa do Haft-Sin,  a partir do 14 º dia, a vida volta à rotina normal ... 

O Calendário Solar iraniano é um dos mais antigos e exatos do mundo, remonta há milhares de anos atrás. Em 2012, o Irã celebra o ano 1391 do calendário persa (não confundir com o calendário islâmico lunar). Durante esta semana vamos explicar aos poucos o significado de outras tradições importantes desta época.
Sal nu mubarek (Feliz Ano Novo iraniano) a todos os meus amigos iranianos!


Aulinha de Persa 7 - Os Dias da Semana

A Grande Masjed e Jame'h  (Mesquita da Sexta-feira) em Isfahan 
Salam! Chegou o momento de aprendermos os dias da semana em persa. Mas fique tranquilo porque nessa parte a língua persa é muito simples. Como o Irã é um país islâmico, o dia de descanso e oração para eles é a sexta-feira.
  • Dias da semana em persa se diz  روزهای هفته /rûzhâi-e-hafteh/.  
  • روزها /ruzhâ/ é o plural de روز /rûz/, que significa dia em persa.
  • Para dizer os dias da semana basta aprender que o  sábado é  شنبه /chanbeh/ e, assim os demais dias são formados pelos números de 1 a 5 seguidos da palavra /chanbeh/.
  • Exceto a sexta-feira جمعه /djom'eh/ , que recebe esse nome especial porque é um dia sagrado nos países islâmicos.
Assim temos:

شنبه /chanbeh/ - Sábado

یکشنبه /iekchanbeh/ -  Domingo

دوشنبه /dôchanbeh/ - Segunda-feira 

سه شنبه /seh chanbeh/ - Terça-feira

چهارشنبه /chahârchanbeh/ - Quarta-feira

پنج شنبه /pandj chanbeh/ - Quinta-feira

جمعه /djom'eh/ - Sexta-feira


DICA: Dúvidas com a pronúncia? Ouça os aúdios neste site > mylanguages.org.

Por hoje é só, desejo a todos هفته بخیر /haftehie bekheir/ que quer dizer, boa semana!


Kourosh Salehi: Arte e Identidade Iraniana

Nascido em Abadan no Irã em 1963, Kourosh Salehi iniciou seus estudos em pintura com seu pai e aos 12 anos se juntou ao estúdio de um pintor local para aprender as técnicas da pintura clássica persa. Em 1977, ele ganhou o  prêmio " jovem artista do ano" e uma bolsa para estudar na Europa onde ingressou na Waltham Forest College of Art, em Londres e na Universidade de Kingston, onde obteve seu mestrado em 1991. Salehi deixou o Irã e emigrou para a Inglaterra após a revolução Islâmica, e a identidade iraniana é uma parte significante de seu trabalho como parte de um grupo de artistas pós-revolução que juntaram tradições ocidentais e orientais inventando uma nova linguagem do exílio.
Salehi participou de exposições em grupo e individuais no Oriente Médio, Londres, Paris, Veneza e Amsterdã.  
Suas primeiras influências foram as pessoas ao seu redor, como seu pai que o levava a galerias e o encorajou a pintar e seu avô materno que lia para ele clássicos da literatura iraniana como o Shahnameh. Suas pinturas tem também a influência de elementos da pop-art utilizando técnicas variadas misturando materiais como cartas antigas, fotos, imagens digitais e desenho à mão livre que representam partes de sua vida pessoal através das quais o espectador é convidado também a compartilhar. Como artista ele trata de expressar seus sentimentos interiores como a melancolia e a solidão ao invés de lidar com assuntos sociais ou políticos.

Not that sort of Girl, Técnica Mista s/tela, 2010  
Walk on a Right Side, Técnica Mista, 2011   
Jack II, Técnica mista s/tela,  2011 
Além de pintura, Kourosh Salehi também trabalha com videoarte e seus curta-metragens geralmente são gravados no Irã abordando temas como memória, saudade e reconciliação.

B is for Bazzar: um vídeo de Kourosh Salehi



Kiavash - NoBahaar

Impressionante quantos talentos têm este rapaz, além de tocar a tabla, o daf e o sitar, ainda possui uma técnica vocal clássica. Neste vídeo, o jovem músico Kiavash  Teymourian de Teerã, também nos transporta para dentro de um de livro de poesia persa ilustrado com belíssimas miniaturas e caligrafias.


Roupas e Diversidade Étnica do Irã

Após séculos de migrações, invasões e contatos com outros povos, o Irã está longe de ser um país  homogêneo. Embora mais da metade da sua população seja composta de persas, o Irã também abriga diversos povos, como os turcos, azeri, afshari, bakhtiari, baluchis, gilakis (gilani), ghoochani, korasani, curdos, loris, mazandaranis, qashqais , shahsavan, turcomanos entre muitos outros grupos étnicos. Daí vêm uma grande variedade de roupas étnicas coloridas com estilos que variam de tribo para tribo. As vestes das mulheres são as mais vivas e marcantes em termos de estilo e cor.

 Baluchis                         
O termo baluchi significa "andarilho", um nome apropriado para esse grupo semi-nômade que percorre as regiões extremamente áridas do Sudeste do Irã e do Paquistão Ocidental. Camisas longas, calças folgadas e turbantes são o traje costumeiro para os homens. As mulheres também usam calças, com vestidos coloridos até o joelho. Este traje tradicional é usado por mulheres que normalmente têm de realizar trabalhos manuais nas aldeias, por isso o conforto e a mobilidade são essenciais. Os vestidos das mulheres muitas vezes são adornados com ricos bordados que são exclusivos desta região e não pode ser facilmente encontrados em outras partes do Irã. As mulheres baluchi também cobrem o cabelo com um lenço ou Sarig e um xale envolto sobre a cabeça. A joalheria baluchi inclui colares e pulseiras, juntamente com um broche de ouro chamado Tasni, que é usado para prender o vestido.


 Bakhtiaris                     
Os  bakhtiaris  habitam as regiões montanhosas do sudoeste do Irã, incluindo as províncias de Khuzestan e Isfahan. Embora sejam conhecidos por serem um povo majoritariamente nômade, muitos dos bakhtiaris estabeleceram-se em aldeias e cidades. As roupas bakhtiari são versáteis para proteger as pessoas de condições climáticas extremas. Os homens usam calças volumosas que fixam em torno de seus tornozelos com amplas faixas bordadas junto com  sua túnica e geralmente cobrem a cabeça com um capuz. As mulheres  usam um vestido longo e colorido e saias de várias camadas costuradas com fios brilhantes. Estas saias são combinadas com diferentes camisas, coletes e xales. Lenços longos e envoltórios para a cabeça também são comumente ornados com moedas e desenhos.

  Curdos                         
Os curdos estão espalhados em uma grande área do Oriente Médio, incluindo uma boa parte do leste da Turquia, nordeste do Iraque, em pequenos bolsões da Síria e do Irã. Apesar de serem um dos primeiros grupos da região (pelo menos desde o segundo milênio a.C), nunca tiveram o status de nação. De longe, os curdos têm a forma mais elaborada e diversificada de trajes tradicionais. Uma vez que vivem em regiões diferentes, as roupas também tendem a variar. Por exemplo, existem curdos de Sanandaj e curdos de Kermanshah. A maioria dos homens usam calças largas combinando com coletes e turbantes. As mulheres usam vestidos longos com calças e coletes. Tanto homens quanto mulheres geralmente usam cintos muito largos em volta da cintura. As mulheres curdas também gostam de usar muitas moedas e jóias costurados em seus lenços pendurados sobre a testa. O sapato tradicional curdo é chamado de klash.


 Ghashghai (Qashqhai) 
Muitos dos ghashghai permaneceram nômades ou semi-nômades, habitando principalmente a província de Fars no sudoeste do Irã. Como vários outros grupos minoritários no Irã, são de origem turca, orgulhosos e decididos sobre sua independência. Os chapéus dos homens ghashghai tem um formato redondo muito característico, geralmente feito de pêlo de ovelha marrom claro e muito maleável. As mulheres são conhecidas por suas roupas ricas e vibrantes, que inclui  saias de muitas camadas, túnicas brilhantes e lenços longos enrolados em volta do rosto. O lenço preso por um alfinete na parte inferior do queixo  é quase transparente deixando aparecer o cabelo. Além disso, muitas mulheres deixam aparecer mechas do cabelo de cada lado de suas faces. Em ocasiões especiais, elas também penduram pequenos enfeites como moedinhas sobre a testa. Durante as visitas às cidades, as mulheres andam com o chador negro, mas não sem permitir que alguns centímetros de seus vestidos coloridos apareçam por baixo.

 Ghoochani                  
Ghoochan é uma cidade famosa por ser o lugar onde Nader Shah foi morto (Tapeh Nader ou morro Nader) com verões quentes e invernos frios, a roupa nesta região tem que ser multifuncional e versátil. As saias das mulheres tendem a ser mais curtas e os sapatos tendem a ser feitos para longas caminhadas e escaladas. Os coletes e coberturas de cabeça têm cores brilhantes e padrões diversificados em todas as peças de vestuário.




 Gilaki (Gilani)               
A maioria dos Gilaki vivem ao longo do Mar Cáspio na verdejante província de Gilan, no noroeste do Irã. Sua língua é um dialeto do persa, e apesar de chergarem a mais de 2,2 milhões, os Gilaki não possuem registros escritos de sua cultura ancestral. As mulheres Gilaki normalmente vestem saias longas, com listras coloridas combinadas com camisas e coletes. Os lenços com franjas são mais luminosos e arejados do que os das mulheres de outras etnias. O traje dos homens é composto de camisa e calças tradicionais com uma faixa de algodão larga amarrada em torno da sua cintura e ocasionalmente um chapéu cilíndrico.


 Kashani                          
Kashan é uma cidade que fica na província de Isfahan e ao sul da cidade sagrada de Qom. Seu nome vem da palavra persa Kashi (azulejo). Kashan também é internacionalmente famosa pela fabricação de tapetes, seda e outros produtos têxteis. As roupas de Kashan tendem a ser claras e arejadas. O vestido Kashani para as mulheres possui uma saia longa e sólida, acompanhada de uma camisa comprida, com ornamentos e desenhos costurados à mão. Coletes de mangas compridas com grandes aberturas também são comuns e os lenços tendem a ser mais curtos. Em geral, o vestido é mais simples do que os de outras regiões do país.

 Khorasani (Kohrassan)   
Os  trajes do povo de Khorasan são tradicionalmente mais conservadores. Tanto os homens quanto as mulheres de Khorasan tendem a usar calças extra largas e as roupas tradicionais utilizam cores mais sólidas. Para os homens é comum uma camisa larga com uma gola redonda que às vezes, é combinada com um turbante. As mulheres, usam vestidos até o joelho ​​por cima das calças. Além disso, usam grandes xales  cobrindo a cabeça e o corpo, dependendo do clima e do tempo.


 Loris (Lurs)                    
Os trajes típicos de Lorestan são muito distintos e ornamentais. O vestido das mulheres Lori geralmente tem desenhos florais costurados à mão. Para cobrir os cabelos usam um grande lenço enrolado  em volta da cabeça,  ombros e  pescoço. As roupas, incluindo o colete tradicional longo, usado sobre a roupa e as calças também são distintamente decorados. O colete tem mangas mais curtas, revelando as mangas do vestido e a barra das calças também tem desenhos de listras. As mulheres geralmente usam cores mais brilhantes e femininas. Os homens tendem a usar os marrons e cinzas sóbrios não muito elaborados com casacos e coletes longos e largos e, às vezes  também usam chapéus.


  Mazandaranis              
A região Mazandaran é repleta de fazendas e se situa na área do Mar Cáspio no norte do Irã. A característica distintiva no vestido da mulher Mazandarani é a saia, que é geralmente mais rodada do que os outros trajes tradicionais . Dependendo da ocasião e da época do ano, as saias podem ser muito curtas usadas com calças por baixo. Os homens geralmente usam uma camisa de algodão simples com calças que são semelhantes à calças de caça. Muitas vezes são usados calçados, meias ou botas até a altura abaixo do joelho. Os chapéus dos nômades, feitos de pêlo de ovelha também são muito comuns entre os aldeães Mazandarani.


 Turcomanos                   
De origem turca, os turcomanos residem principalmente nas planícies de Torkman Sahra. A tribo Torkman no Irã, é proveniente principalmente da Turquia e também têm vestes diferentes e especiais. Para as mulheres, o traje é composto por um vestido longo com uma longa túnica aberta. Algumas mulheres geralmente ostentam o rosto coberto. As roupas tendem a favorecer tons terrosos, como vermelhos profundos e marrons escuros. As túnicas e as calças dos homens também consistem em cores sólidas e terrosas. Uma característica distintiva é a variedade de chapéus turcos usados ​​para protegê-los contra o frio dos invernos rigorosos.




Devido à riqueza da história e da cultura iraniana, a roupa sempre desempenhou um papel importante na definição das afiliações sociais, religiosas e de gênero de uma pessoa. Mais significativamente, ela constrói e incorpora as diferentes etnias. Infelizmente, a "globalização" tem marcado a extinção de algumas tradições iranianas, e está tentando eliminar várias outras. Com um pouco de sorte, preservar e recordar estes trajes tradicionais étnicos irá ajudar a evitar que uma parte importante do patrimônio do Irã desapareça completamente.

Adaptado do artigo escrito por Naw Diana Htoo do site IranDokht 


Leila Forouhar - Medley de Danças Folclóricas

Esta é se não me engano a primeira música iraniana que ouvi na minha vida, na voz da cantora e atriz Leila Forouhar que atualmente vive nos EUA. Neste vídeo dividido em 2 partes ela traz uma prodigiosa compilação de danças étnicas e dialetos de várias partes do Irã. Não sei distinguir com precisão de onde é o traje de cada bailarino, mas acredito que no primeiro vídeo o traje da primeira moça é mazandarani, o da segunda é gilaki. No segundo vídeo, o único rapaz é um turcomeno e a última, onde todos dão as mãos é certamente uma dança típica curda.



O Cinema Iraniano das Mulheres

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, quero expressar aqui minha admiração especial pelas mulheres iranianas, entre elas as grandes artistas que deixam a sua corajosa expressão como legado para uma nova sociedade que apesar de tantas restrições busca o desenvolvimento e a cultura com toda força e coragem. 
E não poderia deixar de falar do crescimento espetacular da escola de cinema iraniana que a cada ano lança novos talentos e revelações, muitos dos quais são mulheres.  Nas últimas duas décadas, a porcentagem de mulheres cineastas no Irã  tem sido maior do que na maioria dos países do Ocidente.
A escritora e diretora Rakhshan Bani-Etemad, é provavelmente a mais antiga e conhecida mulher cineasta do Irã com uma prolífico trabalho de documentários e filmes que tratam sobre problemas sociais desde a década de 80. A poetisa contemporânea Forugh Farrokhzad (1935-1967) também era uma cineasta conhecida por seu documentário "A Casa é Escura" (Khane siah ast, 1962),que trata sobre um leprosário no norte do Irã. E na nova geração, temos a menina prodígio Samira Makhmalbaf que dirigiu seu primeiro filme, "A Maçã", quando  tinha apenas 17 anos e ganhou o Prêmio do Júri em Cannes  2000 por seu filme seguinte "O Quadro Negro".
O trabalho da pioneira Rakhshan Bani-Etemad é um exemplo que inspirou muitas outras mulheres diretoras no Irã bem antes de Samira Makhmalbaf. 

Algumas das diretoras do cinema iraniano reconhecidas internacionalmente são:

Samira Makhmalbaf
Filha do diretor de cinema e escritor Mohsen Makhmalbaf. Samira Makhmalbaf pertence ao movimento New Wave do cinema iraniano. Estudou Psicologia e Direito na Universidade Roehampton, em Londres.
Rakhshan Bani-Etemad
Considerada a primeira mulher cineasta do Irã, seus filmes são aclamados em festivais internacionais e alcançaram grande popularidade. O longa metragem Nargess de 1992 é considerado um de seus melhores filmes.
Tahmineh Milani
Esposa do diretor e produtor  Mohammad Nikbin,  Formada em arquitetura, estreou como diretora em 1989 com o filme "Filhos do Divórcio". É conhecida por tratar de assuntos polêmicos como os direitos da mulheres e a Revolução de 1979.
Mania Akbari
Começou sua carreira artística como pintora e entrou no mundo do cinema como diretora de fotografia. Em 2002, estrelou o filme Dez de Abbas Kiarostami. Em 2005, escreveu, dirigiu e estrelou seu primeiro longa-metragem, 20 Fingers em 2007, dirigiu uma seqüência do filme  de Kiarostami intitulado 10 +4 (Dah Be Alaveh Chahar), no qual ela descreve sua batalha contra o câncer.

Marzieh Meshkini Makhmalbaf
Esposa do diretor Mohsen Makhmalbaf que escreveu o roteiro de seu primeiro filme, O Dia em que me Tornei Mulher (2000).

Hana Makhmalbaf
Irmã mais nova de Samira Makhmalbaf e filha dos diretores Mohsen Makhmalbaf e Marzieh Makhmalbaf. Seu primeiro filme foi o premiado E Buda Desabou de Vergonha (2007).
Parisa Bakhtavar   
É a esposa do diretor Asghar Farhadi e também autora de novelas. Seu primeiro filme Dayere-ye Zangi (2008) é uma comédia filmada em Tehran e escrita por seu marido.

Baseado em Wikipedia.


Kamran & Hooman - Messle Khodet

Esses são os irmãos Kamran e Hooman Jafari, nascidos no Irã de família armênia, radicados no Canadá e EUA. A dupla é fiel as suas origens cantando em língua persa e trazendo um estilo bem original baseado na mistura de ritmos do oriente com pop, dance e R&B. 



Letra Traduzida:

Mesle Khodet |"Assim como você"


Nemikham ye khune tu roya besazam | Eu não quero apenas construir uma casa em meus sonhos
Nemikham ghalbamo be hishki bebazam | Eu não quero deixar meu coração com mais ninguém
Nemikham taranam ba esmet shoro she | Eu não quero que minhas canções comecem com o seu nome
Dige gitaram nemige didanet arezoushe | Meu violão diz que não está mais interessado em te ver
Mesle tou nemikham be harkasi residam | Eu quero ser como você e dizer para todo mundo :
Begam ajibe dishab man khaabeto mididam | Oh,  eu estava apenas sonhando com você
Mesle to usher begam sheraye aasheghune | Fazer poemas românticos, como você fazia e dizer:
Begam tou ahle beheshti, jat tou aasemoune | Oh, você veio dos céus, do paraíso

Bego che juri besham mesle khodet | Diga-me como ser, assim como você?
Delamo be hame bedam mesle khodet | Meu coração é apenas para alguém que seja como você 
Pashimounam nasham mesle khodet | E não me arrependerei depois, assim como você?
Bego che juri besham mesle khodet | Diga- me como ser, assim como você?

Nemikham nameham tou daste tou baashe | Eu não quero que você receba as minhas cartas
Are behtare ke dige raahemoun joda she | Sim, provavelmente nossos caminhos precisam se separar
Ghalbamo man az tou haminja pas mikham | Eu quero meu coração aqui de volta
Mikham mesle tou besham man,  bahat rah nemiam

Mesle tou mikham man gom besham vase hamishe | Eu quero ir embora, para sempre assim como você 
Begam kar az kar gozashte, dir shode, nemishe, | E dizer:  é tarde
Mesle tou mikham az gerye ha rad besham | Nós não podemos fazer mais nada
Mikham pas beri mimiram be khoda rad besham | Eu não vou te entender, asism como você 

Bego che juri besham mesle khodet | Diga-me como ser, assim como você?
Delamo be hame bedam mesle khodet | Meu coração é apenas para alguém que seja como você
Pashimounam nasham mesle khodet | E não me arrependerei depois, assim como você?
Bego che juri besham mesle khodet | Diga- me como ser, assim como você?


Aulinha de persa 6 - As Cores

Salam, a nossa aulinha de hoje é uma "viagem pelas cores da Pérsia". Basta dar uma olhada nos jardins, nos tapetes persas, nas pinturas e até mesmo na arquitetura das mesquitas que vamos perceber um espetáculo de  muitas cores em toda parte. Então vamos  aprender como dizer o nome das cores em persa?
Interior da mesquita Nasr Al-Molk, Shiraz
  • Cor se diz,  رنگ /rang/ e cores se diz  رنگها /rang-hâ/.
  • Como na língua persa não têm distinção de gênero nos adjetivos, o nome das cores se usa em masculino e feminino indistintamente.
Qual é a cor do céu de Isfahan à noite?
  سیاه /siâh/Preto


E se o dia estiver nublado?
 خاکستری /khâkestarî/ - Cinza 

Qual é a cor do monte Damavand coberto de neve?
 سفید /sefîd/ - Branco
E qual é a cor do Mar Cáspio? 
آبی  /âbî/ - Azul


E um campo de chá na província do Gilan?
  سبز /sabz/ - Verde

A cor do saboroso chá persa é?
 قهوه ای  /ghahveh-î/ - Marrom



A flor de açafrão colhido no campo de Mashhad?
ارغوانی /ârghavânî/ - Roxo 


E o botão de tulipa no jardim de Shiraz?
 قرمز /ghermez/ - Vermelho


A a cor da fruta favorita do meu amigo de Bandar Abbas?
نارنجی /nârandjî/ Laranja


Lá em Qom existe uma mesquita com cúpula da cor do ouro que é?
 زرد /zard/ - Amarelo 



Espero que tenham gostado desta viagem colorida. Até a próxima. Khoda Hafez!


Afshin - Dokhtar Shirazi

Esse é o Afshin, um jovem cantor super famoso, que está apaixonado pela garota de Shiraz. Mas, reparem só que retrato paradoxal das garotas iranianas, literalmente jogando seus véus pelos ares e fazendo charminhos nas ruas! E ainda tem uma aventura "novelística" entre Emirados Árabes e Irã... 


دختر شیرازی - افشین

واسه یه لحظه دیدنش تا ته دنیا میرم
مثل تموم عاشقا دنیا رو کولم می گیرم

آخ یه دوست دختری دارم شر و شیطون و بلا
شهرو به هم می ریزه وقتی که میادش اینورا
یه آتیش پاره دارم وقتی که چشمک می زنه
دل همه اهل محلمونو از جا می کنه
عشق و صفای دنیا فقط تو این دو حرفه
دوست دخترم خوشگله و پوستش به رنگ برفه

آخ یه دوست دختری دارم شر و شیطون و بلا
یه تیکه الماس می مونه بین تموم دخترا
عروسک خوشگل و نازه عسله تو بغلی
هیچکی مثل اون نمی شه تو دلبری و خوشگلی
عشق و صفای دنیا فقط تو این دو حرفه
دوست دخترم خوشگله و پوستش به رنگ برفه

نکنه که دوسم نداره منو از یادش بره
واسه عاشق شدن این دلم همیشه حاضره
اگه بگه واسم بمیر لب تر کنه من می میرم
مثل تموم عاشقا دنیا رو کولم می گیرم
واسه یه لحظه دیدنش تا ته دنیا رو میرم
بهترین کادوی این دنیا رو واسش میگیرم
عشق و صفای دنیا فقط تو این دو حرفه
دوست دخترم خوشگله و پوستش به رنگ برفه
عشق و صفای دنیا فقط تو این دو حرفه
دوست دخترم خوشگله و پوستش به رنگ برفه

Letra do site : IranSong.com