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Breve história da bandeira do Irã

Representação da
Darafsh-e Kaviyan.
A primeira referência à bandeira iraniana tem origem no mito de Kaveh, o ferreiro, contra Zahhak, o governante tirano do seu tempo (descrito no Shahnameh pelo poeta Ferdowsi). Para liderar a rebelião, Kaveh não teve outra escolha, além de usar seu próprio avental de couro erguido na ponta de uma lança como bandeira. Como resultado desta revolta, Zahhak foi deposto e o rei Feridoun assumiu seu lugar e ordenou que a bandeira de couro fosse guardada em um invólucro confeccionado em rico brocado nas cores amarelo, vermelho e rosa com grandes pingentes de jóias preciosas. Assim decretou que a bandeira fosse chamada de Darafsh-e Kaviyan (a bandeira de Kaveh, em persa antigo) que, com base em evidências históricas, manteve-se a bandeira nacional e militar do Irã nas dinastias aquemênida e sassânida.
Quando os muçulmanos árabes invadiram o Irã, a darafsh foi recolhida entre os despojos de guerra e entregue ao califa Omar ibn-e-Khatab que ordenou a seus soldados queimá-la após remover suas jóias de valor inestimável. Nos próximos 200 anos, com o Irã sob o domínio dos árabes foi imposta a proibição religiosa de representar qualquer figura animada e as única exceção foram as bandeiras vermelha e negra utilizadas respectivamente pelos líderes Abu Moslem e Babak como símbolo da resistência iraniana. 
No ano 976, o sultão Mahmoud Ghaznavi desenvolveu a primeira bandeira simbólica que representava a imagem de uma lua cheia sob  um  fundo preto sólido. Cinqüenta e cinco anos mais tarde, a lua foi substituída pela figura de um leão por ordem do sultão Masoud Ghaznavi, cuja decisão foi meramente um reflexo de seu interesse pessoal por caçar leões. A figura do leão permaneceu com parte integrante da bandeira iraniana até  1979 mas foi removido após revolução islâmica. Existem duas teorias sobre a posterior adição da figura  do sol nascente na bandeira. A primeira argumenta que o leão, como o símbolo do poder, é também o sinal do segundo mês do verão, Mordad (ou Asad no calendário siríaco), durante o qual o sol está no seu zênite. E a segunda teoria é baseada no fato de que a antiga religião iraniana, o Mitraísmo, considerava o sol como algo sagrado por isso os iranianos, adotaram esse símbolo para glorificar a sua cultura magnífica.
Entre os safávidas, que governaram o Irã por mais de 220 ​​anos o rei Ismail I optou por uma bandeira verde com uma lua cheia no topo, ao invés da figura do leão,  enquanto o rei Tahmasb I, o substituiu por um  cordeiro, que representava seu mês de aniversário. Nos anos restantes da dinastia Safavid, o verde era a cor oficial da bandeira com os emblemas do leão e do sol bordados em ouro. No entanto, os safávidas reinterpretaram  o leão como símbolo do Imam Ali e o sol como símbolo da" glória da religião".

Bandeira do Irã antes de 1979.
Sob o reinado de Nadir Shah, fundador da dinastia Afshari a bandeira real era feita de seda amarela e vermelha com as tradicionais figuras do sol e do leão e formato triangular. Posteriormente, Agha Mohammad Khan, o fundador da dinastia Qajar, pela primeira vez ordenou que a forma da bandeira fosse mudada de triangular para retangular com fundo vermelho e no meio um círculo branco  com o sol e o leão. Surpreendentemente a figura do leão passou a empunhar uma espada! E a Fath Ali Shah  é creditada  a introdução da figura de uma coroa posicionada na parte superior do sol. O grande reformista iraniano e chanceler da dinastia Qajar, Mirza Taghi Khan, mais conhecido como Amir Kabir, ordenou a  adição de duas faixas, uma verde na parte superior e uma vermelha na parte inferior da bandeira. Embora tenha mantido as três figuras do leão, do sol e da espada, retirou a figura da coroa colocada por Fath Ali Shah.
Após a Revolução Constitucional Iraniana de 1906 decidiu-se que "as cores oficiais da bandeira iraniana são verde, branco e vermelho junto com os símbolos do leão e do sol". Verde, como a cor favorita do Islã,  vermelho como símbolo do sangue dos mártires e branco o símbolo universal de paz e a cor favorita do Zoroastrismo, a antiga religião do Irã pré-islâmico. Assim como o seu emblema passou a corresponder ao  título do Imam Ali (Asadullah, o leão de Deus).

Atual bandeira do Irã
A atual bandeira do Irã (em persa Parçam-e Irã ), aprovada em 1980, é um reflexo das mudanças trazidas pela Revolução Islâmica. Além das faixas horizontais em verde, branco e vermelho, traz no centro da bandeira o emblema desenhado por Hamid Nadimi, composto de vários elementos islâmicos estilizados que trazem a palavra Allah ("Deus") em um monograma com formato de tulipa. Escrito em branco nas bordas internas das faixas verde e vermelha é  repetida a  frase Allahu Akbar ("Deus é grande") no estilo Kufi da caligrafia árabe. 

Baseado em  Farhangsara e Wikipedia.


4 comentários

  1. Gostei muito da sua página, que li no Blog do Samy, na FSP. Tenho muita curiosidade sobre a Pérsia Irã e pretendo viajar para aquele país. Gostaria de dicas. Obrigado.

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  2. Muito obrigada por seu comentário, ainda não estive no Irã também, mas sempre mantenho contato com pessoas que moram lá. Continue acompanhando o blog, sempre que puder estarei postando dicas.

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  3. muito interessante, belo post!! são muito lindas *_*

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    1. Obrigada! Fico muito feliz por seu interesse de acompanhar os posts e conhecer a história do Irã.
      Um ótimo fim de semana!

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