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Salam 2013, sal-e nou mobarek! Um Feliz Ano novo!


Salam amigos do Chá-de-Lima da Pérsia! Nesta última postagem do ano quero agradecer a todos vocês que acompanharam o início e desenvolvimento do meu trabalho durante o ano de 2012. Quero agradecer pelas lições aprendidas com todos que me ajudaram através de sugestões, elogios, críticas construtivas e questionamentos. Cada comentário dos meus queridos leitores, também é parte deste trabalho, assim como as perguntas que me chegam por e-mail. Também tenho feito grandes amigos pela comunidade do Chá-de-Lima no Facebook e de outros blogs maravilhosos que sigo. 
A ideia de criar este espaço virtual não surgiu na minha cachola do dia pra noite, mas antes de tudo veio da vontade de compartilhar um sentimento que já estava contido em mim há muito tempo atrás: a paixão pelo Irã e sua cultura, que chegou até esta blogueira tupiniquim através do contato com pessoas na internet e assistindo algumas das preciosidades do magnífico cinema daquele país. 
Também devo confessar que não é fácil admitir um sentimento tão forte por um universo cultural tão distante de nós e que ao mesmo tempo seja alvo de tantas críticas. Meu desejo em 2013 é com muito mais experiências para compartilhar, continuar fazendo esse trabalho para todos que assim como eu estão em busca de um olhar diferenciado sobre a cultura do Irã.

Um grande e carinhoso abraço a todos os amigos da Pérsia no Brasil e no mundo!
Sal-e nou mobarek!

         سال نو مبارک       
  !!!۲۰۱۳   
     Feliz 2013!!!    


Nichos decorativos das casas iranianas

Eles fazem parte do estilo da maioria das casas tradicionais nas cidades do interior e nos vilarejos do Irã. Os nichos decorativos e prateleiras não são feitos apenas para guardar ou expor objetos como livros, fotografias, vasos com flores e bibelôs, mas são uma forma de demonstrar a personalidade e as crenças das pessoas que vivem nessas casas.










Imagens do site: Shahrefarang


Leila Esfandiyari, uma "dama das alturas"

Você sabia?
Leila Esfandyari, a primeira mulher iraniana
 a escalar uma das montanhas mais altas do mundo
Leila Esfandyari (Karaj, Irã 1970 – Islamabad, Paquistão 2011) foi a primeira mulher alpinista iraniana a escalar o Nanga Parbat nos Himalaias, a nona montanha mais alta do mundo com 8125 m de altitude e uma das mais perigosas. Leila é conhecida como a pioneira do movimento das mulheres alpinistas, sendo uma das poucas mulheres do mundo a realizar tal façanha.
Leila Esfandyari foi criada e educada em Teerã onde se graduou em microbiologia. Ela trabalhou como microbiologista em um hospital de Teerã, antes de deixar seu emprego para escalar o K2, no Himalaia (2010).
Em 22 de julho de 2011, ela completou a escalada do Gasherbrum II, um dos picos mais altos cordilheira do Karakoram. Minutos depois, no caminho de volta, seu pé escorregou no gelo e ela caiu de uma altitude 300m. Algumas fontes dizem que ela teria dito uma vez: "Se eu cair, deixe-me ficar onde estou."De acordo com seus desejos, seu corpo agora está nas alturas geladas do Himalaia.

Fonte: Wikipedia


É Natal também no Irã?!

Decoração de Natal  em uma rua de Teerã
Apesar de ser um país predominantemente muçulmano, o Irã tem uma população cristã considerável. A maioria dos cristãos iranianos são armênios também conhecido como Parska-Hye que seguem  o rito Ortodoxo Oriental do cristianismo e têm seus próprios festivais e tradições. Além deles, também há cristãos assírios, católicos, protestantes e evangélicos.
O Natal no Irã é conhecida como a "Pequena Festa"(a "Grande Festa" ocorre durante a Quaresma, as seis semanas que precedem a Páscoa). Para os cristãos devotos, este é um tempo de paz e reflexão.
Os cristãos assírios especialmente, durante os primeiros 25 dias de dezembro, observam um grande jejum, durante o qual nenhuma carne, ovos, leite ou queijo  é consumido. Quando acaba o jejum, começa a festa, onde é preparada a carne em abundância para a ceia de Natal. A Véspera de Natal é o último dia do jejum. No dia de Natal, antes do amanhecer, os cristãos vão à missa, e assim que tenham recebido a comunhão  são autorizados a quebrar o jejum.
Então, começam os preparativos para a festa de Natal.  O prato principal para o dia de Natal é uma espécie de ensopado de frango e cevada, popularmente conhecido como Harrissa,  preparado em grandes quantidades e consumido durante vários dias. 
Hoje em dia, a cultura ocidental e o fenômeno comercial do Natal estão influenciando o Irã e modificando os costumes. Durante a época, principalmente em Teerã, é possível encontrar árvores de Natal e papais Noel importados da China, além da decoração típica enfeitando casas, igrejas e escolas cristãs e também em algumas lojas e ruas. 
Embora não seja um feriado oficial no Irã, as festividades de Natal estão se tornando cada vez mais populares entre os jovens iranianos. Cumprimentos de Feliz Natal são trocados com entusiasmo entre os iranianos nas redes sociais. Isso, em parte pode ser explicado, devido ao fato de os muçulmanos também reconhecerem o nascimento de Jesus Cristo que é considerado dentro do Islã como um dos santos mensageiros de Deus. 

>> Veja neste vídeo, como alguns cristãos iranianos celebram o Natal :


Baseado em Tehran Bureau e TheHolidaySpot

       Feliz Natal!!      
    !عید کریسمس مبارک     


Festival de Yalda, a noite mais longa do ano

Melancia, romãs e frutas secas,
 alimentos típicos da Shab-e-Chelleh ou Yalda

Hoje, os iranianos comemoram a Yalda, como é popularmente chamada, a noite mais longa do ano no Hemisfério Norte, ou seja, na véspera do Solstício de Inverno.  Dependendo da mudança do calendário, é comemorada entre 20 e 21 dezembro ou 21 a cada ano.
A tradição da Shab-e Yalda (em persa "Noite de Nascimento") ou Shab-e Chelleh ("Noite dos Quarenta dias de inverno")  remonta aos tempos antigos. Os zoroastrianos acreditavam que era a noite do nascimento de Mitra, divindade persa da luz e da verdade.
Após a queda do Império Sassânida e com a chegada do Islã na Pérsia, o significado religioso do evento foi perdido, e como outros festivais zoroastrianos, Yalda tornou-se uma ocasião social da cultura iraniana, quando amigos e família se reúnem. No entanto, o costume de comer frutas frescas durante o  inverno é uma reminiscência do antigo ritual de invocar as divindades para pedir proteção.
O poeta  Saadi (séc. XIII) escreveu em seu Bustan: "A verdadeira manhã não virá, enquanto a noite de Yalda não se for".

Tradições da Yalda: Adivinhar a sorte através do Divan de Hafez
Nos dias atuais, embora a Yalda não seja um feriado oficial no Irã, as famílias continuam as tradições, assim como programas de rádio e televisão fazem uma programação especial.
Em muitas partes do país as famílias se reúnem e desfrutam de um bom jantar e muitas variedades de frutas e doces especialmente preparados para a ocasião são servidos. Em algumas regiões, acredita-se que  devem ser servidos 40 variedades de alimentos durante a cerimônia da Yalda. A fruta mais típica é a melancia, pois acredita-se que esta garante a saúde e o  bem-estar. 
Nesta noite, o membro mais velho da família faz preces, agradecendo a Deus pelas bênçãos do ano anterior, e reza pela prosperidade no ano que vem. Então ele corta a melancia e distribui a todos. 
Depois do jantar, as pessoas mais velhas contam histórias. E também, outro passatempo favorito desta noite é a adivinhação da sorte através do livro Divan de Hafez. Porém segundo a crença, ninguém deve tentar ler sua sorte mais de três vezes por esse livro, se não o poeta pode ficar bravo! 
Há outras crenças mágicas associada com a alimentação na noite de Yalda. Por exemplo, em Khorasan há uma crença de que quem come cenouras, peras, romãs e azeitonas verdes estará protegido contra a picada de insetos prejudiciais, especialmente escorpiões. Comer alho nesta noite protege contra dores nas articulações, etc.

Representação da Korsi,a tradicional mesa da Shab-e-Yalda
Os alimentos típicos da celebração da Yalda são normalmente colocados no korsi, uma peça de mobiliário tradicional semelhante a uma mesa baixa, coberto por cobertor. As pessoas se sentam em torno do Korsi e colocam as pernas debaixo do cobertor. Debaixo do korsi, o calor é gerado por meio de um aquecedor elétrico, a carvão ou a gás. 
Nesta noite, as noivas
recebem um presente do noivo
Outros costumes que fazem parte da Yalda são ficar acordado até a meia-noite, conversar, comer, ler poemas em voz alta, contar histórias e piadas, fumar ghelyoon (espécie de arguile) e dançar. 
Antigamente, quando não havia eletricidade,  a decoração e iluminação das casas eram feitas com velas, mas poucos continuam a seguir esta tradição. Outra tradição que está desaparecendo consiste em presentear amigos e família com pacotinhos de frutas secas e castanhas. Antes da proibição islâmica do álcool, beber vinho também era  parte desta celebração (porém no Irã, muitos continuam a adquirir bebidas alcoólicas por meio de contrabando ou produzindo em suas próprias casas).
Outra prática comum na noite de Yalda entre os jovens noivos é enviar uma bandeja contendo sete tipos de frutas e uma variedade de presentes para as suas noivas. Em algumas regiões, a moça e sua família retribuem o favor enviando presentes de volta para o rapaz.

A noite de Yalda foi oficialmente adicionada à Lista de Tesouros Nacionais do Irã em uma cerimônia especial em 2008.
Fora do Irã, muitas famílias tradicionais também comemoram a Yalda de muitas maneiras diferentes. Alguns se vestem com trajes típicos e fazem até Korsi improvisado para relembrar as tradições de sua terra natal.  Enquanto outros, apenas dão um telefonema  desejado um feliz Yalda feliz ou compartilham seus votos nas redes sociais.

Desejo a todos os amigos da Pérsia, uma feliz Shab-e-Yalda!
       !!!  شب یلدا مبارک         

Texto baseado em Wikipedia, the free encyclopedia |Yalda


Breve História da Caligrafia Persa


A caligrafia na arte iraniana se encontra presente em quase todas as manifestações de artesanato como o metal e a cerâmica, assim como elemento de destaque da arquitetura em diferentes períodos históricos da Pérsia. Mas é na arte dos livros manuscritos, especialmente o Alcorão e obras literárias como o Shahnahmeh de Ferdowsi, o Divan de Hafez e o Golestan de Saadi, todas reconhecidas como obras de inestimável valor que a caligrafia adquiriu um status inigualável. Uma grande quantidade de exemplares da caligrafia persa se encontram em museus e coleções particulares ao redor do mundo como o Museu  Hermitage de São Petersburgo e a  Galeria de Artes Freer de Washington.
A história da caligrafia no Irã remonta à era pré-Islâmica. Já na antiga Pérsia a escrita cuneiforme  era usada em monumentos para os reis Aquemênidas. Séculos mais tarde, outras escritas como o avéstico e o Pahlavi foram criadas para escrever os hinos de Zoroastro. Ao contrário da escrita cuneiforme que era esculpida sobre pedras, o Avesta era escrito com uma  pena, geralmente em páginas feitas de pele de animais. É surpreendente que esta escrita  tenha semelhanças com as escritas árabes, como o thuluth e o Naskh que foram inventadas séculos mais tarde. No entanto, as letras do alfabeto avéstico não eram ligadas umas as outras para formar palavras, mas  escritas individualmente uma ao lado da outra (similar a escrita latina). No entanto, eram escritas da direita para a esquerda como o árabe.
Antiga escrita persa cuneiforme
Antigo alfabeto persa avéstico
Antigo alfabeto persa pahlavi
Após o advento do Islã, no século VII, os persas adaptaram o alfabeto árabe e desenvolveram o seu próprio alfabeto. Enquanto o alfabeto árabe tem 28 caracteres, os iranianos acrescentaram mais quatro letras para chegar as 32 existentes no alfabeto persa contemporâneo. Cerca de mil anos atrás, Ibn Muqlah  e seu irmão criaram seis gêneros de caligrafia árabe, ou seja, Tahqiq, Reyhan, Thuluth, Naskh, Toqih e Ruqah. Esses gêneros eram comuns há quatro séculos na Pérsia. No século VII (calendário islâmico), Hassan Farsi Kateb combinou os estilos Naskh e o Ruqah e inventou um novo gênero de caligrafia persa, chamado Ta'liq. Eventualmente, no século XIV, Mir Ali Tabrizi combinou dois estilos  importantes de seu tempo, isto é, o Naskh e o Taliq e criou o estilo de caligrafia persa  conhecido como  Nas'taliq que passou a designar tradicionalmente o estilo predominante na caligrafia persa.
Exemplar de caligrafia persa Ta'liq (período Safávida)
Exemplar de caligrafia Nasta'liq
Exemplar de caligrafia Shekhaste Nasta'liq
É muito importante notar que  o Nas'taliq segue  curvas mais naturais, ao contrário de seus antecessores árabes que  seguem um desenho mais geométrico. Há uma série de semelhanças encontradas entre as curvas usadas na escrita Nas'taliq e na natureza.

Morteza Gholi Khan Shamlou e Mohammad Shafi Heravi criaram um novo gênero de escrita cursiva chamado Shekasteh Nastaʿliq no século XVII. Quase um século depois, um proeminente artista chamado Abdol-Majid Taleqani trouxe esse gênero ao seu mais alto nível. Este estilo de caligrafia é baseado nas mesmas regras do Nas'taliq mas proporcionava movimentos mais flexíveis e alongados. Entre os calígrafos contemporâneos neste estilo, Yadollah Kaboli definitivamente se tornou o mais proeminente.
Exemplo de regras de proporção em Nasta'liq
Caligrafia Nasta'liq em um manuscrito persa
O Nas'taliq  é sem dúvida o  mais popular  entre os estilos clássicos e contemporâneos da caligrafia persa. Sua estrutura é tão forte que pouco mudou em mais de 7 séculos, além de ser o estilo de caligrafia persa mais belo e também tecnicamente o mais complicado com regras estritas de composição. O segundo  mais popular estilo da caligrafia persa, o Shekasteh Nas'taliq visivelmente segue as mesmas regras que o Nas'taliq, sendo um pouco mais flexível.
Em 1950 foi fundada a Associação de Calígrafos do Irã foi  por Hossein Mirkhani, Ali Akbar Kaveh, Bouzari Ebrahim, Mirkhani Hassan e Baiani Mehdi, que até hoje mantém cursos de caligrafia em nível de bacharelado em  e incentiva novos talentos por meio de concursos nacionais. A caligrafia também é um dos elementos mais marcantes nos trabalhos grandes designers e artistas contemporâneos iranianos como Shirin Neshat, Bahman Jalali e Reza Abedini. 

Baseado em Wikipedia | Persian Calligraphy


Siavash Ghomayshi - Parvaz

Parvaaz, significa "vôo" em persa, e a mais nova música do astro Siavash Ghomayshi, com este belo videoclipe em uma fantástica animação gráfica.




من و تو دو تا پرنده تو قفس زندونی بودیم
Man o to do taa parandeh to qafas zenduni budim
جای پر زدن نداشتیم ولی آسمونی بودیم
jaaye parzadan nadaashtim vali aasemuni budim

ابر و بارونو میدیدیم اما دنیامون قفس بود
aabru baarunu mididim amaa donyaamun qafas bud
چشم به دوردستا نداشتیم همینم واسه ما بس بود
cheshm beh dur dastaa nadaashtim haminam vaaseh maa bas bud

اما یک روز اونایی که ما رو با هم دوست نداشتن
Aamaa yek ruz unaany keh maa ru baa ham dust nadaashtan
تو رو پر دادن و جاتم یه دونه آینه گذاشتن
to ro par daadan u jaatam yeh duneh aayneh gozaashtan 

منِ خوش باور ساده فکر میکردم روبرومی
man khush paavar saadeh fikr mikardam ru berumy
گاهی اشتباه میکردم من کدومم تو کدومی!
gaahy ashtebaah mikardam man kodumam to kodumy
با تو زندگی میکردم قفس تنگ و سیاهو
baa to zendegy mikardam qafase tang o syaahu
عشق تو از خاطرم برد عشق پر زدن تا ماهُ
eshqe to az  khaateram bord eshqe par zadan taa maaho

اما یک روز بادِ وحشی رویاهامو با خودش برد
aamaa yek ruz baade evahshy ruyaahaamu baa khurdesh bard
قفس افتاد و شکستُ آینه افتاد و تَرَک خورد
qafas aaftaad o shekasto aayneh aaftaad o tarak khord
تازه فهمیدم دروغ بود دنیایی که ساخته بودم
taazeh fahmidam dorugh bud donyaayi ke saakhte budam
دردم از اینه که عمری خودمو نشناخته بودم
dardam azyneh ke omry khodamu nashnaakhteh budam

تو تو آسمونا بودی با پرنده های آزاد
to to aasemunaa budy baa parandeh haaye aazaad
منِ تن خسته رو حتی یکدفعه یادت نیفتاد
mane tan khaste ro hato yekdafe'h yaadet nyaftaad
حالا این قفس شکسته راهِ آسمون شده باز
haalaa ayn qafas shekasteh raahe aasemun shodeh baaz
اما تو قفس نشستم دیگه یادم رفته پرواز
aamaa to qafas neshastam digeh yaadam rafteh parvaaz

Letra em persa do site: IranSong


Convivência social e o vínculo com a religião no Irã

Famílias em um parque de Teerã
Devido a sua rica cultura e  história, os iranianos atuais herdaram vários costumes ancestrais nos quais a religião (zoroastrismo ou islamismo, de acordo com a época) sempre teve um lugar específico. A maioria destes costumes existem devido a uma mistura de tradições locais e religiosas. Compreender estes costumes é muito importante para quem tem contato com iranianos ou se interessa em algum dia visitar o Irã: 
  • A hospitalidade é uma característica marcante da cultura iraniana. A hospitalidade do povo iraniano é conhecida em todo o mundo. Os iranianos acreditam que o hóspede é "amigo de Deus" e  por isso deve ser tratados com muito respeito.
  • Respeitar o idoso é outra característica importante da cultura iraniana. Em lugares públicos, como metrô e ônibus, os jovens sempre devem dar seus lugares aos idosos. As crianças também devem respeitar seus pais e sentar-se educadamente na frente deles. Além disso, depois do casamento devem sempre visitar os seus pais.
  • Cumprimentar os outros é costumeiro entre os iranianos. Desde a infância, os pais ensinam os seus filhos a sempre cumprimentar os idosos.
  •  Os iranianos também aprendem a respeitar os mortos, em especial os mártires, e rogar por seu perdão através de visita a seus túmulos às quintas-feiras. Eles também  comemoram os aniversários de nascimento e morte de figuras religiosas importantes. As cerimônias mais importantes são as datas de Ashura e Moharram, que são realizadas em todo o país para lamentar o martírio do Imam Hussein.
  • Na tradição xiita do Irã, os descendentes do profeta Mohamed têm um status específico. Eles são chamados de Seyyed e alguns deles usam turbantes verdes ou negros como sinal de ser um descendente do Profeta e seus imãs.Os mulahs (religiosos) e estudantes do Alcorão (moços de turbante), também são figuras respeitadas entre o povo.

Jovens estudantes da religião em Qom
  • Outro costume extremamente importante no Irã é ajudar os pobres e os órfãos, o que é também uma recomendação da religião. Além disso, quando acontecem desastres naturais como enchentes e terremotos, os iranianos prestam auxílio as vítimas o que também é um dever religioso e social.
  • Para os iranianos, os vizinhos são tão importantes e às vezes mais próximos do que parentes. No entanto, o estilo de vida moderno mais individualista, assim como o crescente número de pessoas que aderiram ao contato pelas redes sociais da internet tem afetado o convívio social entre vizinhos. 
  • Dar esmola é muito habitual no Irã. As pessoas dão esmolas todos os dias antes de iniciar as atividades diárias, pois acreditam que essa atitude pode evitar acidentes, aumentar o salário e prolongar a vida ... Eles também dão esmolas no início de cada mês e também quando viajam.
Família unida, viaja unida
    Viajar no Irã, também tem seus próprios rituais. Por exemplo, quando alguém vai viajar, ao sair de casa  beija o Alcorão e passa por baixo dele. Os iranianos acreditam que esse ato protege o passageiro dos perigos da viagem. Outro costume é aspergir água atrás do viajante, porque a água é o símbolo da pureza. Assim, o caminho fica purificado para que ele retorne rápido e com saúde. Ao retornar de uma viagem, os iranianos sempre trazem lembrancinhas para amigos e parentes.

    Mesmo não sendo muçulmano, é importante que o turista
    aprenda sobre os costumes tradicionais dos iranianos
    Por fim, para quem quer viajar para o Irã, além disso é necessário saber que:
    • Durante o Ramadã todas as lojas de fast- food e restaurantes permanecem fechados até o chamado para a oração da noite, mas entre as cidades, há restaurantes que ficam abertos para viajantes, turistas e aqueles que não estão em condições de jejuar.
    • A venda de bebidas alcoólicas é ilegal no Irã e não há nenhum local  público onde se encontrem estas bebidas a venda, mesmo para turistas.
    • Os iranianos tem muita reverência para com os seus santuários como as mesquitas e túmulos dos imams. Ao visitar esses lugares sagrados, lembre-se que é considerado desrespeitoso conversar alto ou fazer muito barulho. 
      Estes costumes culturais e religiosos são seguidos por grande parte da população iraniana que é em sua maioria de muçulmanos xiitas, mas vale lembrar que nem todos os iranianos  seguem à risca essas mesmas regras. Em outras oportunidades falarei mais sobre outras religiões que também compõem a sociedade iraniana. 

      Baseado em Iran Review


      Um pouco da cozinha nacional iraniana

      Assim como a cultura e história persa, a sua culinária também merece ser conhecida. A cozinha persa é muito distinta e particular embora, historicamente, tenha influenciado e sido influenciada pelas regiões vizinhas ao Irã. É uma cozinha cheia de sabores e aromas marcantes. Os paladares iranianos geralmente aprovam desde os sabores doces, até os azedos ou picantes.
      Muitos pratos iranianos consistem em arroz e diferentes tipos de carnes e legumes. O prato mais conhecido no ocidente é o kebab  normalmente feito com carne de cordeiro assada, embora existam variedades como o Chelow kebab que é o mesmo kebab mas acompanhado de arroz, e o Kebab-e Morgh com frango assado. Na zona do Mar Cáspio pode-se comer kebab de esturjão e em Tabriz há o Shishlik,  que consiste em um espetinho de costelas de cordeiro acompanhado de tomates e pimentões verdes, às vezes muito picantes. Em outras partes do país o acompanhante do kebab costuma ser o arroz, os tomates assados, a cenoura ralada ou a beterraba, junto ao pão que costuma ser servido com cebolas cruas.
      Chelow kebab
      Kebab-e-Morgh
      Kebab-e-Shishlik de Tabriz

      Kebab de esturjão do Mar Cáspio

      Os cozidos ou khoresht mais conhecidos são: Ghormeh Sabzi, gheimeh, fesenjān e outros. Outras receitas conhecidas são Ash-e Anār (sopa de romã), o kuku (suflê de vegetais e uma grande variedade de pólos (arroz branco puro ou com adição de carne e /ou legumes e ervas, incluindo lubia polo, tahchin polo, sabzi polo, zereshk polo, baghali polo).
      O Abgusht (ou Dizi) é um prato com marcante caráter nacional, que consiste em carne de cordeiro e grão-de-bicos cozida em um recipiente de cerâmica especial. Cada região do Irã têm sua forma particular  de prepará-lo.
      Ash-e-Anar (sopa de romãs)
      Polo Tahchin
      Abgusht
      Especiarias
      Loja de especiarias no bazar de Isfahan
      Várias receitas sofisticadas empregam ervas tais como a menta, o hortelã-verde, o coentro, etc. A especiaria mais conhecida no Irã é o somag (sumagre) que costuma ser um acompanhante da maioria dos pratos iranianos. Para conseguir um sabor equilibrado, aromas característicos persas, como açafrão,  limão seco, canela e salsa são misturados delicadamente em alguns pratos.

      O Arroz
      Arroz iraniano com açafrão
      Ao contrário do que se ouve falar muito por aí, a cozinha iraniana não é feita só de "Kebabs". O arroz ou polo é o ingrediente principal de muitos dos deliciosos pratos da culinária persa  e também serve como acompanhamento de todos os tipos de  Koresht.  Os Koresht, na linguagem popular, são os tradicionais cozidos. Eles aparecem em uma grande variedade de cores e sabores e são servidos sempre com arroz. Se um dia  você quiser se tornar um cozinheiro persa, o primeiro passo é aprender a fazer um majestoso arroz.
      Os iranianos costumam usar como talheres a colher e o garfo. Sim, colher e garfo e não faca! Colher para pegar o arroz e garfo para auxiliar com as carnes.

      Os Pães

      Uma padaria iraniana geralmente é um lugar bem simples e rústico onde as pessoas se reúnem todas as manhãs para comprar o seu pão de cada dia. Há uma variedade de pães feitos nos fornos chamados Tanurs  e eles são ideais para comer frescos e quentinhos. A palavra persa para  pão é nān e os 3 tipos mais conhecidos são:
      Barbari
      • Barbari: Um pão mais fofinho e comprido, bem parecido com o italiano Foccacia. Ele tem uma casquinha dura por fora, mas é macio e delicioso por dentro.
      Lavash
      • Lavash: Um  pão bem fininho, leve e clarinho (quase um guardanapo de pão!). Geralmente é servido como acompanhamento de patês como o Halim Bademjan.
      Sangak
      • Sangak: Este pão tradicional  é feita com pequenas pedrinhas em um forno quente e profundo. E daí que vem o seu nome: Sang significa pedra em persa, ou seja, literalmente um "pão de pedra". É mais fino que  Barbari e mais consistente que o Lavash. Ele é frequentemente usado no Aghd Sofreh (cerimônia de casamento persa) e é decorado para felicitar o casal. É servido também em ocasiões especiais como a Sofreh Haft-Sin do Nowruz (Ano Novo persa).
      O Chá (chai)

      chai (espécie de chá preto) é servido no café da manhã e em outros momentos, várias vezes ao longo do dia. Por exemplo, na província de Khorasan, é servido imediatamente antes e depois do almoço e jantar. Cada região tem seus métodos tradicionais de preparação e de beber o chá.

      Petiscos da Sofreh
      Uma típica Sofreh iraniana
      Tradicionalmente, as famílias se reúnem  para a refeição em torno de uma Sofreh que é uma espécie de toalha de mesa forrada no chão sobre um tapete. A Sofreh sempre  foi e será o símbolo e ponto central da cozinha persa e também  um lugar de encontro, descontração e alegria.
      Os iranianos gostam de servir uma Sofreh  bem colorida  para alegrar o dia e mostrar a riqueza de sua cultura. Há sempre pequenos petiscos disponíveis em toda casa iraniana, incluindo frutas secas, nozes e biscoitos. Na hora da refeição, a Sofreh oferece alguns ingredientes básicos que refrescam o paladar e complementam o sabor dos pratos principais. 
      Há alguns acompanhamentos que são essenciais para cada nahar (almoço) e shaam e (jantar), independentemente da região.
      • Nān-o Panir - ervas frescas e queijo de cabra com qualquer tipo de pão persa
      • Um prato de ervas frescas, chamado sabzi khordan
      • Pepinos fatiados ou descascados.
      • Manteiga com um pouco de mel ou açúcar
      • Nozes, frutas secas ou passas.
      • Iogurte, puro ou com outros ingredientes, tais como o espinafre.
      • Picles persa ou torshi
      • Vários patês
      • Fatias de melão adocicado
      • Beterrabas no vapor
      • Uvas sem sementes
      Além desses itens, quando se tem maior quantidade de convidados, os iranianos oferecem bandejas de frutas antes e depois da refeição. Estas são servidas em pratos menores (as frutas sim, são comidas com garfo e faca e as mais apreciadas são as laranjas, maçãs, romãs, peras, bananas, cerejas (Gilas), cerejas azedas (albalu), uvas, pêssegos, tangerinas e outras frutas da estação ou frutas fatiadas como melão, melancia, melão  iraniano (kharbozeh). No final de um banquete, também pode ser servida alguma sobremesa,  como bolos,  sorvetes, pudins ou outros doces típicos com chá.


      Cinema Iraniano: A Canção dos Pardais

      ESTREANDO O FILME DO MÊS!!!

      Uma aventura repleta de metáforas e lições de vida entre as paisagens contrastantes do campo e da cidade do Irã atual: 

      Não me canso de falar o quanto é necessário assistir aos filmes de Majid Majidi para conhecer de outra maneira o cotidiano e a sensiblidade das relações humanas do povo iraniano. "A Canção dos Pardais" (Avaze gonjeshk-ha, 2008) foi o último longa-metragem lançado até agora pelo diretor Majidi. Apesar de resgatar algumas fórmulas de filmes anteriores (como BaranFilhos do Paraíso e A Cor do Paraíso), dos contrastes entre o campo e a cidade, diferentes etnias e classes socias, este filme revela uma temática complexa a partir da aparente simplicidade. A história gira em torno de Karim (Reza Naji), um pai de família de etnia azeri que vive uma vida tranquila e feliz com sua esposa Narges (Maryam Akbari), e três filhos em uma pequena casa no interior, mas uma série de infortúnios acaba modificando radicalmente sua rotina. Da mesma maneira que em "Filhos do Paraíso", um par de sapatos perdido transforma o cotidiano de duas crianças em uma aventura para substituí-los por outros novos, em "A Canção dos Pardais", acontecem duas perdas: da menina Haniyeh (Shabnam Akhlaghi) que perde seu aparelho auditivo em um poço e de seu pai Karim que perde um dos avestruzes da fazenda de seu patrão. O aparelho auditivo, se revela excessivamente caro para Karim que precisa procurar um novo emprego, depois que foi demitido da fazenda por ter deixado o avestruz escapar.
      ... e seu pai perde o avestruz do patrão
      Em busca do novo emprego, Karim tenta a sorte na capital Teerã à bordo de sua velha motocicleta. Quando por acaso um homem engravatado sobe na garupa da moto e paga  pela carona. Assim de repente, Karim se descobre trabalhando como moto-táxi e transportador de mercadorias, mesmo sem saber direito como ir para os lugares no trânsito caótico da capital. Além disso, ele descobre que o povo da cidade joga fora coisas velhas que ele mesmo não tem dinheiro para comprar. Então ele  começa a pensar em ganhar dinheiro vendendo essas quinquilharias que o povo da cidade não quer mais, do qual se destaca uma porta azul. Enquanto isso, seu filho Hussein (Hamed Aghazi) sonha em ficar milionário com a criação de peixes no velho poço nas proximidades, o mesmo onde sua irmã tinha perdido o aparelho auditivo.

      Karim estranha o caos da cidade grande...
      A porta azul que Karim leva da cidade para sua casa
      O estranhamento de Karim na cidade, e os pequenos conflitos cotidianos dentro de sua família, acabam revelando um retrato da vida contemporânea no Irã, que o telespectador provavelmente identificará como muito próximo da realidade de qualquer outro lugar. O contraste  entre o campo e a cidade fica bastante evidente em todo o filme, mas Majidi não quer demonstrar que o campo é bom e a cidade é ruim, mas  antes mostrar o quanto são diferentes e que um tem que entender e apreciar os valores do outro. A cidade representa avanços e tecnologia, como o aparelho auditivo que a filha de Karim necessita para as provas escolares. Assim como uma antena de TV que Karim traz para sua casa, para entretenimento da família. O campo representa a vida simples a amizade dos vizinhos e o afeto dos familiares. Mas Karim acaba se tornando obcecado em trazer mais e mais coisas da cidade para sua casa, e é a partir daí que as coisas começam a dar errado. Um dia arrumando o entulho acumulado no quintal de sua casa, Karim cai de uma escada e fica gravemente ferido, impossibilitado de trabalhar, ele começa a reavaliar o valor de todas aquelas coisas...
      Uma das cenas mais espetaculares e dramáticas do filme
      Hussein e seus amigos perdem os peixinhos dourados
      O estilo visual dos filmes de Majidi vai além de uma mera demonstração de realismo encontrando uma beleza deslumbrante nas coisas  mais simples. A cena em que Karim  usa um bizarro disfarce de avestruz para tentar resgatar a ave perdida é sem dúvida espetacular. Mas, o momento de maior impacto visual é quando o filho de Karim e seus amigos vêem seu sonho ir por água abaixo quando derrubam o balde contendo centenas  de peixes  dourados que conseguiram comprar. Essa  imagem de beleza singular, se mostra ao mesmo tempo trágica, enquanto os peixes dourados  pulam como um mosaico vivo e cintilante no chão o menino tenta desesperadamente pegá-los. Uma cena de tirar o fôlego e partir o coração ao mesmo tempo!
      Outro truque visual interessante é o momento em que pensamos estar vendo um céu estrelado, até que as mãos das mulheres entram na cena e começam a remover  as "estrelas" que na verdade são contas brilhantes que cobrem um tecido azul-escuro. Com esse simples artifício, o diretor  mostra a necessidade de um  reajuste de perspectiva que tem a ver com o que o personagem Karim deve fazer a fim de reencontrar a si mesmo diante do desespero em que se encontra, machucado e impossibilitado de ir atrás do sustento para sua família.
      Um jogo de imagem mágico com um céu estrelado
       Ao contrário de seus colegas cineastas iranianos Abbas Kiarostami e Jafar Panahi que trabalham conteúdos mais  reflexivos, Majidi tende a uma abordagem mais naturalista. No entanto, como os outros cineastas, ele tentar  não dizer ao espectador sobre o que pensar sobre seus filmes. Ele prefere simplesmente contar a história e deixar as conclusõs na mão dos espectadores. "A Canção dos Pardais" é outro trabalho primoroso de Majid e um filme divertido, emocionante e especial para qualquer idade. O elenco conta com    a atuação brilhante do grande ator Reza Naji que já havia feito outros filme de Majidi, entre outros atores amadores.

      Filme: A Canção Dos Pardais
      Irã |Drama |95 min. | cor
      Legendado em Português
      Direção: Majid Majidi
      Título Original: Avaze gonjeshk-ha
      Título em Inglês: The Song of Sparrows
      Elenco:  Mohammad Amir Naji, Maryam Akbari,  Kamran Dehghan, Hamid Aghazi, Schabnam Akhlaghi,  Neshat Nazari, Hassan Rezaee, Ponya Salehi