9 Obras de Rumi Publicadas no Brasil

14/09/2021


Salam amigos! Setembro é o  mês de aniversário do grande poeta místico persa Mawlana Rumi. É notável a crescente admiração do público brasileiro pela obra deste mestre sufi do século XIII, mensageiro de uma sabedoria universal que ultrapassa os limites do tempo e continua influenciando pessoas em todo o mundo! 

Atendendo a pedidos, trago no post de hoje, todas as obras de Rumi que eu encontrei publicadas no Brasil. São 9 livros, desde exemplares raros publicados pela Edições Dervish nos anos 1990, para os iniciados no sufismo, até seleções e traduções inéditas  dos poemas de Rumi por Marco Lucchesi, José Jorge de Carvalho e Rafael Arrais para o público em geral.  


Fihi Ma Fihi: O livro do interior 

Tradução de Margarita Garcia Lamelo
Edições Dervish, 1993


Tradução da principal obra em prosa de Rumi, a partir da tradução francesa do original persa por Eva de Vitray-Meyerovitch. Fihi-Ma-Fihi, que literalmente significa “Nele o que está nele” é uma coletânea de conversas de Rumi com seus discípulos e diferentes personagens da época em que ele viveu. 

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Masnavi

Tradução: Mônica Udler Cromberg e Ana Maria Sarda;
 prefácio de Omar Ali-Shah. Edições Dervish, 1992.


O Masnavi que significa "dísticos" (poemas com versos de duas estrofes), é a obra mais importante de Rumi. Conhecido como o “Alcorão Persa”, é uma coleção poética de anedotas e histórias que incorpora uma variedade de sabedoria islâmica, mas se concentra principalmente em enfatizar a interpretação sufi pessoal interior. 
  • Indisponível no momento
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A Sombra do Amado: Poemas de Rûmî

Introdução e tradução: Marco Lucchesi e Luciana Persice.
 Editora Fissus, 2000


Mais do que um conjunto de traduções primorosas, o poeta e escritor Marco Lucchesi faz aqui um livro sobre Rumi. As vivências de Rumi com seu Amigo Divino relatadas ao longo do volume e sistematizadas na fórmula "O mundo é apenas Um, venci o Dois", são um dos pontos mais altos de toda a lírica humana, ocidentoriental..." 
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O Canto da Unidade: Em torno da poética de Rûmî

Tradução Marco Lucchesi e Rafi Moussavi. 
Editora Fissus, 2007



Este livro reúne poemas traduzidos por Marco Lucchesi e Rafi Moussavi que expressam a grande riqueza da obra lírica de Rumi. Além disso, Lucchesi relata no seu Diário a experiência e as sutilezas do trabalho de tradução. Também apresenta artigos de Faustino Teixeira, Leonardo Boff, Mário Werneck Filho e Heliane Miscali. 

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A Flauta e a Lua: Poemas De Rumi

Tradução de Marco Lucchesi e fotos de Riccardo Zipoli
Editora Bazar do Tempo, 2016


Nova edição reunida de A sombra do amado: poemas de Rûmî e O canto da unidade: em torno da poética de Rûmî, A flauta e a Lua se completa com estudos críticos dos teólogos Leonardo Boff e Faustino Teixeira, e um vigoroso ensaio fotográfico em torno das terras e paisagens do Irã assinado pelo fotógrafo italiano Riccardo Zipoli.
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Onde Dois Oceanos se Encontram

Tradução James G. Cowan
 Editora  Gente, 1999



Uma Seleção de Odes do Divã de Shams de Tabriz por Mawlana Jalaluddin Rumi. 
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A Flauta e a Lua: Poemas De Rumi

Seleção, introdução e tradução: José Jorge de Carvalho
Attar Editorial, 2006


Este livro é composto de 79 poemas selecionados de uma obra com mais de cinco mil. Estes refletem a intensidade místico-amorosa e a força partilhada entre o encontro de Rumi e Shams de Tabriz.
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A Flauta e a Lua: Poemas De Rumi

Seleção, tradução e comentários: Rafael Arrais
 Textos para Reflexão, 2019


Os poemas traduzidos desta obra foram selecionados e traduzidos do inglês (principalmente das versões de Edward Henry Whinfield e Reynold. A Nicholson) por Rafael Arrais. O tradutor procurou evitar na obra poemas já publicados no Brasil em português. 
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Rumi - Além das ideias de certo e errado

Seleção, tradução e comentários: Rafael Arrais.
 Textos para Reflexão, 2021


Dando continuidade ao que foi iniciado em Rumi: A dança da alma, o tradutor, que é praticante do sufismo, se aprofunda ainda mais nos abismos poéticos de Rumi, enquanto aproveita para complementar o livro com alguns poemas de Shams de Tabriz (o grande amigo de Rumi) e Rabia Basri (a santa sufi que o precedeu e inspirou). 
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Se você conhece mais algum livro com poemas de Rumi ou se já tem algum desses livros escreva sua avaliação nos comentários! 

Setembro, o mês de Rumi

12/09/2021

Setembro, mês de Rumi

       "O mundo é apenas Um, venci o Dois." (Rumi)


Setembro é o mês de aniversário de Jalaluddin Mohammad Balkhi (1207-1273), mais conhecido no Ocidente como Rumi, no Irã como Molavi e na Turquia como Mevlana.

Rumi  nasceu na Pérsia e viveu a maior parte da sua vida em Konya na Turquia, onde fundou a famosa ordem dos dervixes rodopiantes. Brilhante teólogo, poeta e místico Sufi, Rumi passou por uma transformação espiritual em 1244, após o encontro com Shams de Tabriz. 

Em uma época atormentada por guerras e calamidades, Rumi defendia a tolerância ilimitada, a bondade, a caridade e a consciência de si por meio do amor. Seus ensinamentos pacíficos e tolerantes impactaram pessoas de todas as religiões e até hoje continuam influenciando pessoas em todo o mundo.

Este mês, vamos conhecer um pouco mais sobre a vida, ensinamentos, obra e influência de Rumi na cultura contemporânea.


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Como os filmes iranianos mostram os afegãos

22/08/2021

Como os filmes iranianos mostram os afegãos

Salam amigos! Recentemente o Afeganistão, país vizinho do Irã, voltou a ser destaque das principais notícias internacionais. Com a retomada do país pelo Talibã após 20 anos, nos questionamos, qual será o futuro do povo afegão?

Atualmente, o Irã é um dos países que mais abriga refugiados afegãos no mundo.

A  primeira onda de refugiados foi admitida no Irã após o início da invasão soviética em 1979. Em setembro de 1996, a milícia Talibã assumiu o poder em grande parte do território do país e instaurou um  regime brutal de censura e repressão.

Mesmo com a queda do Talibã, após a invasão norte-americana em 2001, devido a situação econômica de um país destruído por guerras, milhões de afegãos continuaram buscando por melhores condições de vida no Irã e em outros países vizinhos.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), havia cerca de 780.000 refugiados registrados afegãos residindo no Irã em outubro de 2020, a maioria dos quais nasceu e cresceu no Irã durante as últimas quatro décadas. Porém, dados do governo iraniano estimam que podem haver mais de 2,5 milhões de afegãos entre registrados e ilegais vivendo no país.

Desde o final da década de 1980, o cinema iraniano buscou retratar a situação  do povo afegão de várias maneiras. Há filmes que representam o drama dos refugiados afegãos no Irã que enfrentam situações degradantes de trabalho e a ameaça de deportação. Mas também há filmes que mostram estes mesmos afegãos como membros da sociedade iraniana, como amigos valorosos e até mesmo amores impossíveis. Por fim, há cineastas iranianos que viajaram ao Afeganistão para retratar a realidade do país.


Vamos recordar 12 filmes iranianos, de clássicos a atuais que mostram a situação do povo afegão:


 1- O Ciclista (1988) 

Nasim, o primeiro protagonista afegão do cinema iraniano em  O Ciclista (1987).

Uma das primeiras representações de um personagem afegão no cinema iraniano ocorre em 1987, com o filme "O Ciclista" (Bicycleran) de Mohsen Makhmalbaf. Neste clássico, Makhmalbaf explora as condições dos refugiados afegãos que vivem nos subúrbios das cidades iranianas. 

O personagem principal, um pobre refugiado afegão e ex-campeão de ciclismo chamado Nasim (Moharrem Zinal Zadeh), decide andar de bicicleta sem parar por sete dias e sete noites na praça da cidade a fim de arrecadar dinheiro para o tratamento de sua esposa doente

O filme é o primeiro a trazer à luz a situação dos refugiados afegãos no Irã e mostra as condições econômicas desesperadoras e de exploração que  estes sofrem frequentemente. 

Após o filme de Makhmalbaf, a figura do afegão tornou-se um motivo cinematográfico recorrente. Nos anos subsequentes, os personagens afegãos não eram mais mostrados isoladamente, mas cada vez mais como membros da sociedade interagindo com personagens iranianos.


Assista o filme O Ciclista (legendado em português)


2- O Balão Branco (1996) 

O menino afegão em O Balão Branco (1996)

O filme de 1996 de Jafar Panahi, O Balão Branco (Badkonak-e Sefid), também retrata o refugiado afegão de forma positiva. 

Na história, a pequena Razieh, deseja comprar um peixinho dourado para as celebrações de Nowruz (Ano Novo Persa), mas no caminho ela deixa o dinheiro cair em um bueiro e não consegue recuperá-lo. Com medo de levar uma bronca da mãe, ela não ousa voltar para casa sem antes recuperar o dinheiro.

 Ao longo do filme, a menina conhece estranhos que se oferecem para ajudá-la, e um deles é justamente um menino afegão (Aliasghar Smadi) que vende balões. Na conclusão do filme, as três crianças finalmente obtêm o dinheiro perdido e o menino afegão é um dos heróis da história.


3- Gosto de Cereja (1997)

O seminarista afegão em "Gosto de Cereja" (1997)

Um ano depois, o filme  de Abbas Kiarostami, Gosto de Cereja ( Ta’m-e Gilas), ofereceu uma narrativa renovadora dos próprios refugiados afegãos. 

No filme, o personagem principal Sr. Badi (interpretado por Homayoun Ershadi) é um homem de meia-idade que dirige por Teerã em busca de possíveis candidatos que queiram ajudar na estranha tarefa de enterrá-lo depois que ele cometer suicídio. 

Em uma cena o Sr. Badi conversa com um vigia de construção e em outra passeia de carro com um seminarista (Hossein Nouri), ambos afegãos. Ao incluir personagens afegãos no filme, Kiarostami sugere que os refugiados afegãos (junto com outras minorias) se tornaram parte do mosaico diversificado da sociedade iraniana. Também permite que estes finalmente falem de sua situação como refugiados, algo que antes era negado na cultura popular iraniana.


Assista o filme Gosto de Cereja (legendado em português)


4- A Caminho de Kandahar (2001)

A jornalista afegã em A Caminho de Kandahar (2001)

Em 2001, o cineasta Mohsen Makhmalbaf retoma novamente a temática dos afegãos em seu filme A Caminho de Kandahar (Safar-e Ghandehar), que foi filmado no próprio Afeganistão, desta vez com uma protagonista feminina. 

O filme conta a história de de Nafas (Niloufar Pazira), uma jornalista afegã radicada no Canadá que empreende uma viagem desesperada para ao seu país natal a fim de impedir o suicídio da irmã, que já não tem vontade de viver sob a opressão do Talibã. Vestida com a burqa, Nafas é conduzida através do deserto por uma família de refugiados que é roubada por milicianos, um garoto expulso da escola corânica, um afro americano que faz as vezes de médico num vilarejo e um homem mutilado por uma mina. 

A Caminho de Kandahar tem valores que ultrapassam o caráter meramente documental. O diretor  empregou  no elenco, refugiados afegãos que vivem na fronteira com o Irã. A protagonista é mesmo uma jornalista que mora no Canadá. Niloufar pediu a Makhmalbaf ajuda para entrar no Afeganistão e retirar de lá uma amiga. Como o diretor não pôde atendê-la na ocasião, mais tarde sugeriu que filmassem uma versão ficcionalizada dessa história. O filme recebeu a medalha de ouro Fellini, concedida pela Unesco.

5-Baran (2001)

Uma jovem afegã é a protagonista do filme Baran (2001)

O filme de 2001 de Majid Majidi, Baran, concentra-se principalmente nos refugiados afegãos ilegais que trabalham nos arredores de Teerã, e aborda um tema delicado, a história de amor entre um iraniano e uma afegã. 

Latif (Hossein Abedini), um jovem iraniano azeri trabalha  em uma construção servindo comida e chá para os pedreiros. Quando Najaf (Gholam Ali Bakhshi), um dos trabalhadores afegãos, sofre um acidente durante o trabalho e quebra a perna, seu filho Rahmat (Zahra Bahrami), passa a substituí-lo na construção e nasce uma rivalidade entre ele e Latif. Porém, ao descobrir que Rahmat, é na verdade uma menina chamada Baran disfarçada de menino, Latif apaixona-se por ela e passa a protegê-la. 

A história revela muitas facetas das dificuldades que os afegãos enfrentam a cada dia como refugiados em um país estrangeiro, mas também revela a solidariedade dos iranianos que tentam ajudá-los, como o mestre de obras Memar (interpretado por Reza Naji).

Assista o filme Baran (legendado em espanhol)


6- Alfabeto Afegão (2002)

Crianças afegãs refugiadas na fronteira do Irã em Alfabeto Afegão (2002)

A experiência do diretor Mohsen Makhmalbaf de se dedicar pessoalmente à fundação de uma escola para crianças afegãs refugiadas na fronteira com o Irã, resultou no documentário Alfabeto Afegão (Alefba-ye Afghan) que aponta a educação como único caminho para mudar a percepção das pessoas frente aos reais problemas políticos e sociais do país e para questionar a imposição de valores culturais no Afeganistão. 

Utilizando uma câmera digital, o diretor faz as filmagens e também a narração do documentário. Algumas das cenas mais marcantes são a do menino mutilado por uma mina terrestre que se posta a porta da sala de aula para tentar aprender o alfabeto, assim como a menina que se recusa a tirar a burqa na sala de aula por acreditar que estaria cometendo um pecado. 

Segundo o diretor Makhmalbaf "o Talibã não foi apenas um regime político do Afeganistão, mas continua sendo uma cultura. As pessoas do Afeganistão precisam de educação. E elas continuam prisioneiras da miséria, da ignorância, dos preconceitos, do machismo e das superstições. 95% das mulheres e 80% dos homens não tiveram chances de ir à escola mesmo antes do surgimento do regime Talibã."


7-Delbaran (2002)

O jovem refugiado afegão Kaim em cena de Delbaran (2002)

Delbaran de Abolfazl Jalili também retrata a vida de jovens afegãos que não têm outra escolha a não ser trabalhar e, portanto, são privados de sua infância como resultado da guerra em sua terra natal e da falta de acesso à educação ou serviços sociais no Irã. 

O filme conta a história de um refugiado afegão de 14 anos chamado Kaim (Kaim Alizadeh), que ficou órfão depois que sua mãe morreu em um bombardeio aéreo e seu pai foi morto lutando pela Aliança do Norte.

Kaim foge para a fronteira onde trabalha em uma parada de caminhões na cidade iraniana de Delbaran. Enquanto o menino se sente seguro em Delbaran, os sons dos aviões de guerra constantemente o lembram de sua situação precária. Ao longo do filme, os telespectadores são bombardeados com o duro realismo de viver o dia-a-dia como um trabalhador ilegal, sem nenhuma perspectiva para o futuro.


Veja uma cena do filme Delbaran (em inglês)


8- Às Cinco da Tarde (2003)

Noqreh, a jovem de Cabul em Às Cinco da Tarde (2003)

"Às Cinco da Tarde" (Panj-e Asrfoi o primeiro filme a ser realizado em Cabul, capital do Afeganistão, após a invasão norte-americana, dirigido pela prestigiada cineasta iraniana Samira Makhmalbaf.)

Após a queda do regime Talibã no Afeganistão, a jovem Noqreh (Aghele Rezaei) esforça-se por dar o melhor uso à sua recém-liberdade. Ao entrar escondida na escola, devido à desaprovação de seu pai, ela descobre a poesia do espanhol Federico García Lorca (de onde vem o título do filme), e animada com os estímulos de professores e antigos exilados sonha tornar-se a primeira mulher presidente do Afeganistão. No entanto, terá que lidar com a dura realidade do seu país, com seu pai conservador e com a situação de sua cunhada que por não ter o que comer já não consegue amamentar o bebê.

Como protagonista deste filme a diretora Samira escolheu pessoas comuns de Cabul. Segundo ela "foi difícil convencer a muitos deles a participarem do filme, já que a queda do Talibã era um evento muito recente".


9- E Buda Desabou de Vergonha (2007)

A pequena  Bakhtai em E Buda Desabou de Vergonha (2007)

"E Buda Desabou de Vergonha" (Buda az sharm foru rikht) foi  o primeiro filme escrito e dirigido pela jovem diretora Hana Makhmalbaf. Filmado no Afeganistão, em meio às ruínas dos monumentais Budas de Bamyan, destruídos pelo Talibã em 2001, tem como protagonista Bakhtai (Nikbakht Noruzi), uma garotinha de 6 anos da etnia hazara.

A pequena Bakhtai fica obcecada com a ideia de ir para a escola ao ver seu amigo Abbas (Abbas Alijome) que lê em voz alta na frente da caverna vizinha onde ela vive. Primeiro, ela tem o desafio de conseguir algum dinheiro para comprar um caderno e um lápis. Finalmente, à caminho da escola, ela é importunada por um bando de garotos que brincam de guerra, imitando inclusive os terríveis atos dos Talibã. 

O título do filme foi inspirado por uma fala do pai da diretora, Mohsen Makhmalbaf: “Até mesmo uma estátua pode ter vergonha de toda essa violência e dureza e, portanto, desabar [...] O estado de desnecessidade e calma de Buda tornou-se envergonhado diante de uma nação que precisava de pão e assim ele desabou. ”


Assista o filme "E Buda Desabou de Vergonha" (legendado em português)


10 - Cavalo de Duas Patas (2008)

O jovem cruelmente explorado pelo pequeno patrão em Cavalo de Duas Patas (2008)

Escrito por Mohsen Makhmalbaf e dirigido por Samira Makmalbaf  "Cavalo de duas patas" (Asbe du-pa) filmado no Afeganistão em 2008 é um filme chocante e controverso. Diferente de outros filmes, este retrata os afegãos da etnia uzbeque.

Guiah (Ziya Mirza Mohammad) um garoto órfão e deficiente mental, que mora em uma tubulação de esgoto abandonada, aceita trabalhar por um dólar por dia carregando nas costas o filho aleijado de um homem rico da região (Haron Ahad). Submetido a um tratamento humilhante por seu pequeno patrão, como chicotadas e até mesmo comer feno, o rapaz acaba tornando-se literalmente seu "cavalo".  

Segundo a diretora, Samira Makhmalbaf, este foi o seu filme mais difícil de fazer, não só pela crueldade do roteiro que explora os limites do sadismo, como metáfora do abuso de poder dos governantes contra o seu povo, mas também pelo fato de a diretora quase ter sido alvo de um atentado a bomba durante as filmagens no Afeganistão.


11 - A Canção dos Pardais (2008)

Ramezan, o velho amigo afegão de Karim em A Canção dos Pardais (2008)

Dirigido por Majid Majidi, "A Canção dos Pardais" (Avaz-e Gonjeshk-ha)  não apresenta a temática dos refugiados afegãos como tema principal, mas coloca um personagem afegão inserido na sociedade iraniana como um dos melhores amigos do protagonista. 

Karim (interpretado por Reza Naji) é um zeloso pai de família que tem uma vida simples na zona rural. Um dia, ele é demitido da fazenda onde trabalha por perder o avestruz de seu patrão. Quem o consola é seu velho amigo afegão Ramezan (Hassan Rezaei), que dá de presente a ele um dos ovos do avestruz. 

Em outra cena, Karim se despede de Ramezan que vai ao santuário de Mashhad rezar por ele, antes de voltar ao Afeganistão. Assim que o amigo afegão retorna, como que por milagre, o avestruz perdido é encontrado e os problemas de Karim são solucionados. 


12- Crianças do Sol (2020) 

A amizade entre a menina afegã Zahra e o menino iraniano Ali em Crianças do Sol (2020)

E para finalizar a nossa lista, o filme mais recente de Majid Majidi, "Crianças do Sol" (Khorshid) de 2020, também demonstra mais uma vez a simpatia do diretor iraniano pelos refugiados afegãos em seu país, inserindo-os no núcleo dos personagens principais da trama. 

No filme, Ali (Ruhollah Zamani) um garoto pobre de 12 anos, ganha a vida fazendo serviços corriqueiros em uma oficina mecânica e às vezes cometendo pequenos delitos. Encarregado de encontrar um suposto tesouro, que estaria escondido em uma instituição de caridade chamada Escola do Sol.

Em uma das cenas, o herói professor (interpretado por Javad Ezzati) acompanha Ali e seu pequeno amigo afegão Abolfazl (Abofazl Shirzad) para resgatar Zahra (Shamila Shirzad), a irmã deste, que foi presa por vender bugigangas no metrô. Quando o professor vê que os cabelos da menina afegã foram raspados, fica tão indignado que dá uma cabeçada no guarda da delegacia. Quando ele leva a garota para casa, vemos a cena de um precário cortiço onde dezenas de famílias afegãs vivem.

O carinho e proteção de Ali, o menino iraniano, por Zahra, a menina afegã, assim como sua despedida, também parece retomar a narrativa do amor impossível entre Latif e Baran, como já vimos em outro filme do diretor Majidi. 
Este filme foi apresentado na 44ª Mostra Internacional de Cinema de SP


A maioria dos filmes citados neste post estão disponíveis na minha playlist de filmes no You Tube, porém  alguns que eu havia divulgado aqui no blog anos atrás infelizmente foram removidos. 
Sempre que eu encontrar  novidades sobre filmes iranianos legendados, disponibilizarei aqui no blog. 

Qual destes filmes você já assistiu? Deixe o seu comentário! 

🔗Fontes (últimos acessos em 21/08/2021):

Far From Home: Portrayals of the Afghan Refugee in Iranian Cinema | Ajam Media Collective

Makhmalbaf Family Official Website (Afghan Alphabet | At Five in the Afternoon | Budda Collapsed Out of Shame | KandaharThe Cyclist | Two Legged Horse)

 44 ª Mostra Internacional de Cinema de SP - Crianças do Sol


📚Para saber mais sobre o cinema iraniano leia: 

O Novo Cinema Iraniano por Alessandra Meleiro. Escrituras, 2006.
Caminhos de Kiarostami por Jean-Claude Bernardet.  Cia das Letras, 2004. 

📚 Sugestões de livros sobre o Afeganistão:

O Caçador de Pipas por Khaled Hossein.  Globo Livros, 2013
A Cidade do Sol por Khaled Hossein. Globo Livros, 2017
O Livreiro de Cabul por Åsne Seierstad . Best Seller, 2019
O Forte das Nove Torres por Qais Akbar Omar. Objetiva, 2014
O Salão de beleza em Cabul por Deborah Rodriguez. Elsevier, 2007
O Afeganistão depois do Talibã por Adriana Carranca. Civilização Brasileira, 2011

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LIVE NO INSTAGRAM: Como os cinema iraniano mostra os afegãos

Diante dos últimos acontecimentos no Afeganistão, a curiosidade do público brasileiro por este país voltou a se manifestar.

Atualmente, o vizinho Irã é um dos países que mais abriga refugiados afegãos no mundo. Desde o final da década de 1980, o cinema iraniano buscou representar a situação dramática do povo afegão de diversas maneiras.

Nesta live, vamos recordar vários filmes iranianos com esta temática, desde o clássico "O Ciclista" dirigido por Mohsen Makhmalbaf em 1988 a "Crianças do Sol" o filme mais recente de Majid Majidi de 2020.

ASSISTA A GRAVAÇÃO DA LIVE EDITADA COM AS CENAS DOS FILMES:
 Live no Instagram "Como o Cinema do Irã Mostra os Afegãos" com Janaina Elias (22/08/2021).

A celebração de Ashura no Irã

18/08/2021

Celebração de Ashura no Irã
Ta'zieh, encenação do martírio de Hussein durante a celebração de Ashura  no Irã. (Foto: Surf Iran

Salam amigos! O 10º dia do mês islâmico de Muharram, ou Ashura, e sua véspera, Taso'a (que este ano cai entre os  dias 18 e 19/08) é um feriado religioso no Irã.

Durante a celebração de Ashura, em diversas cidades do Irã há grandes encenações do martírio de Hussein, chamadas Ta'ziyeh, consideradas patrimônio imaterial pela UNESCO. 


O que se celebra em Ashura?


Ashura, que significa literalmente o “décimo” em árabe, refere-se ao décimo dia do mês islâmico de Muharram. Este é considerado um dia de luto para os muçulmanos xiitas  pelo assassinato de Hussein ibn Ali, o neto do profeta Muhammad na batalha de Karbala.

As celebrações tem início a partir da primeira noite do mês de Muharram e continuam por dez noites, até chegar o dia 10 de Muharram, conhecido como Dia de Ashura. 

Os 3 dias antes do Dia de Ashura são muito importantes porque foram os dias em que o Imam Hussein e sua família e seguidores (incluindo mulheres, crianças e idosos) foram privados de água. No 10º dia , o Imam Hussain e 72 de seus seguidores foram mortos pelo exército de Yazid I na Batalha de Karbala.


Pintura "A Batalha de Karbala"
A Batalha de Karbala, pintura de Abbas Musavvi. (Foto: Brooklyn Museum)

Rituais e tradições de Ashura no Irã 


No Irã, durante os primeiros dez dias do mês islâmico de Muharram, vestidos de preto como sinal de luto, os crentes se reúnem em salas de oração, mesquitas e tendas improvisadas nas ruas, onde participam de cerimônias de luto e lamentações.

O dia 10 do mês conhecido como Ashura é o ponto alto do ritual. Há procissões com carros alegóricos representando os eventos, com jovens de camisa preta cantando e ritmicamente flagelando as costas com correntes de um quilo ou batendo no peito com as palmas das mãos abertas (sineh-zani). Os flagelantes representam os Kufans se arrependendo de ter abandonado o Imam Hussein e as procissões são chamados dasta (grupo). 

Velas são acesas nas mesquitas e santuários, e as pregações religiosas (rawza) em formas estilizadas representam o tema das orações por Karbala. Tradicionalmente, as mulheres não são impedidas de assistir as procissões, mas não participam diretamente.

Nakhl-Gardani - Ashura em Yazd no Irã
Cerimônia de Nakhl-Gardani durante a Ashura em Yazd (Foto: Surf Iran)

Em algumas cidades do Irã, são realizadas cerimônias de Nakhl-Gardani que consiste em carregar uma grande estrutura de madeira em formato de folha coberta com tecido preto bordado e diversos adornos, simbolizando o caixão do Imam Hussein. 

No final de cada cerimônia, é costume distribuir gratuitamente comida aos participantes e aos pobres (este costume é chamado de Nazri). Os xiitas acreditam que o próprio Imam Hussein é o anfitrião desta cerimônia e se encarrega dos preparativos em seu nome, e que consumir esse alimento tem propriedades curativas. Eles acreditam que lamentando o mártir Hussein, alimentando os enlutados em seu nome, ou saciando sua sede, eles recebem bênçãos e recompensa divina.

Nazri - Distribuição de comida em Ashura  no Irã
Nazri, distribuição de comida abençoada durante a comemoração da Ashura (Foto: Mehr News)

Ta'zieh no Irã - Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO


Uma das tradições da Ashura é a encenação teatral da Batalha de Karbala, através de um gênero teatral iraniano chamado  Ta'zieh (que em árabe significa "condolência").

Grupos teatrais especializados em Ta'zieh foram populares durante a dinastia Qajar até o início do século XX, mas as representações declinaram lentamente até serem quase todos abandonados nas grandes cidades no início dos anos 1940.

No entanto, estes grupos continuaram a existir no Irã em uma escala menor, especialmente nas áreas mais rurais e tradicionais. Reza Shah, durante a dinastia Pahlavi, baniu os grupos de Ta'zieh. Apesar das tentativas de se banir a tradição desde 1979, os rituais de Muharram ainda são muito comuns no Irã.

Em 2010, o ritual de Ta'zieh foi inscrito na lista do patrimônio cultural imaterial da humanidade da UNESCO:

Ta'zīye é uma arte ritual dramática que reconta eventos religiosos, históricos e míticos e contos populares. Cada performance tem quatro elementos: poesia, música, canção e movimento. Algumas performances têm até cem papéis, divididos em personagens históricos, religiosos, políticos, sociais, sobrenaturais, reais, imaginários e de fantasia. Cada drama Ta'zīye é individual, tendo seu próprio tema, trajes e música. As apresentações são ricas em simbolismo, convenções, códigos e signos compreendidos pelos espectadores iranianos e acontecem em um palco sem iluminação ou decoração. Os artistas são sempre homens, com papéis femininos sendo desempenhados por homens, e a maioria são amadores que ganham a vida por outros meios, mas atuam por recompensas espirituais. Embora Ta'zīye tenha um papel proeminente na cultura, literatura e arte iranianas, os provérbios do dia-a-dia também são extraídos de suas peças rituais. Suas apresentações ajudam a promover e reforçar os valores religiosos e espirituais, o altruísmo e a amizade, preservando as antigas tradições iranianas, a cultura nacional e a mitologia. Ta'zīye também desempenha um papel significativo na preservação do artesanato, como confecção de roupas, caligrafia e confecção de instrumentos. A sua flexibilidade fez com que se tornasse uma linguagem comum para diferentes comunidades, promovendo a comunicação, a unidade e a criatividade. Ta'zīye é transmitido oralmente do professor para o aluno. 
(Fonte: ich.unesco.org)

Tazieh, encenação da batalha de Karbala em  Ashura  no Irã
Ta'zieh, encenação do martírio de Hussein durante a celebração de Ashura no Irã. (Foto: Surf Iran)

Como é visitar o Irã durante o feriado de Ashura?


Por ser um feriado nacional, no Irã, durante o 9º dia do mês de Muharram, que é chamado de Taso'a  e no 10º dia que é chamado de Ashura, todos os escritórios do governo, universidades, escolas, comércios e  museus e locais turísticos estão fechados. Mas a maioria dos supermercados e restaurantes ficam abertos.

Para os turistas que não tem conhecimento sobre o islamismo xiita e sobre os rituais de Muharram e Ashura, visitar o Irã nesta época, assim como durante outros feriados religiosos pode parecer uma experiência pouco comum. Mas para aqueles que estão abertos a novas experiências, esta pode ser uma  chance de aprender sobre um dos eventos mais significativos da comunidade xiita no Irã e no mundo.

Geralmente, não há nenhuma limitação especial para participar deste evento, embora seja recomendado evitar o uso de roupas vermelhas e rosas brilhantes, especialmente durante o dia de Ashura, quando os iranianos celebram o luto pelo martírio de Hossein.

Este ano devido a pandemia da Covid-19, as celebrações públicas de Ashura no Irã estão limitadas. 

As fotos abaixo mostram uma representação da Tazi'eh em Teerã em 2014. Os personagens com roupas vermelhas representam o califa Yazid e suas tropas e os personagens com roupas verdes representam a família de Hossein. As fotos foram enviadas por amigos de Teerã: 

Tazieh - Ashura em Teerã, 2014

Tazieh - Ashura em Teerã, 2014


Tazieh - Ashura em Teerã, 2014

Tazieh - Ashura em Teerã, 2014

Tazieh - Ashura em Teerã, 2014

Tazieh - Ashura em Teerã, 2014

Tazieh - Ashura em Teerã, 2014

Tazieh - Ashura em Teerã, 2014


Como saber quando é o feriado islâmico de Taso'a e Ashura?


O mês de Muharram faz parte do calendário islâmico lunar, que é diferente do calendário oficial iraniano. Por esse motivo, as datas são bem diferentes a cada ano. 

Para saber a quais datas corresponde o mês islâmico de Muharram no calendário Gregoriano, utilize um conversor de datas

Para saber quando cai o feriado de Ashura, procure pelos dias 09 e 10 do mês de  Muharram e converta para o calendário Gregoriano. 

🔗Fontes consultadas (acessos em 18/08/2021): 

  💞 Este é um artigo inédito em língua portuguesa que você só encontra aqui no blog Chá-de-Lima da Pérsia. Se você também é fã da cultura do Irã e considera importante o nosso trabalho, saiba aqui como você pode apoiar o blog.

O IRÃ NOS JOGOS OLÍMPICOS TÓQUIO 2020

25/07/2021

Atletas do Irã Olimpíadas de Tóquio 2021
Delegação do Irã participa com 66 atletas nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (Foto do site: IFP)

Salam amigos! Na última sexta feira, 23/07, tiveram início os Jogos Olímpicos em Tóquio. E como já sabemos o evento que era para acontecer em 2020, está sendo realizado agora em 2021 devido à pandemia da Covid-19.

E quando é época de Jogos Olímpicos eu sempre preparo os meus "dois corações" e torço para que o Brasil e o Irã deem o seu melhor nas competições e conquistem muitas medalhas!


Hanieh Rostamian (tiro esportivo) e Samad Nikkhah Bahrami (basquete) os porta bandeiras da delegação do Irã na abertura dos Jogos Olímpicos em Tóquio 2021. (Foto do site: Tehran Times)

Nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, o Irã é representado por 66 atletas que competem em 17 modalidades!    
 
As modalidades que o Irã participará nas Olimpíadas de Tóquio 2020

Um pouco da história do Irã nos Jogos Olímpicos
Os Atletas Recordistas do Irã


🔗CONFIRA AS  LINKAGENS OLÍMPICAS DESTE FIM DE SEMANA:

 24/07
Neste sábado, o Irã derrotou a bicampeã mundial Polônia por 3 sets a 2, parciais. Vitória serve como revanche após derrota na Rio-2016. (Fonte: WebVôlei)

 Javad Foroughi alcançou o lugar mais alto do pódio na manhã deste sábado (24) em Tóquio, no Japão. Representante do país na categoria pistola de ar 10m, ele conquistou o ouro em sua primeira aparição em Olimpíada. (Fonte: Torcedores

Atletas do Irã Olimpíadas de Tóquio 2021
Atletas do Irã na abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (Foto do site: NBC Connecticut)

Nos próximos posts vamos trazer mais informações sobre os atletas de maior destaque  com vídeos e links de notícias sobre o Irã nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020. 

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