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Cineclube Apropriarte & Chá-de-Lima da Pérsia apresentam: "Ninguém Sabe dos Gatos Persas"



O Cine Clube Apropriarte em parceria com o blog Chá-de-Lima da Pérsia, convida você para uma sessão especial com exibição do filme: “Ninguém Sabe dos Gatos Persas ”. 

Negar e Ashkan são um jovem casal de músicos de indie rock que após saírem da prisão, decidem deixar seu país para tocar na Europa, onde inclusive já têm um show programado. Mas a tarefa é árdua. Eles tem que conseguir vistos e passaportes, além de driblar as autoridades e encontrar outros músicos dispostos a encarar essa perigosa empreitada.

Durante a busca, os dois jovens conhecem o trambiqueiro Nader que se mostra disposto a ajudá-los. Enquanto acompanhamos a jornada dos jovens músicos, o filme descortina um belíssimo panorama da educação musical e da produção underground em Teerã. Vemos e ouvimos grupos que ensaiam e tocam escondidos em lugares inusitados, como a banda de heavy metal que ensaia junto com as vacas de um estábulo ou os rappers que cantam em construções. 

Transitando entre o humor e a tragédia, neste filme, o diretor Bahman Ghobadi no traz um retrato exuberante da juventude urbana do Irã que busca através da arte conquistar seu espaço e expressar sua identidade em meio à repressão e a censura. 

Após a sessão haverá roda de conversa mediada por Janaina Elias, autora do blog Chá-de-Lima da Pérsia.


CINECLUBE APROPRIARTE: “NINGUÉM SABE DOS GATOS PERSAS” 
⛳ ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP (ver mapa)
📅 QUANDO: 25/06/19 - 19h30 
🎫 CONTRIBUIÇÃO: R$ 10,00


A história de amor de 1500 anos entre um príncipe da Pérsia e uma princesa da Coréia

Esta pintura persa do século XIV retrata uma cena do Kushnameh  que os estudiosos acreditam  ser o noivado do príncipe  persa Abtin com a princesa Frarang de Silla. (Museu da Universidade de Hanyang)
Você sabia que há mais de mil anos antes do primeiro explorador europeu chegar às costas coreanas, os persas já escreviam histórias de amor ambientadas nestas terras remotas do Oriente? No post de hoje vamos conhecer um épico persa de 1500 que revela o que pode ter sido o primeiro romance intercultural entre Irã e Coréia.

Recentemente, historiadores revisaram um épico persa escrito por volta de 500 d.C. e descobriram  que este continha a incomum história de amor entre um príncipe persa e uma princesa coreana.

E isto foi uma grande surpresa! Sabe por que?  Até recentemente, não se sabia se os persas daquela época tinham conhecimento sobre a existência da Coréia. Este novo achado revela que a Pérsia não apenas mantinha contato com a Coréia, mas esses dois países estavam intimamente conectados. E isso pode exigir uma reescrita total da história.

A obra conhecida como  Kushnameh é um imenso poema épico escrito por Ḥakim Irānshāh b. Abu'l-Khayr  entre os anos 501-04 / 1108-11, que narra a história de uma criatura maligna com presas de elefante chamada Kus, (sobrinho do terrível Zahhak) que aterroriza uma família ao longo das gerações. A história se estende por centenas de anos e milhares de linhas de poesia, mas a parte mais interessante está em algum lugar lá no meio, onde o autor criou incríveis 1.000 versos poéticos descrevendo a vida na Coréia durante a Dinastia Silla.

É nesta parte que entra em cena um jovem príncipe persa chamado Abtin. Por toda a sua vida, Abtin foi forçado a viver na floresta, escondendo-se do maligno Kus. Para protegê-lo, ele tem apenas uma arma, um livro mágico que prediz seu futuro.

E o livro de Abtin, não é nada menos do que uma cópia do livro do qual estamos falando neste momento, o próprio Kushnameh! Ao folhear algumas páginas para ver seu destino final, ele lê o próximo capítulo e descobre que deveria ir para o reino de Silla na Coréia, e  depois de ficar confuso e ir parar na China, acaba sendo recebido de braços abertos pelo rei de Silla.

A partir daqui, a história é apenas uma página após muitas páginas de descrições generosas de como a Coréia é linda. É verdade que algumas passagens parecem um pouco exageradas. Por exemplo, na que conta que a Coréia está tão repleta de ouro que até os cachorros são mantidos em coleiras douradas. Mas, no geral, a descrição é tão precisa que os historiadores modernos têm certeza de que o autor deve tê-la visitado pessoalmente.

Abtin é hipnotizado pela beleza do país e, logo depois, pela beleza da princesa Frarang. Loucamente apaixonado pela princesa coreana, ele implora ao rei por sua mão, e ela logo torna-se sua esposa e mãe de seu primogênito.
O casamento do príncipe Abtin e da princesa Frarang (Imagem: Daum )
É improvável que essa história tenha realmente acontecido. Em primeiro lugar porque não há evidências de que a Pérsia passou 1.500 anos sendo aterrorizada por um monstro imortal com presas de elefante, e ainda menos que os primeiros príncipes persas tinham livros de magia que poderiam predizer-lhes o futuro. Mas a riqueza do simbolismo da paixão de um príncipe persa por uma princesa coreana é inegável. Esta é uma prova rara de que os persas não apenas conheciam  a Coreia há 1.500 anos, mas  tinham uma profunda admiração por essa nação.

Durante 1.500 anos, as pessoas leram esta história acreditando que ela se passava na China. Na história, o reino coreano de Silla é referido como "Chin", um nome que pode se referir à China ou à Coréia. E é um fato curioso que a princípio, o próprio personagem Abtin, como a maioria dos historiadores, interpreta erroneamente o “jin” em seu livro mágico e acha que deveria ir para a China. 

Recentemente, porém, os historiadores deram uma nova olhada sobre as descrições dos locais e perceberam o quão perfeitamente elas realmente se equiparam à Coréia. As descrições neste livro não se parecem em nada com a China, mas são uma descrição perfeita e vívida da Coreia do século VI, um lugar onde, acredite ou não, eles realmente mantinham seus cães em coleiras de ouro puro!

Demorou até 1653 para que o primeiro explorador europeu chegasse à Coréia, isto é, mais de 1100 anos depois que o  Kushnameh foi escrito.

Rei e Rainha de Silla. Coreia do Sul, Museu Nacional do Folclore de Seul
- Trajes Tradicionais Coreanos do Reino de Silla (57 a.C - 935 d.C) 
Na verdade, a Pérsia sempre teve algum tipo de contato com a Coréia, pois ambos  faziam parte da Rota da Seda, e desse modo os produtos persas de alguma forma sempre foram parar na Coréia. Porém, o que nos chama atenção nesta história, é que a Coréia não é um mero parceiro comercial, mas sim uma aliada de confiança tão importante para os persas que estes literalmente não conseguem superar o mal até confiarem na liderança de um príncipe meio coreano e meio persa. É um casamento incrivelmente simbólico de culturas.

O épico também coloca outras relíquias sob uma nova luz. Em um túmulo antigo em Gyeong-Ju, por exemplo, há um antigo monumento a um herói de guerra da Coréia que se parece muito mais com um soldado persa do que um coreano. Agora, algumas pessoas estão começando a se perguntar se isso pode realmente ser o monumento a um herói persa esquecido que lutou pela Coréia.

Não há como saber até que ponto essas histórias são verdadeiras, mas elas podem mudar completamente o modo  como vemos a história desses dois países. Afinal, o conto do príncipe Abtin e da princesa Frarang é muito mais do que uma história de amor entre duas pessoas, é uma história de amor entre duas nações!


Adaptado do artigo de Mark Oliver para o site Ancient Origins 


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OFICINA: Dança Folclórica Persa Bandari

OFICINA: Dança Folclórica Persa Bandari  com Lena Yunis 
⛳ ONDE: Rua Doutor Homem de Melo, 961 - Perdizes - São Paulo/SP
 (ver mapa)
📅 QUANDO: 19/06/19  | ⏰ 19h-21h 
🎫 CONTRIBUIÇÃO: R$ 100,00 (6 vagas)

INSCRIÇÕES: 11 98577-9437 (Janaina) |11 99186-2862 (Guti)


12 Provérbios persas relacionados com animais


A língua persa é repleta de provérbios e jogos de palavras, por isso é uma necessidade conhecer essas expressões idiomáticas para entender completamente essa língua. O mais interessante é que os iranianos adoram usar esses provérbios em suas conversas cotidianas e muitos desses estão relacionados com animais. Existem milhares de provérbios com este tema, o que vale uma bela pesquisa, mas por enquanto vamos conhecer alguns dos mais comuns:

1) Divâr mush dâreh, mush ham gush dâreh 

دیور موش داره موش هم گوش داره


Literalmente: "As paredes têm ratos e os ratos têm orelhas."

Significado: devemos ter muito cuidado com o que falamos mesmo entre quatro paredes, quando achamos que ninguém pode nos ouvir.

Em português, o equivalente seria "matos têm olhos e as paredes têm ouvidos”.

2) Dustiye khâleh kherse
دوستی خاله خرسه


Literalmente: "Amizade da tia ursa"

Significado: Esta expressão vem de uma parábola persa sobre um homem e um urso que se tornam melhores amigos. Um dia, o homem está dormindo quando uma mosca pousa em sua face, perturbando sua paz. O urso, querendo proteger seu amigo, pega uma pedra e joga na cabeça do homem para matar as moscas. Sem querer, ele acaba matando o homem também.
A moral da história  é:  às vezes queremos  ajudar alguém com a melhor das intenções, mas acabamos fazendo mais mal a essa pessoa.

Em nosso idioma também temos o equivalente "amigo urso".

3) Kine Shotori [dâshtan]
کینه شتری


Literalmente: "(guardar) um rancor de camelo"

Significado: Os camelos geralmente são criaturas muito dóceis. Mas você sabia que eles também são capazes de guardar rancor e até mesmo buscar vingança! Então, quando alguém guarda rancor, em persa, diz-se que guarda rancor como um camelo.


4) Filesh yâde hendustân kardeh

فیلش یادهندوستان کرده


Literalmente: "Seu elefante lembra a Índia."

Significado: Quando alguém tem um sentimento nostálgico sobre sua terra natal. Um iraniano diz esta expressão quando está em outro país ou cidade e ali encontra alguma coisa que faz lembrá-lo do país, cidade ou vilarejo onde nasceu.


5) Sage zard barâdare shoghâleh

سگ زرد برادره شغال است




Literalmente: "O cachorro amarelo é o irmão do chacal."

Significado: Era uma vez em uma aldeia, um chacal tão travesso que os aldeões acabaram por bani-lo. Sabendo o quanto eles gostavam de cachorros, o chacal decide se pintar de amarelo e voltar, desta vez, causando problemas em segredo. Por se assemelhar ao chacal, os aldeões o chamam de “o irmão do chacal”. Um dia, a chuva lava a tinta amarela do pequeno malandro, e sua verdadeira identidade é revelada. Os aldeões descobrem que o “irmão do chacal” é, na verdade, o próprio chacal.

O cachorro amarelo simboliza uma pessoa má e o chacal é alguém ainda pior. Quando duas pessoas são igualmente ruins, não se engane pensando que uma delas pode ser um pouco melhor. Afinal, o cachorro amarelo é o irmão do chacal.


6) Eng ar az damâghe fil oftâdeh
انگار از دماغ فیل افتاده


Literalmente: "É como se ele tivesse caído do nariz do elefante."

Signficado: Quando uma pessoa é muito orgulhosa ou metida a importante.

7) Shotor didi nadidi
شتر دیدی ندیدی


Literalmente: "Você viu um camelo,  não viu"

Significado: É o equivalente a dizer "Não vi nada, não sei de nada"

Provavelmente essa expressão tem como origem um conto tradicional que vou resumir aqui: 

O poeta Saadi atravessou o deserto e precisava desesperadamente de descanso. Ao encontrar pegadas de um camelo ele decide segui-las porque tem certeza de que elas o levariam a um bom local de descanso. Enquanto  segue as pegadas, ele se depara com um gramado e percebe que apenas a grama do lado esquerdo do caminho foi comida enquanto a do lado direito está intacta. Então, ele conclui que o camelo deveria ser cego do olho direito e, portanto, não podia ver a grama deste lado. 

À distância caminhando em direção a ele, vem o homem que perdeu o camelo e pergunta se ele o viu.

“Era cego de um olho?”, Pergunta Saadi. "Sim! Por favor, diga-me onde está meu camelo, ”o homem pede. "Não vi", responde Saadi.

Achando que estava sendo vítima de um gracejo, o dono do camelo começa a bater em Saadi. Nesse momento o camelo retorna e o homem pede desculpas.  E o pobre Saadi chega a conclusão que ele deveria ter dito desde o começo  que não viu nenhum camelo.

8) Morghe hamsâyeh ghâzeh

مرغ همسایه غاز است


Literalmente: "A galinha do vizinho é um ganso."

Signifcado: é o mesmo que dizer "a grama do vizinho é sempre mais verde".


9) Shir tu shir ou khar tu khar
شیر تو شیر


Literalmente: "Leão em leão" ou "burro em burro" 

Significado: Por exemplo,  quando você está em um transito caótico, é como dizer que tem "um burro dirigindo outro burro". (“Leão em leão” é a versão mais educada.)

10) Gorbeh shu kardan

غربه شو کردن


Literalmente: "Lavagem de gatos"

Significado: Quando você não lava algo bem o suficiente para limpá-lo, dizemos que você "lava como um gato". Também se diz quando alguém toma um banho muito depressa, o que costumamos chamar de "um banho de gato". 



11) Khoshbakht ânke kore khar âmad, olâgh raft

خوشبخت ان که کره خر آمد آلاغ رفت

 

Literalmente: "Sorte daquele que veio como um asno e morreu como uma mula."

Significado: em alguns casos, a ignorância é uma benção! 


12) Kâre hazrat fileh!
کارحضرت فیل است


Literalmente:"É um trabalho para sua excelência o elefante!"

Significado: É o mesmo que dizer "isso é osso duro de roer". Os elefantes são considerados animais inteligentes, ou seja, quando uma tarefa é muito  difícil você tem que ser tão esperto quanto um elefante para resolvê-la. 

Você conhece outras expressões  idiomáticas curiosas com animais? Deixe um comentário!

(Adaptado de My Persian Corner)


Assista a reportagem da GNT: Lugares incríveis no Irã


Salam amigos! Não deixem de assistir à reportagem do programa Lugares incríveis do Canal GNT sobre o Irã que foi reprisada devido ao seu enorme sucesso! 
O vlogueiro Pedro Andrade visitou as cidades de Teerã e Isfahan para desbravar sua cultura, arquitetura, gastronomia e riqueza histórica. Surpreso com suas descobertas sobre um Irã muito diferente daquele que é retratado na mídia, ele  relata: "Há duas maneiras de visitar o Irã: Você pode vir pra cá procurando o que a gente tem de diferente deles, ou você pode vir pra cá em busca do que a gente tem em comum. Se você vier pra cá em busca de diferenças, você terá uma experiência exótica, chocante e em momentos assustadora.Se você vier atrás das nossas semelhanças, você vai humanizar ele,  vai ver que a gente tem muito mais em comum do que a gente pensava."