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Guest post: "Irã, o país da querideza!!!!"

Salam amigos! O Chá-de-Lima da Pérsia também abre espaço para você compartilhar o seu relato de viagem ao Irã. E hoje trago para vocês, um guest post que está demais! Vamos viajar na divertida e deliciosa narrativa da nossa amiga da Pérsia Gabriela Capeletto que deixou de lado qualquer ideia negativa e foi conhecer o Irã sozinha, em plena época do Nowruz. Sua experiência cativante com certeza vai inspirar muitos a descobrir as maravilhas deste país!


Por Gabriela Capeletto
Sou Gabriela, servidora pública, curitibana morando em Brasília. Estive no Irã durante o Nowruz desse ano (março/abril) e fiquei duas semanas por lá.
A ideia de visitar o Irã surgiu depois de ver fotos de uma colega que foi. Eu amo tudo o que é exótico e nunca antes tinha me interessado pelo país, mas bastou ver aquelas fotos pra plantar uma sementinha na minha cabeça que cresceu, cresceu, cresceu...e floresceu!
Logo que a ideia surgiu comecei a pesquisar sobre o país. Tudo o que lia falava sobre um lugar seguro, um povo hospitaleiro, e as mil coisas lindas que havia pra ver. Convidei basicamente todas as pessoas viajadoras que conhecia para se juntarem a mim. Cada uma deu uma desculpa. Resultado: acabei indo sozinha (e adivinha só? FOI MARAAAAA!).
Mas aí começou: “Irã? Você é louca? Vai fazer o que lá? Sozinha ainda???? Guria, que perigo!!! Não tem medo?? Vai ter que usar burca?? Olha, pense bem, acho que você não devia ir....bla...bla....”
Eu sempre digo que não saber algo não é necessariamente um problema, mas permanecer na ignorância e até se orgulhar dela é feio demais. Eu mesma não tinha muita informação sobre o país quando tudo começou, mas pô, eu não acordei um belo dia e resolvi ir pro Irã. Entre começar a pesquisar e emitir a passagem foram +ou- 6 meses. Sim, 6 meses lendo tudo o que podia, conversando com quem já tinha ido, frequentando fóruns....mas não, tinha gente que batia o pé e dizia que eu era doida e que seria sequestrada lá e vendida como esposa pra algum árabe. Aham...
(Fim do desabafo)

Muito bem, emiti a passagem. Contrariando várias recomendações, viajei exatamente durante o Nowruz, o ano novo persa. Apesar dos pontos negativos, como preços mais altos e superlotação em lugares turísticos, não me arrependo, e mais à frente explicarei o porquê.
Se você for em qualquer outra época, não precisa se preocupar em reservar as coisas com antecedência. É fácil conseguir passagens e hospedagens comprando/reservando no último minuto, depois de já estar lá. Essa regra só não vale para o Nowruz, e aí minha vida foi dificultada porque há pouca informação de hospedagens online (melhor site que achei foi o TripAdvisor), e não dava pra reservar as passagens estando no Brasil. O pânico estava prestes a se instalar, até que contei a algumas amigas que ia pra lá de férias. Uma amiga que mora em NYC disse que tinha um amigo iraniano muito querido que poderia me ajudar, e nos colocou em contato. Essa pessoa, o Ahad, em pouco tempo passou da categoria de “amigo da minha amiga” para “meu amigo bff” me ajudou com tudo: montou o roteiro comigo, comprou minhas passagens internas, me deu um chip com internet, VPN para o celular (não dava pra ficar sem Facebook, né!!), um cartão de crédito iraniano pra usar ao longo da viagem (isso mesmo, você leu certo), e o melhor: pediu a amigos deles que me hospedassem nas cidades pelas quais eu ia passar. E assim se foram 2 semanas, 6 cidades, 1 único hotel, e muitos amigos novos que falam comigo toda semana até hoje!!! Já dá pra ver que amei tudo, né?

Meu roteiro foi: Mashhad, Shiraz, Yazd, Esfahan, Kashan, Deserto de Maranjab, Teerã.
Mashhad foi a primeira parada, fiquei por lá 2 dias, na casa dos pais do Ahad. O que tem de essencial pra ver lá é a Imam Reza Holy Shrine, local lindíssimo e sagrado para os muçulmanos xiitas. Por sorte fiz a visita acompanhada da prima do Ahad, porque lá só se entra de Chador ou com uns vestidos árabes longos + hijab. Se nos primeiros dias já não é muito fácil usar hijab, Chador então é uma tristeza! Aliás, minha performance com o Chador foi altamente patética, voltei sem saber usar rsrsrs...e nesse dia a prima dele me emprestou um desses vestidos, o que foi a minha benção! 
Dica: Meias são obrigatórias nas mesquitas, leve várias na mala! 

Amanhecer na Holy Shrine
A segunda parada foi em Shiraz, onde fui hospedada pela querida Najme e sua família. Já tinha falado com ela pelo whatsapp antes de ir, sabia que morava com o marido e o filhinho, mas acabei conhecendo quase toda a família dela. A essa altura eu já tinha entendido que os presentinhos que levei seriam poucos, pois eu sempre ia conhecer muito mais gente do que imaginava. E não se engane: iranianos não só são hospitaleiros como têm um interesse genuíno em seus hóspedes! Perguntavam tudo sobre o Brasil, queriam fotos da minha família, questionavam por que eles não quiseram ir também....são uns lindos!!!!

E aqui veio a vantagem de ter ido no Nowruz: como ninguém trabalha no feriado, as pessoas estavam disponíveis para fazer turismo comigo! Não sei avaliar o transporte público do Irã pois não precisei dele. Tive guias locais à disposição quase o tempo todo. Comprei um pau de selfie que não saiu da mala, e não senti a menor falta dele. Iranianos amam fotos, tiram infinitas.

Em Shiraz visitei muita coisa: Tumba do Saadi, tumba do Hafez, Qavam House, Narajestan e-Ghavam, bazar.... nem lembro os nomes! Os pontos altos da cidade foram a maravilhosa Nasir-ol-Molk Mosque (pink mosque) e a vila de Ghalat. Aliás, Ghalat foi uma grata surpresa! Não tinha lido nada sobre o lugar, então foi um presentão conhecer! É o tipo de coisa que só se faz com locais.  
Esses vitrais são muito lindos! 

Ghalat =) 
Depois de Shiraz fui para Yazd, mas parei em Persépolis e Pasárgada no caminho.
(Persépolis) Lotado por conta do Nowruz
Chegamos à minha cidade preferida: Yazd!!!!
Aqui a farra foi geral. Eu ia me hospedar na casa da Somaye, irmã de um amigo do Ahad. Quem me buscou quando cheguei lá foi o irmão dela, Hamid. Chegando na casa deles, me desesperei: ninguém falava inglês. Ninguém. O desespero me consumiu por uns bons minutos. Tive medo de incomodar, de atrapalhar a rotina da família, de aproveitar mal o meu tempo e ficar mal acomodada. Porém, como seria muito grosseiro da minha parte ir embora, fui relaxando aos poucos e fiquei. Ainda bem!! Ficar com aquele povo todo foi SENSACIONAL!!! A Somy chamou uma amiga pra nos acompanhar por todos os lados, a Samaneh, e recorreu à ajuda da Setire (que morava em Teerã e falava um inglês melhor) pra nos comunicarmos. Pra encurtar: conheci umas 30 pessoas em Yazd, ficávamos em uns 12 na casa, fumando narguilé, dançando música persa, e nos entendendo com Google tradutor e mímica. Sozinha eu dificilmente teria encontrado os lugares onde eles me levaram (que foram só os melhores, cumpre anotar). Aqui ficou uma lição: abra o coração e não tenha frescura que tudo se ajeita! 
O que eu visitei: centro histórico de Yazd (cidade milenar, parece um filme, deliciosa pra se perder por um tempo), principais mesquitas, Chak-Chak, Meybod. 
Amir Chakhmaq 
Com a Somaye em Chak-Chak.... minha host querida que mesmo sem falar inglês me fez sentir tão em casa! 

Meybod 
Depois de Yazd, segui para Esfahan, onde fui hospedada pela Sra. Noorouzi, mãe de uma amiga do Ahad. A amiga dele esteve na Índia, então ficamos só nós duas na casa. Ela também não falava uma mísera palavra de inglês, mas mais uma vez isso foi contornável. Para ajudar, outro amigo, o Hadi, me acompanhou nos passeios durante o primeiro dia, e facilitou a comunicação com minha host. Ela parecia uma mamma italiana, sempre preocupada em fazer comida pra mim (e me dava muito mais do que eu aguentava comer). 
Em Esfahan eu visitei o Sofeh Park, a Catedral de Vank (recomendo muito!) e a lindíssima praça Naqsh-e Jahan com todas as suas mesquitas, bazar e palácio. 
Dica: em Esfahan, prove o Beriany, comida típica local. É uma delícia! 
Sou apaixonada por esses tons de azul e tetos cheios de detalhes 

A Praça!!! 
Parti de Esfahan rumo à Kashan, com uma parada em Abyaneh antes. Confesso que, como fui à Ghalat, Abyaneh não me impressionou tanto, mas mesmo assim vale a pena.  

Lá é tudo vermelho assim! 
Em Kashan conheci meu único hotel, uma traditional guest house iraniana. Foi uma ótima experiência me hospedar num lugar assim! A área comum da casa era um encanto! Mais uma vez, surpresas boas me aguardavam...

Visitei o Fin Garden, as Casas tradicionais que funcionam como espécies de museus (ou como cenário de filmes, de tão lindas), mesquitas. Kashan é histórica, antiquíssima, cheia de vielas com muros altos pelas quais é fácil se perder (e eu me perdi de verdade).
Lá pelas tantas parei pra comer. Dois casais entraram no restaurante e me abordaram falando em persa, mas logo viram que eu era estrangeira. Olhares trocados, fisionomias gravadas. Eis que mais tarde encontro os 4 na área comum do hotel! E aí já viu, né....não desgrudaram de mim, todo mundo virou amigo de infância! Eles eram da região de Tabriz, insistiram muito para que fosse visita-los (e obviamente me hospedar na casa deles), me encheram de mimos: ganhei doces, pistaches, chá, pulseiras das meninas e até um livro lindíssimo do Hafez, poeta mais famoso do Irã. Por sorte eu tinha uns batons na bolsa com os quais pude presentear minhas queridas Dellaram e Faranak, mas foi só isso também, porque no mais minha mala era pura roupa suja =P 


Área comum da Noghli house, onde me hospedei 
Em seguida, parti para o deserto de Maranjab, onde dormi num Caravanserai e vi o nascer do sol no outro dia. Confesso que a noite foi ruim, porque tinha um povo mal educado fazendo MUITO barulho perto da minha tenda, mas estava tão frio que não tive coragem de levantar pra pedir que parassem. Pelo menos o nascer do sol foi incrível, e adorei andar pelas dunas e provocar os camelos, então acabou compensando. 
Ops, o hijab voou! Hehehe 
O Caravanserai....a lua tava demais! 
What’s up, bro? :D 
Por fim, cheguei em Teerã, onde fiquei na casa do Ahad e do Saeed. A cidade me lembrou São Paulo, mas por ser feriado tinha menos trânsito que o normal (Graças a Deus, porque o trânsito iraniano é um terror). O ruim é que muitos locais estavam fechados. Acabei não fazendo tudo o que queria, mas ainda assim vi alguns museus, parques, fiz compras (como fui de mochila, deixei pra comprar quase tudo no final e não precisar carregar peso) e conheci mais um monte de gente legal. E aí comecei o processo de retorno pra casa!
Prepare o bolso se quiser trazer artesanato e tapetes 
O que posso dizer dessa viagem é que tudo me surpreendeu. Você vai ler mil vezes que o povo lá é hospitaleiro, mas só vai entender o quanto isso é sério quando chegar lá e começar a ser cuidada por eles. Brasileiros são amados no mundo todo, e lá também. Sobre ser mulher, ocidental e estar sozinha, só posso dizer uma coisa: esqueça todas as bobagens que já ouviu por isso e vá sem medo! Senti zero preconceito, andei sozinha, ajoelhei no meio da igreja cercada de muçulmanos sem nenhum problema. Além do mais, brasileiras têm um lado safo que nos afasta de perigos maiores.

Pra não dizer que tudo são flores, penso nas poucas coisas que não gostei: falta de internet boa, trânsito maluco e os banheiros iranianos. Esses últimos são de lascar...tenha sempre lencinhos na bolsa!

Dicas finais: leve presentinhos para as pessoas - doces, maquiagens (iranianas são vaidosíssimas), qualquer coisa. Prove todas as comidas (pouca coisa é ruim). Divirta-se com o hijab! Ele certamente é chato para as locais, mas pra uma turista ele é parte da folia e deixa tudo ainda mais divertido. Se ficar insegura, leve grampos pra fixá-lo (eu usei nos primeiros dias). Tome o máximo de cuidado com o Taroof, mas também não o deixe impedir de curtir. E acima de tudo, vá de coração aberto! Se te convidarem pra um chá, aceite. Se puder se hospedar com locais, hospede-se. Assuma uma postura amigável, sorria, tenha paciência e se jogue. O Irã é um lugar surpreendente e cheio de amor a oferecer! E claro, leia tudo aqui no blog da Janaína, ela é expert em Irã e vai te ajudar demais!

PS: nem preciso dizer que depois que comecei a postar as fotos foi uma choradeira e um arrependimento geral da turma que foi convidada e não quis ir né?! Hehehe....

Aí deve ter uns 30% das pessoas que conheci – amigos/anjos da guarda queridos do Irã!
Agradecimentos à linda Gabriela, por compartilhar gentilmente seu maravilhoso relato e belíssimas fotos. E se você também gostaria de enviar o seu relato de viagem ou de amizade Brasil-Irã, é só entrar em contato comigo!


Bamieh, um doce especial do Ramadan no Irã

Bamieh, doce típico iraniano 
Bamieh é um dos doces favoritos dos iranianos. É uma espécie de "mini-churros", servido  na hora do Eftar, a quebra do jejum durante o mês sagrado do Ramadan, e as confeitarias também faturam bastante com sua produção nesta época. Bamieh significa literalmente "quiabo", porque seu aspecto se parece com pequenos pedacinhos de quiabo frito cortado e geralmente vem acompanhado de outro doce chamado Zulbia. Por isso é comum ouvirmos falar da famosa dupla Zulbia Bamieh. Vamos aprender como ele é feito? 

Ingredientes: 

1 Copo de farinha de trigo
3 Colheres (sopa) de manteiga
2 Ovos
1/4 Colher (sopa) de açafrão
1 Copo de açúcar
1 Colher de (sopa) de água-de-rosas
Óleo vegetal 

Mode de preparo:

1- Dissolva o  açafrão em água fervente, deixe durante 30 minutos e reserve.
2- Coloque 1 copo de açúcar em uma panela. 
3- Acrescente  1/2 copo de água e mexa.
4- Ferva a mistura até formar uma calda grossa. 
5- Acrescente 1 colher (sopa) de água de rosas e 1 colher (sopa) do açafrão reservado à panela e misture bem, continue fervendo por mais 3 minutos.
6- Ponha 1 copo de água em outra panela.
7- Adicione 2 colheres (sopa) de açúcar e 3 colheres (sopa) de manteiga à segunda panela, mexa bem e aqueça até que a manteiga esteja completamente derretida e misture até que fique bem homogêneo.
8- Adicione 1 copo de farinha de trigo e continue mexendo em fogo brando até formar uma massa. 
9- Retire a mistura do fogo e deixe esfriar.
10- Adicione  2 ovos à massa, e mexa até que fique homogênea.
11- Coloque a massa em um saco de confeiteiro e escolha um bico decorativo com o formato de sua preferência e faça os "quiabinhos".
12- Frite os "quiabinhos" em óleo vegetal e remova o excesso de óleo . 
13- Mergulhe os "quiabinhos fritos " na calda preparada no passo 4 e deixe descansar por 5 minutos. 

14- Depois coloque-os em uma peneira para escorrer por alguns minutos e sirva. 
Sugestão:Também pode ser decorado com pistache moído.               


>> Veja aqui o passo-a-passo da receita: 


Receita do site Aashpazi.com


"Um Certo Olhar" para o cinema iraniano em Cannes

Cena do filme Lerd (Homem de Honra)
Salam amigos! Mais uma vez o cinema iraniano atrai o olhar em Cannes! Este sábado, o drama Lerd (Homem de Honra) venceu a mostra “Um Certo Olhar” que é dedicada a uma linguagem mais experimental.
Filmado clandestinamente no Irã, e oficialmente censurado, Lerd é um drama intenso que narra a história de um homem perseguido por forças econômicas e políticas por protestar contra a qualidade da comida de uma fábrica. 
O diretor e roteirista Mohammad Rasoulof, 45, que já esteve preso juntamente com  Jafar Panahi em 2010, declarou durante a premiação que espera que o prêmio torne as coisas mais fáceis para seu trabalho como cineasta no Irã.
Rasoulof disse que as autoridades iranianas haviam permitido que ele filmasse “Lerd”, mas somente após assinar um termo prometendo não denegrir muito a imagem de seu país. Porém, a exibição do filme não foi permitida no Irã.

(Fonte: Reuters


Viaje para o Irã com a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia!

Salam amigos! Em parceria inédita, a Azizam Tour e o Chá-de-Lima da Pérsia, apresentam uma novidade para quem busca destinos exóticos e experiências inesquecíveis. Chegou a chance que você esperava para conhecer as maravilhas do Irã!



Moedas antigas revelam a face dos reis persas


Você gosta de colecionar moedas? Elas são fascinantes porque muitas vezes são a única fonte através da qual os arqueólogos reconstituem a face de personalidades históricas de épocas remotas, das quais poucas estátuas ou pinturas sobreviveram.
Durante 400 anos um império do Irã batalhou contra Roma e Constantinopla, afastou as hordas de invasores da Ásia Central e manteve a da Rota da Seda aberta para a China. Este foi o Império dos Sassânidas. Responsáveis também por manter uma moeda estável em um estado multiétnico muitas vezes assolado por conflitos religiosos e políticos. Uma curiosidade sobre este Império, era que a tradição requeria que um membro da casa real ocupasse o trono, mas não era específico qual desses membros, o que ocasionou uma verdadeira guerra pela sucessão no final de cada reinado, e às vezes dentro do mesmo.  Durante este período cerca de 30 reis, cunharam moedas que revelam as faces por trás do poder deste império. Vamos conhecer alguns deles:

Moedas do rei Ardashir I: dracma de prata (acima) e dinar de ouro (abaixo)

Ardashir I (224-241)
Nascido em cerca 180 d.C., ele era um comandante em  Pars, no coração do Irã, quando em 224 iniciou uma rebelião contra os governantes Partas. Em 226, ocupou a capital Ctesifonte (atualmente nos arredores de Bagdá, Iraque) e foi coroado como “Rei dos Reis do Irã”.   
Ardashir estabeleceu o padrão de cunhagem das moedas de prata (dracmas) e ouro (dinares) Sassânidas que perduraria durante quatro séculos. Em suas moedas, Ardeshir aparece com barba e cabelos trançados e usando uma elaborada coroa parecida com um capacete. Todo rei Sassânida tinha uma coroa única combinando os símbolos das várias divindades cultuadas pelos iranianos. Na realidade estas coroas eram tão pesadas que ficavam suspensas por correntes acima do o trono, mas nas moedas os reis sempre são mostrados usando o aparato.
As inscrições no ante verso proclamam: “Ardashir, servo de Mazda, Rei dos Reis do Irã, descendente dos deuses”. Fórmula que  foi seguida pelos governantes subsequentes. Na moeda de prata, a face para quem ele olha é de seu filho e futuro sucessor Shapur I. O padrão no verso mostra um flamejante altar zoroastriano, a religião oficial do estado, adornado com fitas e incensórios nas laterais.

Moedas do rei Shapur I: dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Shapur I (241-272)
Nascido em c. 215 d.C, sua mãe foi uma princesa parta. Ele derrotou uma série de invasões romanas, culminando com a captura do imperador Valeriano em 260 (o único imperador romano da história a ser capturado como prisioneiro de guerra por inimigos estrangeiros). De acordo com a lenda, Shapur pisava nas costas de Valeriano para montar seu cavalo e o embalsamou como um troféu após sua morte. 
Shapur reinou durante 30 anos e as moedas de prata cunhadas por ele são relativamente comuns. O anverso o retrata usando uma coroa em formato de muralha, encimada por um korymbos (espécie de bulbo de seda decorativo). No reverso, ele acrescentou uma dupla de servos ao lado do altar de fogo.

Moedas do rei Piruz I: dinar de ouro (esquerda) e dracma de prata (direita)
Piruz I (457-484)
Piruz I comoçeou seu reinado com uma guerra civil contra seu irmão mais novo Hormizd III, que sucedeu ao trono após a morte de seu pai Yazdgerd II em 457. Piruz negociou um acordo com os Bizantinos para compartilhar o custo de defesa do Cáucaso contra os invasores do Norte. O império durante este tempo também sobreviveu a grande fome causada por uma seca de sete anos (464-471).
Ele combateu uma série de campanhas contra os Heftalistas, uma tribo de guerreiros nômades cuja origem é obscura, morrendo durante uma batalha próxima a Herat no Afeganistão em  484. Piruz foi sucedido por seu irmão, Balash, que foi deposto em favor de  Kavad (or Kavadh), um filho de Piruz, com ajuda do exército Heftalita.
Em suas moedas, Piruz usa uma série de diferentes coroas aladas.

Moedas do rei Khosro II : dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Khosro II (590-628)
Nascido em cerca de 570, Khosro II foi nomeado por seu avô. Aos 20 anos de idade, foi elevado ao trono por dois de seus tios, que depuseram e cegaram seu pai.  Após este episódio, o comandante  Bahram Chobin  iniciou uma guerra civil  (590-591) e tomou o trono por um breve período, mas este foi reconquistado por Khosro com a ajuda dos Bizantinos.  
As moedas de Khosro são extremamente comuns, mas alguns poucos exemplares são algumas das mais atraentes moedas Sassânidas. Um dinar de ouro do 21º ano de seu reinado retrata o rei usando uma coroa alada adornada com estrelas e crescentes com a inscrição: “Que Khosro, rei dos reis, possa prosperar.” No reverso há um busto da deusa  Anahita rodeada por um halo de chamas, e a inscrição: “O Irã prosperou”.  Uma rara dracma de prata, do 23º ano mostra a face do rei de frente ao invés do usual perfil direito.
Poderíamos mostrar ainda mais exemplos de moedas e aprender ainda mais sobre a história dos impérios do Irã, mas isto seria conteúdo para uma verdadeira enciclopédia. Se você gosta deste assunto e quer mais conteúdos sobre história, deixe um comentário! 

Adaptado de artigo do site CoinWeek, Ancient Coin Series de Mike Markowitz