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Ali Miri: ilustrações sobre infância e nostalgia

Ilustração da série Good Old Days, por Ali Miri

Salam amigos! Você já viu aqueles filmes iranianos que mostram as cenas da vida simples, do interior, dos subúrbios e dos vilarejos do Irã, onde as crianças e as pessoas comuns são as principais protagonistas? 

Recentemente descobri o trabalho do artista iraniano Ali Mirique transforma esses temas em maravilhosas ilustrações.

Ali Miri nasceu em Mashhad, em 1976. Interessado em ilustração desde muito cedo, o artista deixou a faculdade de desenho industrial para se dedicar à sua paixão. Tendo aprendido a desenhar de forma totalmente autodidata, atualmente utiliza ferramentas manuais e digitais para compor suas ilustrações. Seu portfólio inclui livros infantis, revistas, animações e propagandas, etc. 

Sobre seu trabalho ele diz: "Como ilustrador, me sinto realizado ao fazer uma conexão pura e íntima da  minha obra de arte para com o espectador e deixá-lo com um sentimento melhor: um sentimento de confiança, íntima e agradável como a infância. Eu tento o meu melhor para me aperfeiçoar todos os dias nesse caminho."

Alerta de nostalgia: se você foi criança antes dos anos 90, com certeza vai se identificar com muitas dessas imagens 😍!

Brincando com os amigos na frente de casa...

Os primeiros passos do seu irmãozinho mais novo...

Acordar mais que seus pais na sexta-feira (dia de descanso no Irã)...

Inverno é tempo de família reunida em volta da korsi ...

Hora de acordar para ajudar a mamãe a limpar a casa...

Tem sempre um irmão que gosta de pregar peças...

Tomar banho de mangueira no quintal, não tem preço...

Lavar os tapetes é pura diversão...


A gente adorava as conversas da mamãe com as visitas...

Na hora de viajar, tem que caber a família toda, mais a bagagem no carro...


Parar no meio da estrada na hora que alguém enjoa...

Vovô é um gigante adormecido na imaginação dos netos...

Feriado religioso é assim, dia de festa e muita comida...

Ah, como era legal contar histórias no escuro com os primos...


🔎 As ilustrações  fazem parte da série Good Old Days, que será lançado em breve como livro e também estão no perfil do artista no Instagram.


Tirgan: celebrando o Festival da Chuva


Salam amigos! Hoje os iranianos celebram o festival de Tirgan também conhecido como Jashn-e Tirgan, ou "Festival da Chuva"

Esta  tradição faz parte do  zoroastrismo, a religião ancestral do Irã, mas ainda hoje é revivida pelo povo iraniano no dia 13 do mês de Tir, (o quarto mês do calendário persa), que equivale a 2, 3 ou 4 de julho de nosso calendário. 

O nome do festival vem do arcanjo, Tir (cujo nome significa "flecha") ou Tishtar (relâmpago), que é o guardião das tempestades de trovões que trazem as chuvas tão necessárias que aumentam a colheita e evitam a seca durante o verão árido do Irã.

Crianças iranianas brincam de atirar água durante o Festival de Tirgan
Há também uma outra lenda que associa o nome da celebração ao arqueiro Arash, personagem da mitologia persa.

 No 13º dia do mês persa de Tir,  durante a disputa entre os reinos da Pérsia e Turan, Arash  disparou sua flecha que caiu nas margens do rio  Oxus. Assim, foram definidas as fronteiras entre os dois reinos. Diz a lenda que, assim que a disputa fronteiriça foi resolvida, a chuva começou a cair em ambas as terras, que sofriam com uma seca de oito anos.

Por este motivo, neste dia, o dia 13 do mês de  Tir , os iranianos celebram o "Festival da Chuva".

Um das tradições desta época é amarrar fitas da cor do arco-íris em torno dos pulsos durante os dez dias antecedentes e depois jogá-las em um córrego no dia do festival. 

Neste dia os iranianos também celebram com músicas, danças, poesias e até mesmo brincando de atirar  água uns nos outros nos parques. Também são servidas  comidas típicas como sopa de espinafre e sholeh zard (pudim de arroz com sabor açafrão).

🔗  Baseado em Iran Review

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5 Caminhos para entender o cinema de Abbas Kiarostami

Abbas Kiarostami em 1997

Salam amigos!  22 de junho é a data de aniversário de Abbas Kiarostami (1940 - 2016).  O cineasta, roteirista e poeta iraniano que faleceu há 4 anos, foi um dos maiores representantes da sétima arte na contemporaneidade. Aproveitando esta ocasião, gostaria de compartilhar um ensaio belíssimo para quem deseja compreender melhor sua obra:

“A arte não faz julgamentos, o que a arte faz é nos fazer pensar", diz  Abbas Kiarostami, uma das figuras mais emblemáticas da New Wave do cinema iraniano por suas obras alegóricas e ricas em filosofia e poesia.  Cada um de seus filmes é uma jornada de redescoberta da vida cotidiana e um olhar para o significado mais profundo de cada momento. Através das lentes de Kiarostami, problemas sociais, políticos e filosóficos são revisitados e questionados. Aqui estão cinco caminhos que você deve seguir para se conectar com a  visão de mundo do diretor: 

 1º Caminho:  do fotógrafo


Cena do filme  O Vento nos Levará (1999)

Primeiramente, Kiarostami é um fotógrafo, além de ser um cineasta e geralmente ele procura transmitir significado através de um enquadramento e composição peculiares. Quando não está filmando,  Kiarostami está tirando fotos de estradas, árvores, neve, portas, paredes, janelas e qualquer coisa que o inspire. Suas fotografias e seus filmes são sutilmente interconectados. Suas cenas longas e hipnotizantes como O Vento nos Levará e Gosto de Cereja, retratam um homem em uma jornada através de um ponto de vista onisciente, tentando encontrar seu lugar no universo. A posição de sua câmera é enigmática, às vezes em destaque, às vezes um espelho no qual os personagens vêem a si mesmos, como no final de  Cópia Fiel.   

 2º Caminho: do filósofo


Cena do filme Através das Oliveiras (1996)

Kiarostami é comparado com Tarkovsky e Bresson devido as suas abordagens místicas no cinema. Filmes como Gosto de Cereja  e O Vento nos Levará trazem a luz argumentos filosóficos e expõem questões existenciais. Em grande parte, o cinema de Kiarostami reflete uma visão Shakespeariana da vida em que "O mundo todo é um palco", ou a vida é como um filme.  Ele sempre insere a si mesmo em seus filmes através da interpretação de papéis e apresentando os bastidores de suas filmagens como em Gosto de Cereja e Através das Oliveiras. Em Gosto de Cereja, o personagem Badi está buscando uma forma de se suicidar e no final do filme, acorda no meio da noite em meio a uma cena dirigida pelo próprio Kiarostami. Ele assiste enquanto o diretor diz "corta". Similarmente, em Através das Oliveiras, o personagem Hossein se apaixona pela sua companheira de cena e continua cortejando a moça dentro e fora das filmagens sob a supervisão do diretor.  

 3º Caminho: dos atores e não-atores


Cena do filme Onde fica a Casa do meu Amigo? (1987)

Embora  Kiarostami tenha experiência em trabalhar com astros de renome como William Shimel, Juliette Binoche e Homayon Ershadi, ele ama dirigir talentos crus para alcançar um senso de realismo mais forte em suas filmagens. Ele acredita que trabalhar com não-atores  o ajuda a encontrar outra dimensão para usar. Em um de seus filmes mais recentes, Como um Alguém Apaixonado, ele pacientemente dirigiu  o veterano Tadashi Okuno, que foi um acréscimo para sua vida. E durante a filmagem de Onde fica a casa do meu amigo?, o garoto Babak Ahmed Poor nem mesmo sabia que estava sendo filmado e atuando diante de uma câmera, Kiarostami sutilmente dirigiu um não-ator mirim para deixá-lo menos constrangido. 

4º Caminho: do universo feminino


Cena do filme Dez (2002)

Em quarto lugar, as mulheres são a parte mais importante dos filmes mais recentes de Kiarostami. Seu cinema reflete habilmente sobre as questões de gênero e busca retratar as lutas e preocupações femininas.  Em muitos de seus filmes como Dez ou Cópia Fiel, as protagonistas procuram por relacionamentos satisfatórios e lutam para não serem emocionalmente machucadas pelos homens. Estes filmes abrem bastante espaço para as vozes suprimidas e marginalizadas das protagonistas femininas falarem alto e a desafiar os paradigmas da sociedade na qual vivem.  


 5º Caminho: do público pensante


Cena do filme Gosto de Cereja (1997)

Finalmente, o corpo do trabalho de Kiarostami é um cinema mais de perguntas do que de respostas. Seus filmes são famosos pelos finais abertos, e por deixar o final a ser imaginado pelo público. O público é desafiado a se engajar ativamente no processo de contar a história e preencher as lacunas enquanto os créditos finais deslizam sobre a tela. Kiarostami mostra o quão bom é o cinema para levantar questões e fazer o público pensar.

🔗  Adaptado do ensaio de Azadeh Nafissi para o site The Culture Trip  

🎥 Assista os filmes no Youtube: 

Através das Oliveiras (Closed Caption)

Gosto de Cereja (Closed Caption)

Onde fica a casa do meu amigo? (legendado em português)

O Vento nos Levará (Closed Caption)
 
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O adeus a Mohammad Ali Keshavarz: um ícone do cinema iraniano

Mohammad Ali Keshavarz em Através das Oliveiras (1994)
Salam amigos! Faleceu neste domingo (14), um dos ícones do cinema, do teatro e da televisão do Irã:  Mohammad Ali Keshavarz. Com uma carreira de mais de mais de 70 anos, aos 90 anos o ator estava com a saúde debilitada.

Keshavarz nasceu em 15 de abril de 1930, em Isfahan, de uma família de artesãos. Graduado em artes cênicas, iniciou sua carreira no teatro em 1948, estreou no cinema em 1964 e foi considerado um dos cinco maiores atores do Irã, tendo recebido a medalha mais importante da Cultura e das Artes Iranianas.

Ele  foi hospitalizado em Teerã no mês passado devido a uma doença renal. Durante o curso de sua terapia, Keshavarz sofreu uma infecção pulmonar e foi levado à unidade de terapia intensiva, onde finalmente faleceu.

Dono de uma personalidade carismática e de uma presença marcante, Keshavarz  atuou em grandes séries de TV e dezenas de filmes incluíndo Madar ("A Mãe"), Hezardastan, Kamalolmolk e  Delshodegan dirigidos por Ali Hatami, e também "Através das Oliveiras" (1994), dirigido por  Abbas Kiarostami (que estreou aqui no Brasil na 28ª Mostra Internacional de Cinema).

Keshavarz também atuou ao lado do astro Anthony Quinn em Caravans, um filme iraniano-americano de 1978, dirigido por James Fargo, baseado no romance de James Michener. 

 🔗 Fontes: Press TV | Iran Press

Esses foram os únicos filmes legendados com o ator  Mohammad Ali Keshavarz que encontrei no Youtube: 



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Revista Digital Interativa Chá-de-Lima da Pérsia



Salam amigos! 
É com muita alegria que apresento a vocês a primeira edição da Revista Digital Interativa Chá-de-Lima da Pérsia. Nela os apoiadores do blog, terão acesso a conteúdos inéditos e dicas exclusivas sobre cultura do Irã.

O formato digital interativo é feito para você ler onde quiser, no celular, no tablet ou no computador e ainda, se quiser se aprofundar nos temas e buscar mais informações, os links clicáveis que estão disponíveis em cada página te levarão direito para os sites na web.

🔥 Nesta 1ª edição especial vamos celebrar os 1000 anos do maior poeta do Irã - Ferdowsi, e conhecer sua obra prima, o Shahnameh.  


📧 O e-mail com o link para download da revista já foi enviado para quem fez a doação no valor de R$25,00 para a campanha do blog no més de maio. Olhe o seu e-mail e confirme o recebimento! 

🙋 Se você ainda não enviou o seu apoio mas gostaria de receber a revista e/ou outros presentes digitais, acesse a página de apoio e faça sua doação até 15/06.

🙌 Se você já fez a doação de outro valor, mas gostaria de completar sua doação para receber a revista, envie seu e-mail pela página de contato  até 15/06.


Khordadgan: dia de honrar as águas


Hoje, 26/05 equivale no calendário persa ao o 6º dia do mês de Khordad. Nesta data, os iranianos celebram Khordâdgân, um festival de origem zoroastriana que lembra a importância de honrar e lembrar a importância do elemento água para a manutenção da vida.
Khordâd tem origem na palavra Hauvrtat que significa “saúde e bem-estar” no antigo persa, é o nome do terceiro mês do calendário persa e também o nome de um dos AmeshaSpenta, ou anjos da tradição zoroastriana.  Khordad é representada como uma divindade feminina que protege as águas dos rios e dos mares.
O lírio branco, especialmente o que cresce no norte do Irã, é a flor símbolo da celebração de Khordadgan, que acredita-se ter o “cheiro da amizade”. Tradicionalmente os iranianos celebram o festival de Khordadgan, perto de fontes de água, rios ou lagos.
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