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Moedas antigas revelam a face dos reis persas


Você gosta de colecionar moedas? Elas são fascinantes porque muitas vezes são a única fonte através da qual os arqueólogos reconstituem a face de personalidades históricas de épocas remotas, das quais poucas estátuas ou pinturas sobreviveram.
Durante 400 anos um império do Irã batalhou contra Roma e Constantinopla, afastou as hordas de invasores da Ásia Central e manteve a da Rota da Seda aberta para a China. Este foi o Império dos Sassânidas. Responsáveis também por manter uma moeda estável em um estado multiétnico muitas vezes assolado por conflitos religiosos e políticos. Uma curiosidade sobre este Império, era que a tradição requeria que um membro da casa real ocupasse o trono, mas não era específico qual desses membros, o que ocasionou uma verdadeira guerra pela sucessão no final de cada reinado, e às vezes dentro do mesmo.  Durante este período cerca de 30 reis, cunharam moedas que revelam as faces por trás do poder deste império. Vamos conhecer alguns deles:

Moedas do rei Ardashir I: dracma de prata (acima) e dinar de ouro (abaixo)

Ardashir I (224-241)
Nascido em cerca 180 d.C., ele era um comandante em  Pars, no coração do Irã, quando em 224 iniciou uma rebelião contra os governantes Partas. Em 226, ocupou a capital Ctesifonte (atualmente nos arredores de Bagdá, Iraque) e foi coroado como “Rei dos Reis do Irã”.   
Ardashir estabeleceu o padrão de cunhagem das moedas de prata (dracmas) e ouro (dinares) Sassânidas que perduraria durante quatro séculos. Em suas moedas, Ardeshir aparece com barba e cabelos trançados e usando uma elaborada coroa parecida com um capacete. Todo rei Sassânida tinha uma coroa única combinando os símbolos das várias divindades cultuadas pelos iranianos. Na realidade estas coroas eram tão pesadas que ficavam suspensas por correntes acima do o trono, mas nas moedas os reis sempre são mostrados usando o aparato.
As inscrições no ante verso proclamam: “Ardashir, servo de Mazda, Rei dos Reis do Irã, descendente dos deuses”. Fórmula que  foi seguida pelos governantes subsequentes. Na moeda de prata, a face para quem ele olha é de seu filho e futuro sucessor Shapur I. O padrão no verso mostra um flamejante altar zoroastriano, a religião oficial do estado, adornado com fitas e incensórios nas laterais.

Moedas do rei Shapur I: dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Shapur I (241-272)
Nascido em c. 215 d.C, sua mãe foi uma princesa parta. Ele derrotou uma série de invasões romanas, culminando com a captura do imperador Valeriano em 260 (o único imperador romano da história a ser capturado como prisioneiro de guerra por inimigos estrangeiros). De acordo com a lenda, Shapur pisava nas costas de Valeriano para montar seu cavalo e o embalsamou como um troféu após sua morte. 
Shapur reinou durante 30 anos e as moedas de prata cunhadas por ele são relativamente comuns. O anverso o retrata usando uma coroa em formato de muralha, encimada por um korymbos (espécie de bulbo de seda decorativo). No reverso, ele acrescentou uma dupla de servos ao lado do altar de fogo.

Moedas do rei Piruz I: dinar de ouro (esquerda) e dracma de prata (direita)
Piruz I (457-484)
Piruz I comoçeou seu reinado com uma guerra civil contra seu irmão mais novo Hormizd III, que sucedeu ao trono após a morte de seu pai Yazdgerd II em 457. Piruz negociou um acordo com os Bizantinos para compartilhar o custo de defesa do Cáucaso contra os invasores do Norte. O império durante este tempo também sobreviveu a grande fome causada por uma seca de sete anos (464-471).
Ele combateu uma série de campanhas contra os Heftalistas, uma tribo de guerreiros nômades cuja origem é obscura, morrendo durante uma batalha próxima a Herat no Afeganistão em  484. Piruz foi sucedido por seu irmão, Balash, que foi deposto em favor de  Kavad (or Kavadh), um filho de Piruz, com ajuda do exército Heftalita.
Em suas moedas, Piruz usa uma série de diferentes coroas aladas.

Moedas do rei Khosro II : dinar de ouro (acima) e dracma de prata (abaixo)
Khosro II (590-628)
Nascido em cerca de 570, Khosro II foi nomeado por seu avô. Aos 20 anos de idade, foi elevado ao trono por dois de seus tios, que depuseram e cegaram seu pai.  Após este episódio, o comandante  Bahram Chobin  iniciou uma guerra civil  (590-591) e tomou o trono por um breve período, mas este foi reconquistado por Khosro com a ajuda dos Bizantinos.  
As moedas de Khosro são extremamente comuns, mas alguns poucos exemplares são algumas das mais atraentes moedas Sassânidas. Um dinar de ouro do 21º ano de seu reinado retrata o rei usando uma coroa alada adornada com estrelas e crescentes com a inscrição: “Que Khosro, rei dos reis, possa prosperar.” No reverso há um busto da deusa  Anahita rodeada por um halo de chamas, e a inscrição: “O Irã prosperou”.  Uma rara dracma de prata, do 23º ano mostra a face do rei de frente ao invés do usual perfil direito.
Poderíamos mostrar ainda mais exemplos de moedas e aprender ainda mais sobre a história dos impérios do Irã, mas isto seria conteúdo para uma verdadeira enciclopédia. Se você gosta deste assunto e quer mais conteúdos sobre história, deixe um comentário! 

Adaptado de artigo do site CoinWeek, Ancient Coin Series de Mike Markowitz


Um poema de Rumi para o Dia das Mães


"Deus não queria estar em todos os lugares, então, ele criou as mães para representa-lo."


Minha mãe, é simplesmente a melhor das mães
Eu sou alegria, filho da alegria, filho da alegria!
Quando uma mãe chama por seu filho:
“Venha minha criança, deixe eu te amamentar
Sou eu, sua mãe, quem está falando contigo”
Acaso um bebê faminto responderia:
“Prove-me primeiro que você é minha mãe,
Antes de eu ter o conforto de mamar de seu leite?”  
Uma mãe é naturalmente suave, frágil e especial,
Ainda que proteja com bravura seu filho
Assim como um experiente caçador perseguindo uma presa 

Uma mãe viaja por milhares de milhas
Se é preciso prover para suas crianças
Felicidade e bem estar

Uma mãe instintivamente deixa a escapar
Centenas de gritos de desespero
Quando seu filho está passando por dificuldades
Quando uma mãe perde seu filho,
Ela sofre e chora tão profundamente
Que as chamas ardentes da tristeza
Derramam de seu coração aflito
Pelo resto de sua vida 
Uma mãe prontamente arrisca sua própria vida
Para manter seu filho longe do perigo
Uma mãe dá a sua própria vida
Centenas de vezes se for preciso
Para salvar a vida de sua preciosa criança 

Uma criança doente treme de medo
Quando o seu sangue é extraído para um exame
Mas a mãe carinhosa se sente radiante
Sabendo que seu filho será logo curado 
Nunca julgue nem critique uma mãe
Por sempre superproteger seu filho
Deus não queria estar em todos os lugares,
Então, ele criou as mães para representa-lo.
Deus criou as pacientes mães
Para confortar os bebês que choram
Deus criou os bebês inocentes
Para chorar alto e implorar
Pelo leite confortante de suas mães 
Nenhuma criança poderia nascer
A menos que uma mãe desse a luz
Enfrentando a excruciante dor do parto
Gravidez, dor, contrações,
Dar a luz, e experiências da maternidade
Tudo isso são bênçãos de Deus para uma mãe
Deus deposita sua divina misericórdia e confiança
Dentro do coração de uma mãe grávida
Então o coração da mãe também se torna grávido
De um preciso presente de Deus
Por isso que o amor de uma mãe é sempre eterno

(Tradução livre  de poema atribuído a Rumi, adaptado de Mawlana Rumi Online)


Uma singela homenagem a todas as mães do planeta, com carinho, do Chá-de-Lima da Pérsia! 

💝 Feliz Dia das Mães! 💝
Ruze madar mobarak! 


Breve história da língua persa

Representação do rei Dário no rochedo de Behistun, o registro mais antigo da língua persa 
Você sabia? O persa é uma das línguas mais antigas do mundo e uma das poucas que permaneceu em uso contínuo após milhares de anos. Apesar de atualmente, ser escrita em caracteres árabes (Irã e Afeganistão), e cirílicos em territórios da antiga União Soviética (Uzbesquistão e Tadjiquistão), ela pertence a família das línguas indo-europeias, ao qual pertencem o grego e o latim. Neste sentido, o persa está muito mais próximo do inglês e do português do que do árabe, turco ou demais línguas do Oriente Médio.
A história conhecida da língua persa pode ser divida em dois períodos: antigo, médio e moderno persa.

O registro mais antigo desta língua, datando do período Aquêmenida é a inscrição do rei Dário I  (522 - 486 a.C) no rochedo de Behistun (província de Kermanshah, no Irã). No entanto esta inscrição não representa a forma falada da linguagem, mas sim uma forma arcaica e estilizada, provavelmente do antigo persa que data de aproximadamente 3000 anos.

O persa médio pode ser dividido em vários períodos com destaque para duas eras: a língua que era falada durante o Império dos Partos (248 a.C - 226 d.C) e a língua do Império Sassânida (226 - 651). 

Durante este período a morfologia da língua persa foi grandemente simplificada. Veja os exemplos:

Persa Antigo        
Persa Médio  
Três gêneros distintos: masculino, feminino e neutro   
Sem distinção de gênero
Três categorias de números: singular, dual e plural         
Singular e plural apenas 
Nomes e adjetivos declinam em sete casos 
Extintas as regras de declinação

Conjugação de verbos simplificada      
                      
Infelizmente, grande parte da literatura do persa médio se perdeu com a invasão árabe durante a conquista islâmica da Pérsia. Período este que marca o começo da história da língua e literatura do persa moderno. No entanto passaram-se cerca de 200 anos até que o médio persa se transformasse no novo persa. Pode-se dizer que a história do persa moderno iniciou em cerca de 850 d.C até os dias atuais(aproximadamente 1200 anos!). No decurso de sua longa história, o persa desenvolveu um grande número de expressõe idiomáticas e provérbios. São deste período os mundialmente famosos poetas persas como Ferdowsi, Rumi, Khayyâm, Hafez e Saadi. O persa moderno não difere muito do persa médio com relação a gramática. A principal diferença está na inserção de um grande número de palavras de origem árabe que passaram a fazer parte do vocabulário persa, além da utilização do alfabeto árabe, com pequeno acréscimo de letras adaptadas a sua fonética. (Para mais informações sobre a história da escrita persa veja o post: Breve história da caligrafia persa

Hoje em dia, o persa é falado principalmente no Irã (Pérsia), Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e Bahrain, sendo a língua oficial dos três primeiros países (cerca de 130 milhões de falantes). Historicamente a língua persa já foi muito mais difundida pela Ásia, sendo a língua cultural de muitas regiões e dinastias islâmicas. O persa foi durante muito tempo a língua do Império Otomano, e a língua franca de diversas partes do mundo islâmico ocidental e durante cinco séculos do sub-continente indiano. Além disso, a língua persa também foi um importante meio para contribuições literárias e científicas no mundo islâmico, sendo assim seu status é comparável ao do latim para a cristandade. A forte influência do persa em outras línguas ainda pode percebida em todo o mundo islâmico.Nos últimos 200 anos, o Irã perdeu a maior parte de seu território, especialmente para a Rússia, consequetemente a língua persa desapareceu gradualmente na maioria destas regiões. 

Algumas palavras de origem persa na língua portuguesa chegaram por intermédio dos árabes durante a conquista islâmica na Península Ibérica no séc.VIII. Por exemplo: bazar, caravana, chacal, dervixe, divã,  jasmim, lilás, quiosque, tafetá, laranja, azul, cáqui, pijama, xeque-mate.


Evento gratuito: A Pérsia e a representação feminina no cinema

Shaghayeh Djodat em "Gabbeh" (1996)
Salam amigos! Este sábado 29/04, em São Paulo, haverá a palestra A Pérsia e a representação feminina no cinema, com a presença do diplomata brasileiro Álvaro Galvani, que vive na capital Teerã, e de Aline Moreira do Amaral, mestre em História pela PUC-SP, com tese dedicada à representação da mulher no cinema iraniano. Vamos viajar para a Ásia Ocidental, revisitar a Pérsia antiga dos reis Aquemênidas, rememorar a beleza poética de Rumi e outras grandes obras dessa civilização. 

Onde: Tapera Taperá ( Av. São Luiz, 187, 2º andar, loja 29 - Galeria Metropole )
Quando: Sábado, 29/04/17, às 15h

O evento é gratuito e aberto ao público. 


Feliz Páscoa Brasil e Irã!

Salam amigos! Com a proximidade que a Páscoa cristã tem em nosso calendário da tradicional celebração do Ano Novo Iraniano, o Nowruz, as comparações acabam sendo inevitáveis. E a mais notável semelhança é que os ovos coloridos estão presentes em ambas as celebrações! O fato é que no Irã, não existem ovos de chocolate, mas a tradição de decorar ovos para celebrar a chegada da primavera existe há milênios, antes mesmo da chegada do cristianismo às terras da Pérsia. 
As comunidades cristãs, armênia, assíria, católica e protestante do país, celebram a Ressurreição de Cristo em diferentes datas de acordo com o calendário litúrgico que seguem. A saudação de Páscoa em persa é: Eid-e Pak Mobarak! 
O vídeo a seguir mostra estas celebrações em duas importantes igrejas históricas localizadas no bairro de Jolfa, na cidade de Isfahan:



Feliz Páscoa Brasil e Irã, com esperança de renovação para todos! 
Que tal deixar um comentário com o seu desejo para esta data?